Mundo de ficçãoIniciar sessãoELROY
— Não. — Respondi para meu assistente do outro lado da linha. — Escute, Carter, marque uma reunião com a Judy Devon para amanhã e cancele a que eu tinha com a Lea Ann. Remarque para a semana que vem ou algo assim, a Judy Devon tem algo diferente para oferecer, e eu adoraria ver. — Sim, Roy, farei isso imediatamente — disse ele. — Certo — respondi, encerrando a chamada. Bocejei ao abrir a porta do meu quarto e a fechei atrás de mim. Olhei em volta: nenhum sinal de Ariana Que estranho. Verifiquei meu relógio de pulso. 20h. Ela não me disse nada sobre sair, disse? Espera aí, por que estou me preocupando com o paradeiro dela? Tirei a gravata, desabotoei os dois primeiros botões da camisa e dobrei as mangas. Fui até o frigobar no canto do quarto, me servi de um copo de bourbon e verifiquei o celular em busca de mensagens. Nada. Deixei o aparelho sobre a mesa do bar e tomei um gole da bebida. — Ah, você voltou? Não ouvi você entrar. Ao ouvir a voz de Ariana, levantei o olhar imediatamente. No instante em que o fiz, o líquido em minha boca voltou para fora, dando a impressão de que eu estava babando. Meus olhos se arregalaram em choque, confusão e admiração. Ela vestia uma lingerie de uma das minhas últimas coleções, um modelo preto sem mangas. Deveria parecer uma camisola, mas era uma peça muito ousada. Deixava à mostra muita pele e suas pernas... meu Deus, que pernas! Que tipo de tentação é essa? Pisquei várias vezes, tentando afastar o torpor, deixei o copo de lado e limpei os lábios com o dorso da mão. — Que diabos você está vestindo? — consegui dizer. Com um ar inocente, ela olhou para si mesma. — Uma camisola? Por quê? — perguntou, vindo em minha direção. Eu não conseguia parar de olhar para a forma como seus seios e quadris acompanhavam seus movimentos, ela parecia estar em uma passarela. Pisquei novamente, tentando ao máximo não encarar o corpo dela. — Sinceramente, não acredito que você tinha essa peça na sua coleção recente. Por que não me contou? Eu adoraria fotografar com uma delas — disse ela, pegando um copo, servindo-se de bourbon e levando-o lentamente aos lábios enquanto me encarava. A ideia de o mundo inteiro vê-la com aquela lingerie me deu um nó no estômago. Por quê? Eu não fazia a mínima ideia. E quer saber de outra coisa? Tudo em que eu conseguia pensar agora era em arrancar aquela lingerie do corpo dela e... Jesus, de onde vêm esses pensamentos? — Ariana, isso não é uma camisola, é lingerie. O design foi feito apenas para parecer uma camisola — expliquei. — É? Não sabia, mas gostei mesmo assim. — Ela deu de ombros, bebendo lentamente enquanto inclinava o pescoço, oferecendo-me uma visão da sua clavícula. — Além disso, você tem que admitir: eu fico linda com estas roupas. Devia fazer um ensaio amanhã, já que estou livre. — Não. Você não vai. — Por que não? — Ela fez beicinho, atraindo minha atenção para seus lábios. Ok, isso está saindo do controle! Será que sou só eu ou ela está se aproximando demais? Tem algo errado. — Você está bem? — perguntei, para ter certeza. — Sim, por quê? — ela questionou, sorrindo. Ok, hora de bater em retirada. Recuei um pouco. — O que você está fazendo, Ariana? — O que você quer dizer? — perguntou ela, fingindo confusão. — Você... você está tentando me seduzir? Ela franziu a testa. — Sério? Então agora não posso mais usar lingerie? Eu visto uma peça e você presume que estou tentando te seduzir? — Você está agindo de forma estranha — observei. — Não estou, você é quem está. — Vou embora. Quando terminar com essa besteira, me avisa. — Fui até a porta e, acredite, precisei de muita força de vontade, pois sentia uma tensão nítida na virilha. Parei e me virei para ver sua expressão de espanto. — E, por favor, vista algo menos revelador. Saí e fechei a porta imediatamente. Coloquei a mão no peito para acalmar as batidas do meu coração. Respire, Roy, respire. Fui rapidamente para o meu escritório. Minutos depois, quando Ariana entrou, ela usava calças de moletom e uma regata, com o cabelo preso em um coque desarrumado e seus óculos de leitura. Em resumo, ela estava fofa. Espera, o quê? — Você pode voltar agora — disse ela, encostando-se no batente. Como não respondi, ela continuou: — Olha, simplesmente adorei aquela lingerie, tá bem? Não sabia que te afetava tanto. Você não faz ideia... — O quê? Você acha que isso me afetou? Eu fiquei irritado. Sua tentativa de me seduzir não vai funcionar — menti, pois pareceu a coisa certa a fazer no momento. — Eu não estava tentando te seduzir! Eu me levantei. Assim que o fiz, notei que ela prendeu a respiração bruscamente, com um lampejo de medo nos olhos. Ignorei e parei na sua frente. — Então me diga... O que você estava tentando fazer? Ela suspirou. — Tudo bem, eu estava tentando te seduzir, mas obviamente foi um fracasso total e me deixou constrangida. Eu deveria ter imaginado. Na verdade, já estava mais do que claro que não sou sexy o suficiente para você. Dei um passo na direção daquela tentadora maligna. Levantei a mão para afastar uma mecha de cabelo de seu rosto. Ela se encolheu, como se pensasse que eu ia bater nela. Por que ela pensaria isso? — Você... — comecei, colocando a mecha atrás da orelha dela — é sexy. É uma modelo, faz parte do seu trabalho. Mas ver você tentando me seduzir desse jeito? Foi meio... — fiz uma pausa — patético. Eu estava irritado demais para ficar excitado. Grande mentira. Por vontade própria, minha mão acariciou sua face macia. — Se isso foi uma tentativa de me dissuadir de contar à sua mãe sobre seu contrato com a Yvonne Industry, sinto dizer que não funcionou. Você me conhece o suficiente para saber que, quando decido algo, não volto atrás. Sou um homem de palavra. Dito isso, saí do escritório. Ficar tão perto dela só aumentava o estrago. Maldita seja aquela tentadora!






