Mesmo sem saber dançar, Sara se arriscou ao lado de Renato no salão. Percebeu que aquela proximidade podia aliviar, ao menos um pouco, o peso do que sabia que enfrentaria quando estivessem a sós. Enquanto se movia no ritmo da música, notou que o humor dele havia mudado. O homem tenso de mais cedo, incomodado com a presença do ex-amigo traidor e da ex-noiva, dava lugar a alguém cheio de expectativas.
Durante a dança, Renato a mantinha próxima, conduzindo cada passo. O toque dele era mais presente, mais consciente, como se quisesse deixar claras as suas intenções.
Do outro lado do salão, Raquel não tirava os olhos deles. Não era ciúme — ao menos era isso que insistia em repetir para si mesma. Era indignação. Orgulho ferido. Uma sensação incômoda de ter sido substituída rápido demais.
— Isso é teatro — murmurou.
— O que foi que você disse? — Alessandro perguntou.
— Nada. Não disse nada — respondeu, irritada.
Percebendo o quanto ela parecia à beira de perder o controle, Alessandro decidiu