Mundo de ficçãoIniciar sessãoARIANA
— Elroy? Posso usar uma das suas camisas? — gritei do nosso closet na manhã seguinte, tentando ajeitar meu cabelo despenteado com os dedos, enquanto minha outra mão procurava uma peça no armário dele. Acontece que meu plano de sedução não funcionou, mas isso não era suficiente para me impedir de tentar novamente. — Por que você iria querer usar minha camisa? — perguntou ele do nosso quarto. Eu não estava com ele, mas sabia que ele sustentava uma expressão de desagrado. Escolhi uma camisa branca de mangas compridas e vesti imediatamente, fechando todos os botões. Era grande o suficiente para chegar até a parte superior da minha coxa. Dei um sorriso e saí do closet em direção ao quarto. Ele ainda estava na cama, mexendo no celular. — Estou bem? — perguntei, chamando sua atenção. Ele ergueu os olhos, mediu-me de cima a baixo e franziu a testa. — O que você não entendeu sobre não tocar nas minhas coisas?! Foi a primeira regra que te dei antes de você se mudar. Tire isso! Sorri com malícia. — Com prazer — murmurei, enquanto minhas mãos se moviam para desabotoar o primeiro botão. — Não, não, não! — Ele se levantou apressado. — Não tire isso aqui. Qual é o seu problema? Por que você está tentando arruinar meu humor logo cedo? — Relaxa, não é como se eu me sentisse confortável usando suas roupas ou algo assim... Só vou usar a hashtag #selfieacabeideacordar — eu disse, fazendo o sinal de aspas com os dedos. Ele suspirou. — Ninguém precisa ver nada. — Parece que você se esqueceu de que nosso relacionamento é uma inspiração para muitos jovens por aí. Precisamos manter isso vivo... Pelo menos para o público, já que você não está interessado em fazer dar certo pessoalmente — falei, caminhando até a cama e pegando meu celular. Elroy ignorou o que eu disse e voltou a navegar no celular. Revirei os olhos, joguei-me na cama e me aproximei bastante dele. Ele gemeu, virando-se para me lançar um olhar mortal. — Por que diabos você está tão perto de mim? — Só quero tirar uma selfie matinal. Leva só alguns segundos, tá bom? — falei, configurando a câmera. Meus braços roçaram os seus e, instantaneamente, senti o calor intenso entre nossos corpos. Ousando ir mais longe, me aproximei ainda mais até que meus seios roçassem sua lateral. Ele se virou lentamente, nossos rostos ficaram a centímetros de distância. Meus olhos fixaram-se em seus lábios e imediatamente voltaram para seus olhos raivosos. — Isso é necessário? Você está invadindo meu espaço pessoal. — A respiração dele roçou meu rosto. — É só para a selfie. — Afastei-me rindo, enquanto minha outra mão bagunçava os cabelos dele. — Que droga, pare de me tocar — reclamou ele, afastando minhas mãos à força. Eu ri baixinho. Elroy, com o cabelo despenteado e cara de bravo, estava realmente adorável. Tirei uma foto rápida. — Apague isso. — Peguei sem querer. Já apaguei — menti, fingindo tocar na tela do celular. — Podemos acabar logo com isso? — perguntou ele, irritado. — Hum... Seria bom se você tirasse a camisa — sugeri. — Chega disso. — disse ele, tentando se levantar. — Tá bom, tá bom, desculpa... A gente faz com você de camisa mesmo — falei apressadamente. Sorri para que parecesse que éramos um casal feliz e carinhoso e... clique. — Hum, é perfe... — Não consegui terminar a frase porque ele me empurrou com tanta força que quase caí da cama. — Sério? — perguntei, irritada. Ele se virou, passando as mãos pelos cabelos na tentativa de abaixá-los e então, sem dizer mais nada, saiu da cama, me ignorando como sempre. [...] Eu estava em um ensaio de biquíni da nova linha da Sparks. Eu não deveria ter feito esse ensaio, mas a Lexi, a modelo original, teve um imprevisto, então me chamaram para substituí-la. Isso também resultou em eu não ter comido nada, já que era um ensaio de biquíni. Eu estava exausta. Minha fome estava ficando insuportável, mas ainda conseguia sorrir para a câmera. — Ok, pessoal, vamos encerrar por aqui — o forte sotaque britânico de Lucas ecoou pela sala branca enquanto todos começavam a guardar os equipamentos. Soltei um suspiro de alívio ao voltar para o vestiário e pegar uma toalha quente. Fechei os olhos, apenas para abri-los novamente e ver Lucas através do espelho, parado do lado de fora da porta, observando-me. — Lucas, por que está parado aí? Entre. Lucas era o fotógrafo principal da Sparks. Nós dois tínhamos um flerte antes de eu ser apresentada ao Elroy e, embora fizesse muito tempo, eu sabia que ele ainda tinha sentimentos por mim. Ele era alto, loiro, bonito, com olhos cor de oceano e um sotaque britânico marcante. Às vezes, ainda me pergunto por que não correspondo aos sentimentos dele... Ele era tudo o que alguém poderia querer em um namorado. — Desculpe, não queria parecer um stalker. Eu ri baixinho. — Não, tudo bem... Pode me perseguir. Tenho certeza de que você não seria o último da lista dos meus admiradores — brinquei. Ele sorriu, exibindo suas covinhas. — Verdade... — disse ele, mordendo o lábio inferior, pensativo. — O que foi? Você está com aquela "cara de Lucas". — Como é a "cara de Lucas"? — Sabe aquela expressão de... "Quero falar sobre algo, mas não sei se devo". Ele deu uma risadinha adorável. — Vamos lá, eu não tenho essa cara... Mas você tem razão — admitiu. — Ouvi dizer que suas mães estão em Miami. — Sim... Eu vi as postagens delas. — Sei que às vezes elas podem ser duras com você, só queria saber se você está bem. — Lucas, agradeço muito a sua preocupação, mas eu estou bem. De verdade. — Está mesmo? — Eu... — suspirei, apoiando-me na penteadeira. — Sinceramente, não estou. Estou com medo de que me peçam para rescindir meu contrato com a Yvonne Deere. — Por que iriam querer isso? — Elroy — declarei. A compreensão surgiu em seu rosto. — Ele está te tratando mal? Pensei que vocês estivessem bem. — Sim, sim... Com certeza. É só que ele está fazendo birra porque eu trabalho para uma marca concorrente. — É só isso? — Ele simplesmente não gosta da ideia. — Então você vai se demitir? — perguntou Lucas. Apenas dei de ombros. Ele deu um passo à frente, segurando meus braços de forma reconfortante. — Escuta, Ari, você precisa parar de deixar que as pessoas digam o que você deve fazer. Você é a mulher mais forte, linda e corajosa que conheço. Não deixe ninguém te dizer o que fazer. Sua opinião importa. — Como? Todos acham que sabem o que é melhor para mim. E se eu tentar dizer alguma coisa, me ignoram antes de eu começar a falar. Essa é a minha vida, Lucas, não tenho controle sobre ela. — Então assuma o controle. É a sua vida, não a deles. Odeio te ver assim. Me machuca ver você agindo como se tudo estivesse bem quando não está. Lute pelo que você quer, porque é só isso que importa. Eu estava prestes a falar, mas fui interrompida pelo som dramático de alguém pigarreando. Olhei para cima e vi Elroy parado na entrada com as mãos nos bolsos. Lucas soltou meu braço com relutância. — Pense no que eu disse — disse ele, antes de se afastar em direção à saída, onde Elroy o encarava com uma sobrancelha arqueada. Lucas acenou brevemente com a cabeça para ele antes de sair. Elroy entrou lentamente na sala antes de falar: — Ora... Ora... Ora…






