Mundo de ficçãoIniciar sessãoARIANA
Muitas mãos estavam ocupadas trabalhando no meu corpo para garantir que eu tivesse a aparência desejada para a primeira parte da sessão de fotos. Eu ainda tinha mais quatro looks para experimentar. Havia um cabeleireiro cuidando do meu cabelo, dando os retoques finais nos fios lisos. Um maquiador desviando do cabeleireiro para chegar ao meu rosto, um estilista tentava garantir que os botões na gola da camisa que eu usava estivessem no ângulo correto e o ajustador de calçados apertava as fivelas dos novos saltos que eu deveria usar... — Ariana, você entra em cinco minutos. — Um rosto e uma voz familiares surgiram no meu camarim. — Obrigada, já vou indo — eu disse, sentindo o cansaço me dominar. Eu estava prestes a fazer isso de novo, a exibir um sorriso falso para a câmera. Não que eu me importasse, eu tinha chegado longe demais para me importar ou mesmo reclamar, e não havia ninguém para quem eu pudesse reclamar. Eu estava acostumada com essa vida, acostumada a fingir que era feliz diante da câmera, acostumada a me sentir bem em estar sempre bonita e a comer coisas que ajudavam a manter a minha forma física. Minha mãe dizia que valia a pena, porque era o único jeito de manter a fama e o dinheiro. Desde os meus dezesseis anos, o sonho dela era me transformar em uma grande estrela. Por outro lado, não gosto completamente da atenção que recebo por causa da fama, das fotos, das festas, do estilo de vida, era tudo um vício do qual eu certamente não posso desistir. Honestamente, se alguém olhasse com atenção suficiente, veria que minha vida era uma bagunça complicada. Como que para me lembrar do lado amargo da situação, meu celular começou a vibrar novamente. O nome de Elroy piscava na tela. Eu já havia perdido a conta de quantas vezes ele tinha ligado, e sabia que ele provavelmente não entenderia o recado de que eu não atenderia até terminar o trabalho. Suspirando, ignorei pela centésima vez. — Ele provavelmente está com muita saudade de você — disse a maquiadora. — Sim — respondi com um sorriso ensaiado. Na verdade ele só está me perturbando de propósito. Ele faz isso. — É bonitinho. — Disse o estilista. — Ele é o melhor — respondi com o mesmo sorriso, observando o telefone tocar até a ligação cair. Ele ficaria furioso. Foi em momentos como esses que me lembrei da primeira vez que realmente conversamos. Foi um encontro às cegas organizado pela avó do Elroy, por acaso, ela era uma amiga próxima da minha mãe e ambas acharam que seria uma boa ideia nos apresentar. Não deu certo porque acabei derramando o resto do meu vinho nele. Nos odiávamos e ainda nos odiamos. Foi o que outros chamariam de... ódio à primeira vista. E isso foi há três anos. Então, três anos depois, Elroy e eu ainda éramos o casal mais atraente a já ter pisado no mundo da moda e das celebridades. Minha carreira atingiu o auge depois do anúncio do nosso relacionamento, recebi uma enxurrada de contratos publicitários, ganhei novos seguidores e compramos juntos uma casa enorme em Fisher Island, Miami. A repercussão que tivemos na mídia sobre o nosso relacionamento foi muito maior do que esperávamos. Quando as fotos do nosso ensaio foram divulgadas semanas depois, viralizamos novamente, porque isso só confirmou os boatos sobre o nosso relacionamento. Depois disso, tudo ficou meio confuso. Íamos juntos a sessões de fotos, entrevistas e todo tipo de evento, e quando finalmente fomos morar juntos, a mídia começou a contar os dias até Elroy Chesterfield tirar um anel do bolso. Houve uma época em que pensei que realmente poderíamos fazer isso acontecer, pensei que eu realmente poderia gostar dele e que poderíamos construir algo a partir desse nada em que nos encontrávamos. Eu estava disposta a tentar, mas Elroy? Ele não quer saber. Discutíamos quase o tempo todo, e ele sempre começava a briga. Metade do tempo em que estávamos juntos longe dos olhares do público, ele estava ou arrumando briga comigo ou me ignorando completamente. Uma das coisas que eu mais detestava nele era o ego. Ele era rico, grosseiro e tinha como hobby ignorar as pessoas. Eu poderia dizer o mesmo de todos os irmãos Chesterfield. Exceto Damien. Ele ainda era amigo de todos e tentava restabelecer o vínculo entre os trigêmeos. A mídia os chamava de "os três pacotes diabólicos". Elroy, Cade e Damien. Trigêmeos que não se pareciam em nada. Eu diria que a única semelhança entre eles era o cabelo castanho-café e o tom de pele que parecia seduzir qualquer câmera à vista. Para quem os conhecia pessoalmente, eram completamente opostos e mal se comunicavam entre si. A meia-irmã deles, Rhea, não era melhor. Era bom tê-la por perto, e tínhamos uma espécie de amizade, mas raramente nos víamos. Damien tentava reunir a família de tempos em tempos, provavelmente pelo bem da avó que era a única responsável por eles desde que perderam os pais quando tinham apenas 14 anos. Os pais deles administravam cinco empresas de sucesso, cuja sede principal ficava em Miami, onde todos residiam atualmente. Elroy dirigia a Sparks, que estava entre as três principais marcas de designers da indústria da moda. Damien era responsável pela Gold, uma marca de joias. Cade administrava a Di-glamorous e a Emerald Arts, empresas de calçados e arte, enquanto Rhea gerenciava a Halo, a marca de beleza. Todas as cinco empresas estavam entre as dez maiores indústrias de moda do mundo. Os quatro eram perseguidos pela mídia como qualquer outra celebridade. Eles eram uma inspiração para si mesmos e para o mundo. As quatro beldades de Chesterfield frequentavam eventos, participavam de ações beneficentes internacionais e até organizavam muitos desses eventos. Eu as conheci pessoalmente e não demorei muito para desvendar a personalidade de cada um. No caso de Elroy, ele tinha problemas de raiva e nunca levava as coisas na brincadeira. Era impulsivo com as palavras e, na maioria das vezes, acabava dizendo algo que poderia destruir seus sonhos ou fazer você querer matá-lo enquanto dormia. Ele se irritava com a menor coisa que o incomodasse e sentia prazer em ignorar as pessoas. Se você tivesse um problema ou simplesmente precisasse desabafar com alguém, sabe, ter uma conversa franca e sincera, Elroy provavelmente não seria a pessoa certa. O que eu realmente admiro neles, porém, é o amor que tinham pela avó. — Ariana, é a sua vez. Levantei com cuidado. Meus olhos percorreram meu corpo no espelho. A linda saia que eu usava sobre o top cropped de mangas compridas com botões de cristal era um dos novos modelos da Yvonne Derees. Eu sabia que Elroy estava ciente da minha sessão de fotos, daí a discussão acalorada que tivemos na noite anterior e suas ligações telefônicas insistentes. Sabendo que ainda tinha mais quatro looks para finalizar, me apressei para o set de filmagem. [...] Estacionei meu carro entre os carros de Elroy. Bocejei, saí do carro e deixei a garagem. Meus pés doíam, lembrando-me dos calos que eu tinha depois das sessões de fotos. Ao entrar na casa, cumprimentei alguns funcionários enquanto me dirigia ao nosso quarto, rezando para que ele ainda não tivesse voltado. Desde que convencemos Melissa de que estávamos totalmente bem um com o outro e apaixonados, fomos morar juntos para deixar nossa posição bem clara. Depois que ela ficou doente por causa de uma briga que eu e Elroy tivemos, os outros irmãos nos repreenderam, dizendo para nos recompormos. Empurrei a porta do nosso quarto, entrei e encontrei Elroy parado na varanda com uma taça de vinho na mão. Ele pareceu não notar minha entrada. Fechei a porta delicadamente, tirei meu casaco e desabotoei meus sapatos, colocando meus pés descalços no chão. Ah, isso é muito bom. Eu estava ansiosa para me livrar daquele vestido, então decidi encerrar logo a discussão tão esperada. Caminhei silenciosamente até a varanda, sentindo a brisa fria tocar minha pele. "Por que está sempre tão frio aqui fora?", pensei. Elroy vestia uma camisa branca com as mangas arregaçadas até o cotelo. Sem pensar muito nas consequências, envolvi-o com meus braços por trás, sentindo seu calor me envolver. Seu corpo enrijeceu imediatamente, ele se virou e me empurrou para longe. Quase perdi o equilíbrio, mas me agarrei a uma cadeira atrás de mim para não cair. Seus olhos estavam cheios daquilo que eu conhecia tão bem como irritação. — Que diabos você pensa que está fazendo?






