Mundo de ficçãoIniciar sessãoAs batidas suaves na porta fizeram o quarto mergulhar novamente no silêncio.
As quatro se entreolharam. Era hora. Elara foi a primeira a se aproximar. Segurou delicadamente o rosto da irmã entre as mãos, observando-a por alguns instantes antes de abrir um sorriso carregado de emoção. — Você está linda. Mia sorriu de volta. — Você diria isso até se eu aparecesse enrolada num cobertor. Uma risada escapou de Elara. — Diria. Porque você continuaria sendo minha irmã. As duas se abraçaram demoradamente. Quando se afastaram, foi a vez de Kiara envolver Mia em um abraço apertado. — Vai dar tudo certo. Mia sustentou seu olhar por alguns segundos antes de responder com um pequeno sorriso. — Espero que sim. Kiara segurou suas mãos. — Você sempre me dizia para confiar no vínculo. Agora precisa confiar no seu também. Antes que Mia encontrasse uma resposta, Zara passou um braço pelos ombros das duas. — Chega. Se continuarem assim, nós quatro vamos aparecer na cerimônia com os olhos inchados. Elara enxugou discretamente uma lágrima. — Você também está chorando. — Estou. — Zara deu de ombros. — Mas eu choro bonita. As três riram, e Mia acabou acompanhando. A leveza daquele momento parecia estranha depois de tantas semanas de dor, mas também era necessária. Uma nova batida ecoou do lado de fora. — Senhoritas, a cerimônia começará em poucos minutos. Elara lançou um último olhar para a irmã. — Precisamos ir. Mia apenas assentiu. As três caminharam até a porta. Antes de sair, Zara voltou-se mais uma vez. — Independentemente do que acontecer hoje… nunca esqueça quem você é. Você continua sendo a nossa Mia. — Sempre vai ser. — completou Kiara. Elara aproximou-se uma última vez e depositou um beijo demorado na testa da irmã. — Eu te amo. — Também amo você. As três deixaram o quarto. Assim que a porta se fechou, o silêncio voltou a tomar conta do ambiente. Poucos segundos depois, uma nova batida soou. Mais firme. Mia sorriu antes mesmo de responder. — Entre. Lucca entrou devagar. Assim que seus olhos encontraram a irmã, parou completamente. Permaneceu em silêncio, deixando o olhar percorrer cada detalhe do vestido branco, do circlete prateado repousando sobre seus cabelos dourados e do colar em forma de lua que brilhava discretamente sobre seu peito. Um sorriso emocionado surgiu em seus lábios. — Você está linda. — Obrigada. Ele caminhou até ela sem dizer mais nada. Ao parar à sua frente, inclinou-se levemente e aspirou o perfume de seus cabelos, exatamente como fazia desde que eram pequenos. Mia fechou os olhos. Por um instante, foi como se Darian estivesse ali outra vez. Era aquele o gesto que o pai repetia sempre que queria demonstrar carinho, antes de abraçá-la ou dizer que tudo ficaria bem. Quando voltou a encará-lo, percebeu que Lucca também lutava para controlar a emoção. — O papai estaria muito orgulhoso de você. Os olhos de Mia se encheram de lágrimas. Ela sorriu, mesmo sentindo a garganta apertar. — Também estaria orgulhoso de você… Alfa Lucca. Ele soltou uma breve risada e balançou a cabeça. — Ainda não. — Para mim, já é. Mia segurou suas mãos. — Você escolheu a Kiara muito antes de ela despertar o lobo. Escolheu porque a amava, exatamente como o papai escolheu a mamãe. Tenho certeza de que eles dois estariam muito orgulhosos do homem que você se tornou. Lucca abaixou a cabeça por alguns instantes. Respirou fundo antes de voltar a olhá-la. — Vamos parar por aqui. Um sorriso pequeno surgiu em seus lábios enquanto passava discretamente a mão pelos olhos. — Porque, se continuarmos falando deles, nós dois vamos entrar naquela cerimônia chorando. Mia deixou escapar uma risada baixa. — Acho que você tem razão. Os dois permaneceram em silêncio por alguns instantes. Não havia mais nada a ser dito. Bastava estarem ali, um ao lado do outro, tentando encontrar forças para seguir em frente. Lucca então estendeu o braço. — Posso ter a honra de conduzir minha irmã até o altar? Mia sorriu com ternura. Segurou seu braço. — Sempre. Juntos, caminharam em direção à porta. Do outro lado, o reino inteiro os esperava.






