Quando viu a mãe sair e bater a porta do quarto com força, Renato voltou o olhar para Sara e percebeu o quanto seus olhos estavam vermelhos. Sem dizer nada, começou a procurar os óculos dela pelo chão. Quando finalmente os encontrou, notou que estavam completamente destruídos.
Em silêncio, a guiou até a cama, ajudando-a a se sentar. Pegou os óculos nas mãos e os examinou com cuidado, tentando avaliar se havia algo a ser feito, mas além das lentes estilhaçadas, a armação também estava torta e partida em dois pontos.
Renato respirou fundo, contendo a raiva crescente.
— Isso aqui não tem conserto — murmurou, mais para si do que para ela. — Vou providenciar outro para você.
Aflita com tudo o que estava acontecendo, Sara encarou o vulto de Renato e, com a voz embargada, perguntou:
— Até quando vai me manter aqui? O que a sua mãe está fazendo comigo já não é o suficiente para você?
A pergunta o deixou completamente desconfortável.
— Eu não concordo com o que ela fez, está bem? — respondeu,