64: Posso ser útil.
Quando saiu do quarto dos traíras, Renato decidiu não voltar para o seu. Teve outra ideia. Seguiu direto para o bar do hotel. Precisava de algo forte para tentar calar tudo o que havia ouvido da boca de Raquel.
Por mais que fingisse indiferença, doía. Doía a lembrança de ter sido abandonado, trocado e ignorado de forma tão fria, como se tudo o que viveram não tivesse significado nada.
Sentou-se no balcão e pediu a bebida sem pensar duas vezes. Virou o primeiro copo de uma vez só, sentindo o líquido queimar a garganta, mas não o suficiente para apagar o peso no peito.
Ele não sentia falta dela. Não era isso. O que o incomodava era o desprezo, a traição, a certeza de que havia sido usado. Respirou fundo, apoiando os cotovelos no balcão.
Continuar era preciso, mas ele ainda não sabia como. Por mais que não admitisse, naquele momento sua sorte atendia pelo nome de Sara. Usá-la era, de certa forma, uma maneira de devolver a Raquel um pouco do que ela havia feito com ele.
Renato sabia que R