CAPITULO 2

Pássaros cantam, me despertando em mais uma manhã, me espreguiço na cama e em um pulo de coragem levanto, caminho a passos preguiçosos e me aproximo da janela onde toda manhã observo o nascer do sol. Amo observar a cor alaranjada que reflete nas nuvens nesse horário, junto com o verde das grandes árvores que arrodeia minha casa e o cheirinho de terra molhada por causa do orvalho. Para mim, essa é uma das cenas mais lindas de se ver pela manhã e o cheirinho mais gostoso de se sentir, me sinto inspirada ao acordar e ver isso, uma motivação, mais um recomeço.

O som dos pássaros cantando é tão bom que por breves momentos me deixo levar para um lugar chamado paz, paz que sinto toda manha ao acorda assim. Sem me preocupar com meus afazeres, apesar de não serem muitos dentro de casa, fazer todo dia, as mesmas coisas, é repetitivo e cansativo, não tenho celular e nenhum meio tecnológico, minha mãe tem um celular, ele tem vários botões e bastantes joguinhos que na minha infância eu achava o máximo, o que eu mais gostava era o da cobrinha vermelha que ficava comendo uns pontinhos pretos que apareciam na tela e com isso ela ia crescendo.

 Bom, hoje é meu aniversário de quinze anos de idade, me sinto insegura, um pouco ansiosa e com medo... "Será que vou me sair bem? Será que eu deixarei minha mãe orgulhosa? E se eu falhar?" - São perguntas que me atormentam cada vez mais, a cada dia que se passa, e hoje elas estão a todo vapor em minha cabeça.

 "Não! Eu prometi que ajudaria minha mãe e não irei falhar com minha promessa, nunca fui uma pessoa de quebrar promessas e não vai ser agora, depois de tantos anos de preparo, que serei" - digo firme em meus pensamentos, não permitirei que minha mãe deixe de sorrir.

- Onde está a aniversariante mais linda desse mundo? - minha mãe entra no meu quarto me tirando de meus devaneios - Olha! Ai está ela! - diz com um sorriso enorme em seu rosto.

Ela segura uma bandeja com bolo de chocolate e morango, um de meus sabores preferidos.

- Aqui estou eu! - digo sorrindo para minha mãe — Hum, o cheirinho está ótimo - afirmo me aproximando dela e a abraçando com cuidado para não encostar e acabar estragando o bolo.

- Feliz aniversário minha filha! - sussurra em meu ouvido - Eu te amo muito minha princesinha, que seu caminho seja claro como as águas mais cristalinas, que você tenha sempre sucesso em sua vida, e que essa data repita por muitas e muitas décadas a fio. 

Desfazemos o abraço e ela me da um beijo na testa, tenho uma mãe tão carinhosa, minha melhor amiga! Bem... Única também... Infelizmente nunca conheci ninguém.

- Vamos, faça o seu pedido antes que a vela se apague! - diz com um grande sorriso no rosto. Ah! Como eu amo minha mãe sou capaz de tudo por ela, ela a única que faz de tudo por mim.

Sorrio em resposta para ela e fecho meus olhos e enquanto assopro a vela penso: "Quero conseguir ser tudo o que minha mãe espera de mim!" - Ao finalizar abro meus olhos.

- O que desejou querida? - dona Scarllet pergunta curiosa, não tem um ano que ela não me pergunte o que eu desejei, eu nunca revelo.

- Se eu contar não irá se torna realidade - digo sorrindo de lado e mamãe faz uma careta, mas logo volta a sorri também - Quero que vire realidade! - digo simples e convicta.

- Você está certa, se fosse para os demais saber, o pedido não teria que ser feito por pensamentos. Vamos corte logo esse bolo! - diz colocando a bandeja em cima da cama e me dá uma faca, pego de sua mão e corto o primeiro pedaço, dou para ela, nenhuma novidade, pois sempre foi eu e ela, as vezes sinto vontade de conhecer mais do mundo, contudo minha mãe fala que é muito perigoso a vida além da floresta em que vivemos.

{Nicolas}

Hoje faz exatamente quinze anos que eu perdi minha filha e não tive capacidade de encontra-la. Todas as noites eu choro pensando nela: Será que ela está bem? Será que está sendo maltratada? Onde ela está?

Meu coração dói por não ter as resposta e por ver minha fêmea triste tanto quanto eu ou até mesmo mais, por onde anda nossa Renata? Ainda esperamos por sua volta, mesmo tendo se passado quinze anos, sei que ela não vai voltar se não a encontrarmos, aquela vampira aprendiz de bruxo dos infernos deve ter feito algum feitiço para impossibilitar a nossa busca pela minha filha, se ela ficou com a Renata, com certeza não deve ter dito a ela quem são seus pais. Só espero que aquela vadia não esteja tomando o lugar que era para ser nosso, ou pior, que não esteja torturando a Renata. Só de imaginar tais situações sinto meu sangue ferver.

Será que um dia voltaremos a vê-la? - acabo caindo mais uma vez na tristeza da saudade, e da incerteza que querendo ou não me ronda, se eu encontrar aquela mulher não sei do que sou capaz de fazer.

- Sim! Não sei o porquê mas tenho a impressão que logo iremos reencontra-la Nicolas. - diz Ryan, meu lobo, todo esperançoso, gostaria de ter a mesma esperança que ele.

- Assim eu espero, pois a cada dia que passa fica ainda mais difícil de acreditar nisso Ryan, sei que ela está viva e em algum lugar, mas eu não consigo encontra-la de jeito nenhum. Eu juro que eu fiz tudo que podia, eu tentei, tentei mais falhei não consegui proteger minha família eu sou um lixo, um nada... - falo tudo o que estava entalado por todos esses anos me sentindo um merda incapaz de proteger suas próprias crias.

- Pai? - ao ouvir a voz de Lucca tento secar rapidamente as lágrimas de meus olhos. - Sabia que o encontraria aqui! - diz entrando no escritório.

- Oi, meu filho! - me levanto da cadeira e vou até ele. - Venha dá um abraço em seu jovem pai - digo fazendo graça e ele sorri para mim vindo me abraçar - Feliz aniversário meu filho.

- Obrigado pai.

Desfazemos o abraço e eu olho para seu rosto, como ele se parece com a mãe, mas seus olhos são iguais aos meus, herdou apenas as partes bonitas de seus progenitores.

- Onde está seu irmão? - pergunto, ainda não vi Rapha hoje.

- Ele ainda está dormindo - diz e senta no sofá de couro que fica em frente a enorme janela de vidro do escritório dando visão para a alcateia. 

- Nem no próprio aniversário Rapha levanta cedo, vamos temos que acorda-lo - digo sorrindo de lado e Lucca sorri também do meu comentário e noto a semelhança desse sorriso de lado, que orgulho dos meus dois filhos, eles tem alguns costumes que nem os meus, tipo: Sorrir de lado, e sabemos o charme que esse sorriso carrega, mas o costume de dormir muito com certeza Rapha herdou da mãe, que ela não me escute.

Eu os considero mais que meus simples filhos, os considero meus melhores amigos, onde contamos tudo uns aos outros e fazemos muitas traquinagens juntos, Lina fica bem brava e vive me perguntando se eu nunca vou crescer mas, como fazer isso? Eles são tudo o que eu tenho, são minha fonte de alegria, minha família e a minha vida.

Antes de irmos para o quarto de Luan Raphael seguimos para o banheiro e enchemos um balde com água fria, com passos cuidadosos para não deixar cair pela casa e Lina brigar com a gente vamos para o quarto do dorminhoco. Lucca abre a porta e enquanto eu me preparo pra jogar o balde de água que deveria molhar o Luan Raphael sinto a gélida água se chocando ao meu corpo me fazendo dá alguns passos para trás com o susto, deixo a balde em minha mão cair me molhando ainda mais e empossando o chão do quarto, esfrego meus olhos com as costas das mãos.

Não acredito! Mas uma vez  no final quem sai molhado dessa história sou eu e ainda os dois caras de pau estão rindo descontroladamente de minha cara, não aguento e acabo rindo também, a final esses dois juntos não valem nada, mas para mim valem mais que qualquer tesouro nessa terra.

- Bom dia...- Lina aparece na entrada do quarto - De novo isso, Nicolas? Quando você vai sair seco dessas maluquices de vocês? - pergunta tirando uma mecha de meu cabelo molhado de meus olhos, dou um selinho em seus lábios, sei que ela briga, mas que no fundo ama ver a união de nossos filhos.

- Um dia quem sabe, eu ainda pego esses dois .- digo olhando para eles que sorriem debochados - E você irá me ajudar minha lobinha! - digo sorrindo a olhando dentro dos olhos. Sei que ela irá me ajudar, ela ama quando incluímos ela nas brincadeiras, eu tenho uma fêmea bem travessa! Eu amo isso nela, com ela nada é uma chatice.

- Ajudo sim querido - ela pega uma toalha branca no banheiro do nosso filho e me entrega - Feliz aniversário meus filhotes - diz indo abraçar os meninos que fazem caretas para a forma como ela os chamou.

- Obrigado mamãe, mas não fica bem chamar o sucessor do supremo alfa de filhote - ele beija a testa da mãe - Sou um homem - diz fazendo umas poses engraçadas.

- Luan Raphael você sempre será o meu filhote, mesmo depois que seu pai se aposentar e você tomar o seu lugar - ela puxa a orelha dele - Menino levado.

- Concordo com o Rapha mamãe - Lucca se pronuncia saindo do aperto do braço da mãe - As lobinhas vão rir da gente.

- Em primeiro lugar vocês não tem idade para pensar em lobinhas - ela diz subitamente brava com as mãos na cintura e os meninos me encaram pedindo ajuda.

- Não olhem para mim - digo levantando aos mãos.

- Abraço coletivo - Rapha pede tentando mudar de assunto, Lucca tenta correr mas puxo ele e caímos todos na cama do Rapha abraçados e rindo - Pai, você está molhado - ele lembra reclamando e eu me esfrego mais ainda neles.

- Vocês dois - Lina aponta os meninos - Limpem essa bagunça - se refere poça de água no chão.

- Ah não mamãe - Lucca reclama.

- Vocês não esperam que eu limpe ne? - se levanta e me estende a mão.

- Desertor - me acusam.

Apenas rio da cara de desgosto deles e sigo a minha fêmea para fora do quarto.

- Vamos para nosso quarto que vou te secar - ela pisca sensualmente e sai rebolando.

- Para a minha luna tudo - a sigo com meu membro já ganhando vida.

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