Enquanto eu caminhava por uma rua escura, seguindo um endereço que um número desconhecido havia me enviado, ouvia o som de risadas. Não era preciso muito para reconhecer aquelas vozes. Eu conhecia bem o timbre de Raquel e Alessandro.
Segui o som e os encontrei. Sentados numa mesa ao lado de um barzinho de rua, escondido entre paredes sujas e postes fracos. Raquel estava no colo de Alessandro, enquanto ele passava a mão pelas costas dela.
A cena me queimou por dentro. Um ódio frio subiu pelo meu corpo, e minha vontade era acabar com eles ali mesmo. Deixando que a raiva me dominasse, senti a arma que carregava em minhas mãos e a apontei para eles. No entanto, batidas distantes me arrancaram da fúria.
— Renato! — A voz da minha mãe parecia distante, quase irreal. Olhei ao redor, tentando encontrá-la, enquanto o som das batidas ficava mais forte.
De repente, meus olhos se abriram com força. Tudo aquilo não passava de um pesadelo horrível. Quase tudo.
— Renato!
A voz da minha mãe era real.