CAPÍTULO 3
Uma frase do sistema quase me fez chorar.

Passei a mão de um jeito desajeitado pelo canto dos olhos e enxuguei a umidade.

Christian veio até o meu lado e ia falar alguma coisa, quando Sara gritou e se jogou para cima dele:

— Christian, como você se machucou tanto? Você...

Ela nem terminou.

Eu avancei e interrompi com um tapa.

Sara levou a mão ao rosto inchado e vermelho, me olhando sem acreditar.

Quase ao mesmo tempo, uma bofetada me derrubou no chão.

Felipe apontou para mim, com o rosto tomado de raiva:

— Heloísa! A gente estragou você de tanto mimar! Pede desculpas para a Sara!

Eu fiquei no chão, toda desajeitada, e cuspi um fio de sangue da boca:

— Eu pedir desculpas? Eu errei no quê? Eu virei uma divorciada descartada, e ainda não posso bater na amante?

Felipe ficou ainda mais furioso, e a voz dele subiu de repente:

— Que besteira é essa que você está falando? A Sara e o Enzo sempre foram um casal, é você que insiste em se enfiar no meio!

— Como é que eu fui ter uma irmã sem vergonha como você?!

Eu soltei uma risada:

— Sem vergonha? O Enzo era meu noivo, e agora eu é que estou me enfiando no meio!

Enzo me encarou com frieza:

— Nosso noivado já foi desfeito! A família Xavier jamais vai querer uma mulher de má fama como você!

Ivan me puxou do chão:

— Heloísa! Pede desculpas!

Eu não disse nada.

Meu olhar passou por aqueles homens diante de mim.

Felipe estava frio.

Ivan, cheio de nojo.

Enzo parecia querer que eu morresse.

Christian franziu as sobrancelhas, mexeu os lábios, e no fim não disse nada.

Do mesmo jeito que tinha sido um ano atrás.

Sara, que vivia aparecendo ao lado do Christian, foi tratada pelos fãs como uma fã obsessiva.

Christian não aguentou e expôs nas redes sociais que Sara era a herdeira da família Saraiva.

E eu, a herdeira de verdade, tive que assumir a culpa por ela.

— Você sai com seguranças do seu lado, a Sara está sozinha!

Eu fiquei em choque, resisti, chorei, fiz barulho.

Naquela época, o olhar deles para mim era igual ao de hoje.

Eu só sentia um cansaço que eu nem sabia explicar, e eu já não tinha força nem para discutir.

Eu arranquei meu braço da mão do Ivan, corri para a sala e peguei a faca de fruta em cima da mesa.

Christian tentou vir correndo, em pânico, mas Sara abraçou o braço dele:

— Helô, o que você vai fazer?!

Eu olhei para Sara e abri um sorriso:

— Pedir desculpas.

Eu nem olhei para Felipe, Ivan e Enzo, que estavam em alerta.

Eu levantei a mão e enfiei a faca no peito, sem hesitar.

Os gritos vieram de todos os lados.

Eu ri, e eu chorei:

— Eu pago com a minha vida por ela, isso basta?

— Vocês estão satisfeitos?

O sangue quente e viscoso jorrou sem parar, e a tontura da perda de sangue fez minhas pernas falharem.

Em meio à visão escurecida, vi o terror no rosto daqueles homens.

Christian se jogou para me abraçar e berrou como um louco:

— Chama a ambulância!

No cheiro forte de desinfetante, eu abri os olhos.

O branco por todo lado me deixou animada.

Eu consegui voltar?

Eu virei o rosto e encontrei os olhos de Felipe, cheios de veias vermelhas.

Eu fechei os olhos, irritada.

A voz rouca dele, pela primeira vez, me soou insuportável:

— Heloísa! Quem te ensinou a fazer isso, a ficar se matando para chamar atenção?!

Eu fiquei ainda mais irritada.

Tinha alguma coisa dura incomodando embaixo da minha cabeça.

Eu estendi a mão e puxei.

Era um amuleto de proteção, já meio gasto.

Quando eu tinha doze anos, eu fiquei uma semana inteira com febre alta sem baixar, e o hospital emitiu três avisos de estado crítico.

Ivan subiu mil degraus, se prostrando a cada passo, para pedir esse amuleto de proteção para mim.

Depois, quando a Sara se machucou, Ivan pegou o amuleto e deu para ela.

Agora, ele tinha voltado para a minha mão.

Eu só achei que atrapalhava e joguei para longe.

Ivan entrou no quarto bem na hora e viu o amuleto de proteção cair no chão.

Ele levantou a cabeça e me encarou, com os olhos cravados no meu rosto:

— Heloísa, você jogou fora esse amuleto de proteção assim?
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