Narrado por Yakov
Estou acordado na penumbra do meu quarto, e a casa inteira parece respirar o mesmo rancor que eu. As paredes ainda cheiram à humilhação; cada móvel me lembra a noite em que fui arrancado da minha própria terra como se fosse lixo. A raiva não é só raiva — é um nó que aperta o peito e me impede de distinguir onde termina o ódio e começa a fome por reparação.
Penso no rosto de Marcello quando lhe contei que Volkov acolheu minha filha. A expressão dele — uma mistura de desprezo e curiosidade — ficou gravada. Ele decidiu vir. Não por piedade, mas por prazer e por ambição. Aceitei sua atenção porque é o que eu precisava: alguém poderoso interessado no meu caso me dá caminho. Se Marcello vai, eu não posso falhar.
Catarina roda na minha cabeça como uma lâmina. Não a quero de volta por carinho; quero porque me roubaram algo que me pertencia — nome, honra, futuro. Ela escolheu o brilho de promessas maiores: preferiu ser a esposa do Don. Preferiu poder em vez de nós. Isso me s