Eu volto devagar.
Não é um voltar bonito, não é acordar leve, não é aquele despertar de filme. É como se eu tivesse atravessando um túnel escuro demais, com o corpo pesado, a cabeça zunindo e um gosto amargo na boca que parece ferrugem misturada com remédios.
Primeira coisa que eu sinto é dor.
Não uma dor só. São várias em vários lugares.
A minha perna lateja como se alguém tivesse enfiado um ferro quente lá dentro e esquecido. O peito aperta. A cabeça dói por dentro, como se estivesse inchada.