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Eu Só Queria Morrer, E Aí Todo Mundo Resolveu Me Amar

Eu Só Queria Morrer, E Aí Todo Mundo Resolveu Me AmarPT

História Curta · Contos Curtos
Aurora Dourada  concluído
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Resumo
Índice

De manhã, eu tinha acabado de registrar o casamento com Enzo Xavier, o herdeiro da elite da Capital. À tarde, ele já me levou para me divorciar. Eu segurava os dois documentos, a certidão de casamento e os papéis do divórcio, e fiquei travada no lugar. Ao meu redor, os amigos dele riam sem freio. — Enzo, por causa de uma frase da Sara, você mesmo levou a Heloísa para casar e divorciar? — Olhem só. A herdeira ficou até pálida. Vai chorar, é? Enzo, porém, puxou Sara Lopes para perto, a minha irmã adotiva, e falou com doçura: — Agora que os dois papéis estão comigo, você vai sorrir para mim, não vai? Sara não aguentou e riu. No rosto frio dela, um sorriso se abriu. Eu quis ir até eles para cobrar explicações, mas meus três irmãos me seguraram com força. Meu irmão mais velho, Felipe Saraiva, o CEO, franziu a testa: — A Sara só sorri com o Enzo. Tenha um pouco de decência. Meu segundo irmão, Christian Saraiva, o ator premiado, me empurrou e eu caí no chão: — A vida dela foi dura. Você tem condição. Não precisa desse homem. Meu terceiro irmão, Ivan Saraiva, professor de biologia, fechou a cara: — O Enzo já devia ter se casado com ela faz tempo. Pare de perseguir eles. Eles me enfiaram à força no carro e não deixaram que eu atrapalhasse a felicidade do amor ideal deles. O sistema, desaparecido havia muito tempo, finalmente apareceu: "Hospedeira, detectei que a missão de conquista foi concluída! Deseja voltar ao mundo real agora mesmo?" Eu me sentei no banco de trás, com um ar melancólico, e olhei para fora da janela. Quase ri em voz alta. Esse drama de vítima, encenado por causa da missão, acabou. As brigas de amor e ódio deles, eu não vou mais acompanhar!

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Capítulo 1

CAPÍTULO 1

"Detectei que o índice de conquista dos irmãos Saraiva e do protagonista chegou a 95%! A missão de se casar com o protagonista Enzo Xavier foi concluída! Parabéns, hospedeira, você concluiu a missão!"

"Quando o corpo da hospedeira morrer, você poderá voltar ao mundo real e receber 100 milhões de reais! Câncer ósseo curado!"

Eu segurei a euforia dentro de mim.

Finalmente eu podia voltar!

Felipe e Ivan ficaram com a Sara e mandaram o Christian me levar de volta para casa à força.

Eu olhei por instinto para o Christian.

Desde que ele tinha entrado no carro, ele estava com a cara fechada, de má vontade.

Só quando Sara mandou uma mensagem, ele enfim sorriu.

Percebendo meu olhar, ele apagou a tela do celular na hora e franziu a testa:

— O quê? Ainda não desistiu? Ainda quer voltar para estragar o Enzo e a Sara?

— A Sara é nova e passou por tanta coisa, por que você não consegue deixar ela em paz?

Eu apertei os dedos com força e soltei um sorriso de autoironia.

Em termos de idade, eu sou um ano mais nova que Sara.

Talvez por ver minha expressão tão ruim, Christian suspirou de repente:

— Dessa vez, você vai pedir desculpas a Sara. Não faça birra.

Ele estendeu a mão, querendo tocar minha cabeça.

Eu me desviei de leve e perguntei:

— Por que eu tenho que pedir desculpas? Eu errei no quê?

A mão dele parou.

Impaciente, ele retrucou:

— Heloísa! Não seja ingrata!

Eu fechei os olhos por um instante.

Mesmo que fosse por causa da missão, nesses anos também tinha existido algum sentimento.

Eu também tinha ficado triste de verdade por causa da atitude deles.

Mas agora, tudo tinha passado.

— Quando a competição da Sara acabar desta vez, você vai com a gente pedir desculpas para ela.

Eu não disse mais nada, só confirmei com o sistema, no meu íntimo: "Basta este corpo morrer para eu voltar, não é?"

"Sim."

Eu soltei o ar devagar e observei ao redor pela janela.

Depois de me certificar de que não ia atingir ninguém, eu destravei e puxei a porta do carro com força.

Christian, que ainda falava sem parar, gritou assustado:

— O que você está fazendo!

Eu não liguei e me joguei para fora sem hesitar.

Um vento gelado uivou no meu rosto, e veio aquela sensação enorme de queda.

Eu fechei os olhos com força, sem sentir medo nenhum.

Mas, no instante seguinte, eu senti alguém me agarrar com força pela cintura.

Eu fui protegida nos braços de alguém e caímos na vegetação à beira do asfalto.

No meio da confusão, eu ouvi um gemido abafado.

Nós rolamos mais algumas vezes, de forma desajeitada, até finalmente parar.

Quem me abraçava estava todo cortado pelos galhos, ensopado de sangue, e eu não tinha me machucado.

Eu levantei o olhar e encontrei o rosto de Christian, em pânico, e falei com calma:

— Solta.

Christian encarou meu rosto, como se eu não tivesse feito nada, e berrou:

— Eu só falei umas coisas para você! Por causa de uma coisa dessas, você pula do carro? A gente te mimou demais!

— De novo para fazer a gente prestar atenção em você, não é? Para com essas ideias!

Eu não dei bola e abri os dedos dele, um por um.

Eu me levantei e olhei ao redor.

Eu vi um carro preto vindo em alta velocidade na nossa direção.

— Eu vou me jogar na frente dele por vontade própria. Lembre-se de pagar o conserto do carro.

Eu larguei isso e me atirei para a frente, na direção do carro.

— Helô!

Christian urrou, desesperado, e se levantou cambaleando, mas já era tarde demais.

Eu estava cheia de esperança, esperando a morte.

Mesmo voltando ao mundo real, eu também ia morrer logo, mas eu não queria ficar mais um segundo neste mundo.

A freada foi estridente, e o carro preto parou à força.

Eu tropecei para trás, dei alguns passos desajeitados e caí nos braços de Christian, que tinha corrido para cima de mim.

— Você enlouqueceu! Heloísa, você enlouqueceu mesmo?

Com os olhos vermelhos, ele passou os dedos pelo meu rosto e pelo meu ombro:

— Você bateu? Está doendo onde? Fala!

Como eu não tinha morrido de novo, eu abaixei o olhar, cheia de decepção.

Minha visão caiu na perna dele.

A barra da calça dele já estava encharcada de sangue.

Era uma ferida séria, e o sangue não parava de pingar.

Se fosse antes, eu teria chorado até perder o fôlego, querendo tomar o lugar dele.

Mas, naquele instante, eu só desviei o olhar.

— O quê, até para morrer eu preciso da aprovação de vocês?
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