Mundo de ficçãoIniciar sessãoELROY
Hoje não foi um bom dia. Eu estava furioso, mais do que as palavras podem descrever. Nunca fui ignorado a ponto de quebrar meu celular. Meu assistente me comprou um novo logo depois de eu destruir o que tinha trocado na semana passada. Que direito Ariana Handerson tinha de ignorar meus telefonemas? Que direito ela tinha de me desobedecer? Apesar dos meus avisos, ela aceitou o contrato que a empresa de Yvonne Deere lhe ofereceu. Ela sabia o quanto eu detestava desobediência, mas tudo o que ela gostava de fazer era tornar minha vida miserável. Era quase como se Deus a tivesse colocado no meu caminho para arruinar minha vida e roubar minha sanidade. Aquela mulher estava me enlouquecendo! Na última vez que fiquei tão bravo com ela, nossa avó foi parar no hospital. Eu e Ariana brigamos e jogamos coisas um no outro. Acho que alguém ligou para a vovó para separar a briga, mas ela entrou no meio, se machucou e eu quase fui devorado pelos meus irmãos. A única razão pela qual eu tolerava Ariana era por causa da minha avó, caso contrário, eu já a teria mandado embora há muito tempo. Dei outro gole no meu vinho, admirando a vista de Miami. Isso sempre me acalmava. Meu celular vibrou no bolso. Ainda admirando a paisagem, minha mão deslizou para pegá-lo. O nome de Damien apareceu na tela. O que ele quer agora? — O quê? — perguntei. — Isso já está ficando chato, Elroy. Você precisa começar a atender o telefone com palavras mais acolhedoras, como "Olá", "Oi"... até mesmo seu nome já bastaria — disse Damien. — Certo. Vejo que você não tem nada importante a dizer. Tchau — falei, apertando o botão para encerrar. Imediatamente, meu telefone vibrou de novo. Ainda era Damien. — O quê?! — perguntei, mais incisivo dessa vez. Ouvi-o suspirar do outro lado da linha, o que só me fez sorrir. — Eu só queria saber como você está, ver se está tudo bem... Já que você e o Cade decidiram se afastar da família, eu precisava ter certeza de que vocês dois estavam bem. — Estou bem — respondi simplesmente. — Posso encerrar a ligação agora? — Estou organizando um brunch na semana que vem, quero que você e a Ariana estejam lá. — Hum... desculpe, não entendi a última parte — menti. — Vamos lá, Roy, sei que você me ouviu, você só está fingindo — disse Damien, com a voz cansada. — Olha, acho que não estaremos disponíveis. Ligue para o Cade, talvez ele queira ir. — Ele virá. Rhea concordou em voltar de Las Vegas só para comparecer. Por que você está sendo tão teimoso? — Estarei ocupado. Não estou tentando ser teimoso nem nada. — Estamos todos ocupados, idiota. A vovó está vindo, as mães da Ari também. Vamos lá. Eu gemi. — Tudo bem. Vou falar com a Ariana sobre isso. E vou verificar minha agenda. Tchau. — Eu te ligo... Encerrei a chamada sem esperar que ele terminasse a frase. Dei outro gole no meu vinho de morango, enfiei meu novo celular no bolso, determinado a não atender mais nenhuma ligação hoje. Não me interpretem mal, eu amava minha família, mas às vezes eles podiam ser irritantes e intrometidos. Por que Damien convidaria as mães da Ariana? Eu nunca gostei daquelas mulheres. Elas eram muito insistentes e estranhas, sempre tentando me tocar em qualquer oportunidade. Ariana tinha duas mães. Catherine era sua mãe biológica, mas quando o pai as abandonou, ela resolveu se afastar de qualquer pessoa do sexo masculino e se casou com Sandra. Ariana também não se sentia à vontade com elas, tenho quase certeza de que ela iria surtar quando descobrisse sobre o brunch. Imediatamente fiquei imóvel, meus pensamentos se apagaram quando senti uma mão fria me abraçar por trás. O aroma sedutor de rosas e algo relaxante preencheu minhas narinas. Ariana! Virei imediatamente e a empurrei bruscamente para longe de mim. Ela tropeçou, segurando uma cadeira atrás de si para não cair. — Que diabos você pensa que está fazendo? Seus olhos cor de avelã se arregalaram em choque. Ela deveria saber que eu e contato físico não nos damos bem. Desde criança eu evitava isso, nunca permitia que ninguém me tocasse sem permissão. Eu simplesmente não gostava. Sem querer, meus olhos percorreram seu corpo. Ela usava um vestido vermelho curto que deixava suas pernas longas à mostra. Estava descalça. Franzi a testa ao ver as marcas vermelhas em seus pés, mas não disse nada. Ela suspirou. — Eu só estava tentando ser uma boa namorada. Estou tentando me esforçar mais neste relacionamento, já que você nem se dá ao trabalho de tentar. Ignore essa declaração, Elroy. — Por que você não atendeu as minhas ligações hoje? — perguntei. Como ela não respondeu, cerrei os dentes de raiva. — Acho que estou falando com você. — Eu sei. — Ela deu de ombros. — Só prefiro não responder. Já que para você não tem problema nenhum em me ignorar, por que eu não posso fazer o mesmo? — Escuta, Ariana, não estou com paciência para joguinhos. Responda à pørra da pergunta. Por que você não atendeu o telefone? — Porque eu não queria. Estava trabalhando. — Trabalhando? Para a mesma empresa que vem tentando chegar ao topo aos trancos e barrancos? Para a mesma marca para a qual pedi especificamente para você não trabalhar? — Você não tem o direito de me dizer para quem posso ou não trabalhar! Eu sou modelo, vi um contrato muito bom e aceitei. É o meu trabalho, caramba! — E eu sou seu namorado, você deveria me ouvir! — Você tem a audácia de se chamar de namorado? Sério? Que hipocrisia... — ela murmurou. — O que isso quer dizer? — perguntei, enfiando as mãos nos bolsos, um gesto que eu sempre fazia quando tentava conter a raiva. — Cancele o contrato — eu ordenei. Ela parecia atônita. — Não vou fazer isso, Elroy. — Sim, você vai. Se não for por vontade própria, eu vou te obrigar. — Ah, vai? O que você vai fazer? Cancelar meu contrato com a Sparks? — A Sparks é muito melhor do que qualquer outra marca por aí, ok? Não vou tolerar que você fale mal da minha empresa. — Eu disse alguma coisa errada sobre a Sparks? Vamos lá, Elroy, se você está procurando alguém para descontar sua raiva hoje, eu não sou a pessoa certa. Estou cansada e com sono. Boa noite — disse ela. — Você quer fazer assim? Ótimo... Vou apresentar esse assunto urgente para as suas mães na semana que vem, no brunch que o Damien organizou. Parece que não vou conseguir convencê-la a desistir, mas sei quem vai. Os olhos dela se arregalaram enquanto uma mistura de raiva e medo os invadia. — O Damien organizou um brunch? — Sim. — Elas estão vindo? — Humhum — respondi com um murmúrio. Ela parecia sem palavras. — Ficou muda? — Isso é baixo, até para você — disse ela. — Só porque você não consegue me fazer desistir, não significa que pode envolver minhas mães nisso tudo. — Ah, não posso? Talvez esse brunch não tenha sido uma má ideia, afinal. — Dei um sorriso irônico, pegando minha taça de vinho. — Boa noite, querida — disse antes de sair da varanda. Eu faria qualquer coisa para que ela cancelasse o contrato com Yvonne Deere. Afinal, eu só estava lhe fazendo um favor. Ela finalmente pararia de usar aqueles saltos horríveis e de ficar com hematomas nos pés. Não que eu me importe. Além disso, vou derrubar a marca de Yvonne Deere da lista das principais indústrias. Uma vitória para mim.






