Acordo com o estômago roncando alto, tipo reclamando mesmo, antes mesmo de abrir o olho. O sol já tá batendo forte na janela quebrada, aquele calor do morro que entra sem pedir licença, mermão. Eu viro na cama estreita, sinto o colchão afundado no meio, e já sei: hoje vai ser pesado. Mais um dia daqueles que a fome aperta pra valer.
Levanto quietinha pra não acordar a mãe. Ela rala pra caralho, chegou ontem de noite morta depois de faxinar três casas na zona sul.
Minha mãe aparece na porta da c