A luz pálida da manhã começava a filtrar-se pelas persianas da suíte hospitalar. Dmitri já estava de pé, impecável em seu terno cinza-chumbo, ajustando as abotoaduras com a precisão de um soldado. Ele acabara de desligar o telefone com Louise, garantindo o café da manhã, fez questão de pedir itens especiais para Lizzy. Pela recuperação é claro.
Antes de cruzar a porta, seus olhos se voltaram para a cama da menina. Ele parou abruptamente. Ela se parecia muito com a mãe. Lizzy dormia profundamente, o rosto sereno contrastando com os fios de cabelo espalhados no travesseiro. Na pequena mão dela estava o seu Relógio da Sorte. Parecia enorme contra o punho infantil, ela o abraçava contra o peito como se fosse um tesouro sagrado.
- Você imaginou isso um dia pai?
Um lampejo de orgulho genuíno atravessou o peito de Dmitri. Aquele relógio, que carregava o peso de sua linhagem, agora estava sob a guarda de uma menina que mal chegava à sua cintura. Ele não sorriu abertamente, mas o brilho