Mundo de ficçãoIniciar sessãoDe manhã, eu tinha acabado de registrar o casamento com Enzo Xavier, o herdeiro da elite da Capital. À tarde, ele já me levou para me divorciar. Eu segurava os dois documentos, a certidão de casamento e os papéis do divórcio, e fiquei travada no lugar. Ao meu redor, os amigos dele riam sem freio. — Enzo, por causa de uma frase da Sara, você mesmo levou a Heloísa para casar e divorciar? — Olhem só. A herdeira ficou até pálida. Vai chorar, é? Enzo, porém, puxou Sara Lopes para perto, a minha irmã adotiva, e falou com doçura: — Agora que os dois papéis estão comigo, você vai sorrir para mim, não vai? Sara não aguentou e riu. No rosto frio dela, um sorriso se abriu. Eu quis ir até eles para cobrar explicações, mas meus três irmãos me seguraram com força. Meu irmão mais velho, Felipe Saraiva, o CEO, franziu a testa: — A Sara só sorri com o Enzo. Tenha um pouco de decência. Meu segundo irmão, Christian Saraiva, o ator premiado, me empurrou e eu caí no chão: — A vida dela foi dura. Você tem condição. Não precisa desse homem. Meu terceiro irmão, Ivan Saraiva, professor de biologia, fechou a cara: — O Enzo já devia ter se casado com ela faz tempo. Pare de perseguir eles. Eles me enfiaram à força no carro e não deixaram que eu atrapalhasse a felicidade do amor ideal deles. O sistema, desaparecido havia muito tempo, finalmente apareceu: "Hospedeira, detectei que a missão de conquista foi concluída! Deseja voltar ao mundo real agora mesmo?" Eu me sentei no banco de trás, com um ar melancólico, e olhei para fora da janela. Quase ri em voz alta. Esse drama de vítima, encenado por causa da missão, acabou. As brigas de amor e ódio deles, eu não vou mais acompanhar!
Ler mais— Não! Não é assim!Enzo Xavier rugiu, desesperado:— Você não voltou agora? O meu laboratório já chegou a um resultado, a gente separou o sistema da Sara Lopes...Eu soltei uma risada de deboche e interrompi:— O que vocês chamam de pesquisa não passa de torturar os outros de um jeito ainda mais cruel, e de se anestesiar com autoagressão.Uma silhueta arrombou a porta de repente, com uma faca na mão, e se jogou na minha direção.— Heloísa! Foi por sua causa que eu virei isso aqui!Era a Sara.Eu quase não reconheci.O rosto dela estava coberto de cicatrizes horríveis.Um olho já tinha cego, e a cavidade vazia dava um arrepio.Enzo reagiu mais rápido. No instante em que ela avançou, ele deu um chute pesado no peito dela.Sara gritou e foi arremessada para trás, batendo no chão com força.Ela ficou caída, e o sangue começou a sair sem parar da boca dela:— Heloísa... Você vai pagar... Eles acabaram com tudo o que eu tinha, foi por sua causa...Ela não terminou.Ela morreu ali mesmo.Enz
Antes que eu terminasse de falar, uma sensação familiar de puxão tomou meu corpo inteiro.Minha vista virou um branco frio.Eu tinha sido teleportada direto para fora da UTI do hospital.O corredor estava tomado pelo cheiro de desinfetante, e meu estômago se revirou.Do outro lado da porta de vidro, estava deitado um corpo familiar e estranho ao mesmo tempo.Era o corpo da "Heloísa", com o rosto pálido como papel.O corpo dela estava cheio de tubos, ligados aos aparelhos de suporte de vida ao lado.As linhas tremendo na tela eram a única prova de que ela ainda estava viva.E ao lado da cama, havia uma silhueta tão magra que parecia outra pessoa.Era o Ivan, meu terceiro irmão.Antes, ele sempre vestia o jaleco de forma impecável e me contava, com voz calma, as curiosidades do laboratório.Mas agora o cabelo dele estava bagunçado, grudado na testa.O jaleco que antes servia bem agora ficava largo nele, solto como se estivesse pendurado num esqueleto.Ele estava ali, debruçado ao lado da
Eu voltei para o orfanato onde eu tinha crescido.Desde que a diretora Joseane tinha morrido, o lugar tinha fechado as portas por falta de dinheiro.O prédio velho e desgastado já não tinha mais a animação de antes, o muro estava coberto de musgo, e o portão de ferro tinha enferrujado.Eu fiquei do lado de fora, e meus olhos arderam.Quando eu era bem pequena, eu tinha sido abandonada na porta do orfanato.Foi a Dona Joseane que me encontrou e me criou.Ela tinha sido o único calor da minha vida, mas morreu de doença quando eu estava na faculdade.Eu nem tinha conseguido retribuir, e já tinha perdido a única família que eu tinha neste mundo.Ela sempre dizia: "Helô, seja uma pessoa que carrega luz no coração."Eu guardei essa frase por muitos anos.Agora eu tinha condições, eu precisava manter esse calor vivo por ela.Eu passei três meses reformando o orfanato.Eu dei um novo nome para ele, Sol.Eu queria ser, para essas crianças sem ninguém, o que a Dona Joseane tinha sido para mim.A
Os médicos ainda me fizeram repetir um monte de exames, e só me deixaram sair do hospital depois de confirmarem que eu estava bem.Eu fui direto para o banco.Quando eu vi aquela sequência enorme de números na conta, eu soltei o ar devagar.A voz do sistema soou de novo: "Hospedeira, eu vou embora. Tem algumas verdades, você ainda quer saber?"Eu passei o dedo pelo cartão do banco e não disse nada.Mesmo sendo um sistema que não prestava, que me jogou em outro mundo e ficou quinze anos sem dar sinal, no fim, foi ele que me deu uma segunda vida.Depois de pensar um pouco, eu assenti, devagar."A protagonista daquele mundo, que tinha o mesmo nome que você, Heloísa Saraiva, morreu num acidente. Isso fez o núcleo daquele mundo desabar.""Sem escolha, a gente só pôde procurar, em mundos paralelos, alguém adequado para servir de substituta da protagonista.""E você, com o mesmo nome, com uma doença terminal e à beira da morte, virou a melhor opção."A voz mecânica carregava um certo peso: "
Último capítulo