Marca

Daniel não teve outra opção, em alguma hora precisaria retornar para o apartamento de James, o empresário estava ligando e enviando várias mensagens, o diretor queria saber onde estava o tempo todo. O ômega queria chorar só de pensar na possibilidade de chegar e ter um sexo violento com o alfa. Estava ainda mais preocupado, pois não verificou se haveria riscos para o bebê.

Desde cedo, Daniel aprendeu que o silêncio era uma das suas melhores defesas, isso quando não era a única.

Quanto menos falava, menos errava.

Quanto menos olhava, menos chamava atenção.

Quanto menos existia, mais seguro ficava.

Por isso funcionava tão bem com James, o alfa não gostava de perguntas, de dar explicações.

Não gostava de pessoas que ocupavam espaço demais.

Dan não fazia nada disso.

— Você está atrasado — constatou James ao ver o seu secretário entrar no apartamento.

— Desculpa — Daniel abaixou a cabeça imediatamente.

Era contraditório como James não queria um ômega na vida dele, mas parecia tão satisfeito com qualquer submissão demonstrada por Daniel.

– Demorou tudo isso no médico? — continuou o empresário — Teve algum atestado? É algo contagioso?

– Eu fui ver a minha avó depois do médico – respondeu Dan.

— Tantas perguntas, sendo que tudo é culpa dele — pensou o ômega.

— Esse imbecil além de demorar o dia todo e voltar com cheiro de ômegas em cima dele ainda usa a avó como desculpa? — pensou James, ao mesmo tempo.

– O quê? – os dois homens ouviram suas vozes juntas, ficando assustados com aquilo.

— A marca — lembrou Daniel, olhos arregalados de medo.

Por instinto, o ômega colocou a mão na marca de mordida queimando em sua nuca, percebeu que aqueles pensamentos todos eram a conexão de alfa-ômega proporcionada pela marca. Tentou bloquear os próprios pensamentos, focando sua atenção em uma música, cantarolando para ocupar sua mente.

– Que marca? Você tá louco? Foi esse o diagnóstico? Loucura? – zombou James – E para com a porra dessa cantoria, que irritante – gritou colocando as mãos na própria cabeça.

– Foi uma infecção alimentar, preciso apenas descansar e me hidratar para me recuperar – Dan lembrou de uma das perguntas do alfa e usaria isso para não ter relações com ele pelo menos naquela noite.

– Você foi em um médico ômega por um acaso? Pensei que por ser beta te mandariam para se tratar com outro beta – questionou James farejando o ar.

– Para tratarem a minha avó são ômegas, deve ter sido isso – explicou – Vou me deitar, preciso descansar, obrigado por me liberar para a consulta hoje, senhor.

O ômega correu para se trancar no quarto que utilizava na casa do alfa, coração acelerado, talvez realmente fugir fosse uma boa solução, por mais que James exigisse que fosse pago, não era como se aqueles valores realmente fossem fazer falta, ele pagou tudo aquilo somente por sexo e Daniel estava torcendo para que não insistisse em encontrá-lo depois de sua fuga. Pela conexão da marca e por ser possível quando estavam próximos Dan passou o restante da tarde cantando músicas e evitando pensamentos sobre sua gravidez, sua mudança para ômega e sua fuga.

– Dan – chamou o alfa quem passou a tarde aborrecido por aquela música sem fim – Comprei sopa e sanduíche natural para o jantar, venha comer de uma vez.

Dentro do quarto jogado na cama Daniel suspirou e se arrastou pelos lençóis, esperava que pudesse ficar sem pensar em nada durante o jantar pelo menos, seguiu pelo corredor sentindo o cheiro do alfa, era a terceira vez que sentia aqueles feromônios, afinal não era capaz disso quando era um beta e deveria confessar que era muito bom aquele cheiro de pinheiros. Caminhou pela casa até chega a cozinha onde o alfa estava sentado com as comidas compradas espalhadas pela mesa já abertas e os pratos e talheres disponíveis para comer, se sentou na cadeira em frente a um prato já reservado para ele.

– Obrigado, senhor – Dan agradeceu sem olhar diretamente para o alfa quem não respondeu.

O jantar foi silencioso, tendo apenas o barulho dos talheres, dos pratos, James não parava de encarar o mais velho com olhos afiados, atento a cada movimento do ômega, Dan estava nervoso por ser encarado, mas agradecido pela conexão não estar funcionando naquele momento.

– Senhor, por curiosidade – falou Kim Dan – O senhor planeja ter filhos, um ômega, um laço em algum momento?

Dan estava preocupado com a reação que tal pergunta poderia causar no mais novo, contudo o lutador apenas riu.

– Não, por isso eu prefiro os betas, sem risco de filhos e sem problemas em questão de abortos, ômegas são muito apegados às crianças, jamais aceitariam realizar um aborto por exemplo – respondeu ainda rindo – Por quê? O nosso querido secretário deseja ter filhos? Está ansioso para o nosso contrato acabar e poder criar uma família? – de repente a risada do homem não parecia mais divertida e tom estava ameaçador – Já encontrou algum ômega para realizar esse sonho ou pior está com uma beta, assim eu não poderia nem identificar pela falta de feromônios?

– Sinceramente eu gostaria de ter filhos, ter uma família, mas eu jamais colocaria outra pessoa em meio a tudo o que está acontecendo agora na minha vida – Dan estava assustado, mas preferiu ser sincero naquele momento – Eu não ousaria quebrar o nosso acordo. Agradeço pelo jantar, devo descansar para que amanhã eu já esteja recuperado, com licença, boa noite.

Daniel se levantou da cadeira, pegou seu prato e talheres para lavar, ficou na cozinha por um tempo limpando em silêncio, quando saiu o alfa estava arrumando o que ficou na mesa.

– Deixe comigo – Dan se ofereceu para a limpeza, contudo o alfa afastou os pratos de sua mão.

– Vá para o seu quarto descansar, eu não quero mais você desmaiando e vomitando pela minha casa – ordenou e seguiu para a cozinha.

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