Os dois voltaram para dentro de casa. Caio colocou o buquê de rosas vermelhas sobre a mesa e começou a falar:
— Ontem à noite eu estava de mau humor, mas você não deveria ser tão sensível e implicar tanto. Não precisava deixar a Sarah numa situação desconfortável. Esse buquê é para você, comprei especialmente na volta para casa. Agora, daqui a pouco você vai pedir desculpas para Sarah, e a gente vira essa página. Ela não é uma pessoa rancorosa, e com certeza vai te perdoar!
Caio não dava presentes a Dolores há muito tempo e, em sua cabeça, tinha certeza de que ela ficaria profundamente emocionada com o gesto.
Dolores olhou para as rosas. As bordas das pétalas já estavam um pouco murchas, e ela sentiu um riso frio crescer por dentro.
“É assim que eu me tornei? Tão insignificante a ponto de permitir que Caio me humilhe dessa forma?”
Ela já havia visto esse mesmo buquê de rosas no vídeo que Sarah postou naquela manhã. Dolores sabia que aquelas flores haviam sido destinadas a Sarah.
“Dar algo que já foi de outra pessoa e ainda agir como se fosse um favor para mim... Caio me vê como lixo, é isso?”
Dolores permaneceu sentada, sem dizer uma única palavra.
A paciência de Caio rapidamente se esgotou, e ele falou com irritação:
— Não seja ingrata! Já te dei uma oportunidade para resolver as coisas. Aceite isso e pare de criar problemas, porque insistir só vai piorar as coisas para você.
Dolores cobriu o nariz e a boca com a mão, afastando-se ligeiramente das flores:
— Sou alérgica a pólen.
Caio ficou surpreso por um instante. Ele havia se esquecido completamente disso. Claro, pedir desculpas não fazia parte do vocabulário dele. Ele começou a pensar em como poderia contornar a situação.
Quando Caio olhou novamente para Dolores e viu o rosto frio e indiferente dela, algo dentro dele explodiu. Ele não conseguia aceitar a ideia de que ela ousasse tratá-lo daquela forma.
Furioso, Caio agarrou o buquê de rosas da mesa e o atirou no rosto de Dolores com força. Depois, ele continuou jogando as flores nela, golpe após golpe, sem demonstrar qualquer remorso.
Dolores abaixou a cabeça, protegendo o rosto com as mãos. Mas o pólen das flores já estava no ar, e ela começou a sentir os efeitos da alergia. Sua pele ficou coberta de manchas vermelhas, o rosto ficou inchado e a respiração começou a falhar.
Caio, no entanto, não se importou. Ele soltou uma risada fria e zombou dela:
— Está tentando me enganar com essa atuação? Você acha que vou acreditar? Olha para você! Com essa cara horrorosa, você nunca vai se comparar à Sarah. Eu ainda não me divorciei de você porque sou generoso. Mas não abuse da sorte! No dia em que eu decidir te mandar embora, nem adianta se você ajoelhar e implorar, porque vai ser tarde demais.
Dulce, que vinha descendo as escadas, aproveitou o momento para se juntar ao pai. Ela recolheu as pétalas que haviam caído no chão e as jogou no rosto de Dolores, rindo e batendo palmas:
— Isso foi incrível! Papai está defendendo a tia Sarah!
Ao ver a expressão de empolgação no rosto da filha, Caio segurou a mão dela e, sem sequer olhar para Dolores caída no chão. Caio lançou uma ameaça dura:
— Desta vez foi só um aviso. Se acontecer de novo, pense bem nas consequências!
Pai e filha deixaram a casa juntos, sem sequer olhar para Dolores.
Dolores, com a respiração cada vez mais pesada, reuniu as últimas forças para se arrastar até o sofá. Com dificuldade, ela pegou o celular e ligou para sua melhor amiga, Clara Botelho.
Quando Dolores voltou a si, ela percebeu que estava em um quarto de hospital. Mesmo tendo decidido abrir mão de tudo, o comportamento de Caio ainda fazia seu coração doer.
Ela repetia para si mesma:
“É só esperar mais um pouco. Em breve, estarei livre para começar um novo amanhã.”
Clara entrou no quarto, fechando a porta atrás de si. Ela cruzou os braços e se posicionou perto da janela, encarando Dolores com um olhar sério:
— Você quase morreu por causa da alergia ao pólen. Liguei para o Caio, e sabe o que ele fez? Não só não demonstrou nenhuma preocupação, como ainda teve a audácia de dizer um monte de absurdos. Que tipo de marido faz isso?
Dolores esboçou um sorriso amargo e respondeu com calma:
— Assim que o divórcio for oficializado, não teremos mais nenhuma ligação.
Clara ficou surpresa com a declaração, mas logo assentiu:
— Finalmente você está pensando direito. Faz anos que eu te digo para se livrar dele, mas você não ouvia. Olha só o que ele te fez passar!
Dolores não respondeu. Apenas, em silêncio, ela repetiu para si mesma:
“É só esperar mais um pouco. Em breve, estarei livre para começar um novo amanhã.”