6 - Eu não a amo

ELROY

Meus olhos percorreram os esboços à minha frente, folheando página por página com indiferença. Depois, fechei o caderno e encarei Judy Devon, a dona da marca Devon.

— Hum... Parecem bons — comentei, empurrando o caderno na direção dela. A mulher de meia-idade deu um pequeno sorriso. — Mas não atendem aos padrões da minha empresa.

O sorriso dela desapareceu imediatamente.

— O quê? — perguntou ela.

— Mas podemos nos virar com alguns. Se você me permitir mostrar seus projetos aos meus melhores designers, eles saberão o que está errado... Seus projetos são bons, mas não são bons o suficiente — declarei, ignorando sua pergunta.

— Hum... Adoraria, Sr. Chesterfield. Seria uma honra trabalhar com o senhor e com os outros setores neste projeto.

Respondi apenas com um aceno de cabeça. Judy se levantou e eu fiz o mesmo. Ela estendeu a mão para um aperto.

— Ah, não precisamos selar o acordo com um aperto de mãos, Judy — informei.

Envergonhada, ela deixou a mão cair junto ao corpo.

— É um prazer finalmente conhecê-lo, Sr. Chesterfield. A Sparks foi e continua sendo a empresa que me inspirou a criar designs.

Argh! Por que ela simplesmente não vai embora?!

— Fico feliz em ouvir isso.

A mulher sorriu e finalmente saiu do meu escritório. Logo depois, meu assistente, Carter, entrou.

— Como está indo o ensaio de biquíni? — perguntei, levantando a cabeça para encará-lo.

— Eles ainda estão trabalhando nisso. Mas a Lexi não pôde ser a modelo.

— O quê? O que aconteceu com ela? — perguntei, franzindo a testa.

— Crise familiar.

— Crise familiar? O que isso tem a ver com a gente? Ela não deveria ter feito o teste para a sessão de fotos se não fosse capaz de cumpri-la. Algumas pessoas são simplesmente incompetentes... — Carter ainda estava parado, me encarando — Mais alguma coisa?

— Hum... Na verdade, sim... Seu irmão está lá fora, ele quer vê-lo.

— Eu me lembro de ter pedido para você cancelar qualquer visita que não fosse relacionada ao trabalho. Diga a ele para ir embora, estou ocupado.

— Hum... Ele está um tanto... relutante.

Suspirei, sabendo o quão teimoso Damien podia ser. Eu já sabia que era ele. Afinal, quem mais teria tempo de perturbar o irmão em dia útil?

— Mande-o entrar — murmurei com raiva.

Carter saiu apressadamente e, em pouco tempo, Damien entrou.

— Elroy, eu estava começando a pensar em invadir. — Damien sorriu, acomodando-se na cadeira à minha frente.

— O que você quer? — perguntei, sem demonstrar emoção.

— Vi a publicação da Ari no I*******m esta manhã.

Apertei os olhos, com incredulidade.

— Então você veio da sua empresa, só para me dizer que aprendeu a usar o I*******m? — perguntei.

Damien zombou.

— Não. Vim para discutir algo com você.

— Deixe-me adivinhar: é sobre a Ariana.

— Sim. Olha, eu sei que vocês dois estão juntos e que têm um relacionamento promissor, pelo menos é o que o público pensa.

— Ah, você acha que não somos felizes? — provoquei.

— Eu te conheço, Elroy. Escuta aqui: você pode enganar a vovó, mas não pode me enganar.

— É mesmo?

— Sim. Ari merece algo melhor do que isso que você está dando a ela.

Ergui as sobrancelhas, percebendo algo.

— Ah, entendi o que está acontecendo aqui. Ela te contou, não foi? Sobre a Yvonne Deere.

— Sim, Elroy. E você, mais do que ninguém, deveria saber o quanto a Ari respeita e teme a mãe dela, e agora está planejando arruinar o brunch tocando nesse assunto.

— Isso não é da sua conta. Como eu trato a Ariana também não é problema seu. Ela é minha namorada, deixe que eu me preocupe com ela.

— Você não está fazendo isso... Você não está se preocupando com ela. Pelo contrário, está criando mais preocupações — rebateu ele.

— O que isso tem a ver com você?

— Ela não merece isso. Ela gosta muito de você e você só a magoa repetidamente.

Apenas dei de ombros.

— Eu não a amo... Ela é como uma dor de cabeça...

— Então por que não termina logo?

— Você pergunta como se não soubesse. A vovó adora a Ariana. Não posso terminar com ela.

— Tem certeza de que essa é a única razão?

— Claro, o que mais seria?

Damien apenas sorriu.

— Escuta, Elroy, não quero que você faça nada para estragar esse brunch. É um raro momento que vamos estar juntos como família... Nós três estamos agindo como velhos, nem chegamos aos vinte e cinco anos ainda e olha só para a gente!

— Não foi nossa escolha, foi? Fomos condenados a essa vida quando fizemos quatorze anos... Mamãe e papai decidiram que era uma boa hora para nos abandonar com os negócios deles.

— Então você está culpando a mamãe e o papai? Eles não escolheram morrer.

— Bem, eu não dou a mínima! — gritei. — Podemos parar de falar sobre isso agora? Está me irritando.

Damien suspirou.

— Olha, Elroy, tudo o que peço é a sua cooperação no brunch. Por favor.

— Está bem, não vou falar disso.

Damien deu um suspiro de alívio.

— Obrigado.

Duas horas depois que Damien saiu, tudo o que eu conseguia fazer era pensar em Ariana.

Eu não a estava tratando mal, estava? Tudo o que eu quero é ajudá-la. A indústria de Yvonne Deere não seria capaz de fazer nada por ela. E, para piorar, eles estavam competindo comigo. O que pensaria o público? Pensariam que minha marca não era boa o suficiente para ela.

Ariana era linda, sem dúvida. Antes da minha avó nos apresentar, eu já a conhecia por fotos online, outdoors e revistas. Mas nós dois começamos com o pé esquerdo, e isso ainda nos afeta. O único motivo pelo qual aceitei namorá-la foi pela minha avó. Embora nossa colaboração também tenha me ajudado com os negócios.

— Elroy — Carter entrou no escritório. — A sessão de fotos de biquíni acabou.

— Droga. Que horas são?

— Cinco e dezesseis — informou ele.

— Ok... Espera aí, a Lexi não estava disponível para a sessão, certo?

— Sim.

— Quem serviu de modelo?

— Ariana.

— O quê?! — Minha voz se elevou.

— Ela era a única disponível. E ela foi perfeita.

— Claro que foi... É a Ariana — murmurei. — Vou lá ver como ela está.

— Certo. Precisa de mais alguma coisa? Tenho um encontro.

— Não... Pode ir.

— Tá bom. — Ele sorriu, caminhando até a porta antes de parar. — Seja cuidadoso com a Ariana — acrescentou, antes de sair apressado.

Qual é o problema dessas pessoas com a Ariana?

Segui na direção do vestiário, me perguntando por que diabos eu estava indo para lá. Ao chegar, parei abruptamente ao ver Lucas, meu fotógrafo, com ela.

Meu maxilar se contraiu.

Ela é mesmo tão estúpida? Ela devia ter fechado a porta. Qualquer um podia vê-la lá dentro com ele e tirar uma foto! Eu sabia que ela e Lucas tiveram um caso antes de começarmos a namorar, mas não imaginava que ela ainda estaria saindo com ele.

Limpei a garganta e os dois olharam na minha direção e, imediatamente, a mão de Lucas soltou o braço dela.

Ele sussurrou algo para ela e acenou com a cabeça antes de ir embora. Meus olhos voltaram a se concentrar em Ariana.

— Ora... Ora... Ora...

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