Mundo de ficçãoIniciar sessãoA mudança foi rápida, mas tranquila. Nos dois primeiros dias, Daniel dormiu no hospital como acompanhante da avó, até finalmente encontrar um pequeno apartamento de um cômodo só, mesmo tendo dinheiro guardado, precisava se preparar para o momento que precisaria voltar a pagar o tratamento da avó, comprar as coisas para a chegada do bebê e ainda não tinha um trabalho ou salário, então precisava de toda ajuda possível. Conseguiu se candidatar para uma vaga de recepcionista no hospital onde sua avó estava internada, como indicação dos funcionários que ajudaram na transferência, pois sabiam como seria difícil conseguir um outro emprego sendo um ômega grávido e vinculado.
Daniel tentava lidar com sua nova vida, longe de casa, sendo um ômega, marcado e grávido, eram muitas coisas para se acostumar de uma vez só. O corpo inteiro doía e ele nem conseguia saber o motivo, porque ele não passou pela puberdade ômega, então seu corpo tentava se adaptar às mudanças físicas de uma troca de segundo gênero, a gravidez e a distância forçada com um alfa vinculado, pai do seu bebê. Como ambos precisavam dos feromônios alfas, tanto o ômega vinculado, quanto o bebê em desenvolvimento, Daniel precisava entrar em contato com feromônios artificiais constantemente, por sorte, no hospital onde estava trabalhando, todos estavam sendo muito compreensíveis, acostumados àquela realidade.
A carência e os hormônios causavam choros diários, mas Daniel ainda tinha a avó para consolá-lo em seus piores momentos.
Por trabalhar em hospital, já era oferecido a ele uma plano de saúde, o que garantia o pré natal.
Com a fugar, Daniel se livrou de seu celular, então não houveram ligações e principalmente, não poderia ser localizado, por isso o ômega se sentia mal quando recorria a uma conta falsa criada para espionar a vida de James Jupp. Infelizmente, não houveram outras fotos, vídeos, nenhuma movimentação nas redes sociais. Então Daniel se contentava em observar as fotos antigas do alfa.
Durante todo o tempo em que Daniel trabalhou para James, o ômega criou um sentimento indesejado pelo alfa, mas em todas as vezes o diretor fez questão de humilhá-lo e deixar bem claro o seu devido lugar: sempre abaixo dos pés de James, nunca ao seu lado, pois não era o suficiente para isso.
...
James ainda não conseguia acreditar em como Daniel conseguiu enganá-lo, mentindo, escondendo, fugindo, bem embaixo de seu nariz. O alfa morria de medo dos ômegas tentarem dar o golpe no baú nele, mas o secretário deixou bem claro que a última coisa que desejava do alfa, era algum vinculo e aquilo feria o seu ego, como um ômega pobre tem a audácia de recusar o grande James Jupp, dono de uma empresa familiar muito rica? O tempo que permaneceu deitado na maca, sua mente esteve trabalhando em táticas para capturar o ômega fujão.
Ouviu leves toques na porta, não respondeu, aguardou em silêncio, até finalmente Henry abrir e colocar a cabeça para dentro do quarto, não parecia nem um pouco surpreso ao encontrar o amigo preso à cama, ele viu o estado obsessivo em que o outro alfa se encontrava, tentou evitar grandes conflitos o quanto pôde, mas sabia que James explodiria em algum momento.
- Boa noite, James - o homem loiro cumprimentou o moreno, ainda parada na porta.
- O que tu tá fazendo? Entra de uma vez e me solta daqui - James exigiu, se contorcendo na cama.
- Você está aí por um motivo, eu não vou te soltar enquanto for um risco para o bem-estar dos outros - explicou Henry.
- Pelo menos fez o que eu te pedi? - rosnou James.
- Eu procurei Daniel por todos os hospitais da cidade e não encontrei nem sinal da avó dele - explicou.
- É, ele deve ter saído da cidade, não ficaria tão longe da avó - concluiu James - O médico te explicou a minha condição?
- Algo sobre um beta marcado - respondeu Henry - Não é como se eu já não soubesse que isso é sobre o Daniel, além do teu comportamento ultimamente, eu via como tu olhava pra ele antes. Mas ele fugiu, espero que deixe isso pra lá, faça o tratamento e o deixe em paz.
James suspirou alto, encarou o teto em silêncio por um tempo, até soltar.
- Ok.
Henry sorriu aliviado.
- Sério? Graças a Deus - disse o alfa loiro - Eu vou perguntar sobre o seu tratamento certinho, te ajudo como puder e relaxa que eu tô de olho na empresa, só se preocupe em se recuperar, já até solicitei outro secretário, talvez eu dê preferência para uma mulher agora, assim você não ficar com seus funcionários, vá procurar seus parceiros sexuais em outro lugar.
James apenas assentiu, sem dizer uma palavra, planejando o retorno de Daniel para sua vida, pois não pretendia cumprir sua promessa, só queria distraí-lo para não deixar Henry o atrapalhar.







