3

—Você vai pagar por isso. Abre a porta —disse Marcos, agarrando Maite e levando-a para um canto em um espaço fechado. Arrancou o macacão de prisioneira dela e, cheio de desejo, empurrou-a contra a parede.

—Solte-me —suplicou ela com uma dor infinita no peito. No entanto, Marcos parecia não escutar razões. Estava cego pelo ódio e pela raiva; desejava cobrar de Maite sua traição e o que havia acontecido com sua avó. Que ela fosse para a prisão não era suficiente; ele queria vê-la chorar e suplicar, e embora ela o fizesse, ele não a escutava.

Maite estava algemada e usou as algemas para golpear o rosto de Marcos, o que só o enfureceu ainda mais. Marcos a encurralou contra a parede e ela bateu o rosto.

Maite chorava de forma dilacerante ao ver o que Marcos tentava fazer com ela.

—Não, por favor… não faça isso —suplicou—. Você prometeu, prometeu que nunca me machucaria. Você é um covarde, esqueceu sua promessa.

Aquellas palavras chegaram ao coração de Marcos, que imediatamente parou e a soltou. Maite se deixou cair no chão, chorando de maneira inconsolável. Ao vê-la naquele estado, o coração de Marcos estremeceu e ele tentou se aproximar dela para pedir perdão. Percebeu tarde demais a loucura que quase cometeu e se sentia um completo imbecil por ter tentado tomá-la à força. Levou as mãos à cabeça sem entender por que havia reagido assim. Ele não era tão agressivo com as mulheres, e muito menos se aquela mulher era a que amava. Depois lembrou o quão malvada aquela mulher havia sido com sua avó, e seu coração se encheu novamente de ódio.

—Maite Ferri, eu te odeio —vociferou, ajeitou seu terno e saiu do lugar, furioso. Ao sair da pequena sala, murmurou—: Você —apontou para uma policial—. Ajude aquela mulher a se vestir. A oficial entrou rapidamente e encontrou Maite caída no chão, com a roupa destruída e coberta de lágrimas. A mulher sentiu pena da jovem. Ajudou-a a se vestir, secou suas lágrimas e cuidou de seu ferimento.

—Por quê? Por que ninguém faz nada neste país? Por que tanta injustiça contra mim? Vocês não ouviram? Ele tentou abusar de mim e ninguém fez nada para me ajudar —falou entre soluços. A oficial desviou o olhar para qualquer lugar que não fosse Maite. Suspirou e disse:

—É Marcos Heredia, não podemos fazer nada. —Dito isso, levantou-se e jogou o algodão na lixeira.

—Só isso? É Marcos Heredia? Por acaso eu também não tenho direitos? O senhor Marcos Heredia pode me matar e não haverá justiça. É isso que você quer me dizer?

—Senhorita, o senhor Heredia não é um assassino; é um homem importante do país e por isso tem o respeito de todos, inclusive da justiça.

—Você tem medo dele, não é? São tão covardes quanto ele. São uns idiotas que não conseguem defender seus cidadãos nem cuidar dos estrangeiros.

A oficial fez ouvidos surdos e saiu do lugar, deixando Maite sozinha. Depois ela foi transferida para a prisão feminina.

Horas depois de chegar, algumas presas se aproximaram para intimidá-la, mas ela se afastou e elas a seguiram. Começaram a puxá-la com intenção de brigar, mas ela não sabia como reagir. Nunca ninguém havia querido bater nela. De repente, uma mulher se aproximou e disse:

—Deixem ela em paz.

Todas se viraram para olhar, inclusive Maite. Quando viu o rosto daquela mulher, sentiu medo. Ela tinha algumas cicatrizes no rosto e Maite temeu que fosse como as prisioneiras que havia visto nos filmes, tornando a vida impossível para as novatas. E assim parecia estar acontecendo com ela.

—Quer se divertir, chefe? —perguntou uma prisioneira.

—Não —cuspiu a mulher—. Apenas deixem essa garota em paz. Todas as mulheres se entreolharam, sem entender por que a líder não queria se divertir fazendo Maite sofrer. Encolhendo os ombros, se afastaram do lugar, deixando Maite sozinha. Esta última soltou um suspiro quando as mulheres se afastaram. Só esperava que não a incomodassem mais.

Enquanto as outras prisioneiras se afastavam, a mulher que a defendeu olhou para ela novamente e Maite não compreendia por que ela a havia defendido.

Horas mais tarde, quando já estavam na cela, Maite percebeu que sua companheira de cela era a mesma mulher que a defendeu. Depois de vários minutos de silêncio, aproximou-se da mulher e iniciou uma conversa, agradecendo por tê-la defendido.

—Fique tranquila —disse a mulher—. É por uma boa razão… —engoliu o resto das palavras e terminou dizendo—: É porque você parece frágil e supus que não aguentaria os golpes delas. Se tivessem te batido, com certeza agora você estaria morta. —Dito isso, a mulher se deitou em sua cama e Maite ficou pensando nas palavras da mulher.

Quando Marcos saiu do tribunal, falou alto e claro para ser ouvido.

—Não quero mais saber daquela mulher. Se algum dia ela estiver ferida ou morta, não me informem porque não me interessa saber nada sobre ela. Entendido?

—Sim, senhor. —Assim que chegou à mansão, trancou-se no escritório para beber sem controle. Já bêbado, Emma entrou, tirou a garrafa de sua mão e o ajudou a subir para o quarto. Marcos havia exagerado na bebida; tudo ao seu redor estava nebuloso, o álcool lhe mostrava a visão que seu coração desejava, por isso segurou Emma pela cintura e a puxou para si. Ao sentir os lábios suaves de Marcos percorrendo seu pescoço, ela se excitou e imediatamente buscou a boca de Marcos, beijando-o com desenfreio.

Esta era a oportunidade que Emma esperava havia muitos anos e era lógico que não a deixaria escapar. Enquanto se beijavam com desejo, ela foi deslizando a mão até tocar a ereção de Marcos. Depois o despiu e o jogou sobre a cama. Ela também se livrou de suas roupas e subiu sobre ele. Com os lábios percorreu o peito de Marcos, provocando que ele soltasse alguns gemidos. Marcos levou as mãos às nádegas de Emma e apertou, penetrando assim sua umidade. Emma soltou um grito que ecoou pelas quatro paredes do quarto. O que veio depois foi uma ardente noite de prazer para Emma.

—Eu te amo —sussurrou Marcos. Um largo sorriso se desenhou nos cantos da boca de Emma. No entanto, quando Marcos repetiu o “eu te amo” e pronunciou o nome de Maite, ela parou os movimentos circulares que realizava sobre Marcos e cravou as unhas no peito do homem, que gemeu de dor.

Emma amaldiçoou Maite em seu interior e desejou com todas as forças de sua alma que Maite morresse na prisão para que Marcos pudesse esquecê-la para sempre. Soltando um suspiro pesado, Emma voltou a se mover e soltou alguns gritos ao alcançar o orgasmo. Depois caiu sobre o peito de Marcos, que já estava dormindo. Em seguida, deitou-se ao lado dele, pois já estava satisfeita. Finalmente havia conseguido o que tanto sonhara: deitar-se com Marcos. Só esperava que aquilo fosse o início do que um dia queria alcançar: ser a senhora de Marcos Heredia.

No dia seguinte, quando Marcos abriu os olhos, sentiu uma forte dor de cabeça que o obrigou a levar as mãos à cabeça. Pressionou-a e reclamou. Depois descobriu seu corpo e percebeu que estava completamente nu. O sangue de Marcos gelou. Lentamente se virou e encontrou Emma, que dormia placidamente. Os olhos negros de Marcos se incendiaram e a ira o dominou. Rangendo os dentes, questionou:

—Por que você está aqui? —rosnou, fazendo com que a mulher adormecida abrisse os olhos de repente e se enrolasse nos lençóis—. Perguntei que diabos você está fazendo aqui…

—Marcos, ontem à noite… você e eu… bem, você sabe o que fizemos. —Cale a boca —murmurou Marcos ao se levantar.

—Não é necessário que dê os detalhes; não sou tão estúpido a ponto de não saber o que aconteceu. —Furioso, dirigiu-se ao banheiro e antes de entrar vociferou—: Quando eu sair do banho, não quero que você esteja aqui. —Dito isso, entrou no chuveiro. Enquanto isso, Emma ficou olhando para a bunda de Marcos. Depois se levantou da cama com um sorriso de vitória. Ao sair do quarto, encontrou uma empregada. Esta última balançou a cabeça em negação. Não conseguia acreditar que seu patrão havia se envolvido com aquela jovem. Emma a olhou com desprezo. Para ela não era segredo que os empregados daquela casa não gostavam dela, mas agora que Elisa não estava, ela seria a senhora daquela fazenda e deveriam respeitá-la.

—O que tanto você está olhando? —A empregada baixou o olhar e continuou limpando.

—Vai me ignorar, sua imunda?

—Não, senhorita, só vou continuar limpando.

—Entre nesse quarto e arrume. —A empregada entrou no quarto e fechou a porta. Dirigiu-se à cama e, ao puxar os lençóis, encontrou a mancha de sangue neles. Exatamente nesse momento, a porta do banheiro se abriu e, ao ouvir que se fechava, Marcos decidiu sair com um roupão, imaginando que Emma finalmente havia ido embora. No entanto, ao se deparar com a empregada, ficou paralisado, assim como ela. A mulher formou um “O” com a boca ao vê-lo nu, em seguida cobriu os olhos e saiu correndo do quarto.

Marcos Heredia se aproximou da cama para contemplar melhor aquela mancha vermelha que havia nela. Apertou os dentes e cobriu a cabeça com as mãos, pressionando os olhos com desgosto. Se antes se lamentava por ter se embebedado até perder a consciência, agora se lamentava ainda mais, pois havia estado com Emma e nem sequer lembrava se haviam usado proteção. Reprochava-se por ter sido tão irresponsável e não ter conseguido se controlar nesse assunto, especialmente porque aquela mulher não só era a melhor amiga de sua ex, como também não lhe interessava nem um pouco.

Marcos era um homem que valorizava muito as mulheres puras; por isso nunca propôs a Maite ter relações sexuais sem antes ter certeza de que a queria para a vida toda.

Enquanto isso, Maite estava no pátio quando Graciela se aproximou.

—E o que você está fazendo aqui? —perguntou.

Maite olhou nos olhos de Graciela e, desabafando tudo o que tinha guardado, contou-lhe o que estava acontecendo.

—Estão me acusando de ter matado um homem que supostamente era meu amante, algo de que eu nem sequer estava ciente, pois cheguei de Paris há apenas uma semana —sorriu com amargura e secou as lágrimas—. E também me acusam de ter atacado a avó de quem seria meu marido… É algo que eu jamais faria, pois a quero como se fosse minha própria avó.

—E você, fez isso? —perguntou Graciela.

—Claro que não! Pelo menos não me lembro. A única coisa de que me lembro é de ter visto Emma chegar com uns strippers para celebrar minha despedida de solteira… Tudo estava bem quando eles foram embora… Não sei em que momento me embebedei se nem sequer bebi mais do que uma taça que minha amiga me deu… Depois tudo ficou borrado e não me lembro de mais nada. O resto do que aconteceu eu sonhei enquanto dormia, ou pelo menos era o que eu acreditava.

Graciela sorriu e replicou:

—Amigas como essa, para que inimigas, linda.

—Não entendo —respondeu Maite confusa.

—Será que você não percebeu, menina? Ou você é realmente burra? É mais do que óbvio que sua melhor amiga colocou algo na sua bebida e por isso você não se lembra de nada.

—Não, Emma não faria isso; ela é minha amiga —defendeu Maite.

—Pois é, se isso é amiga, nem quero imaginar como são seus inimigos —disse Graciela. Maite ficou perdida em pensamentos, recordando o passado. Agora que pensava com clareza, a mulher das cicatrizes poderia ter razão, pois Emma havia lhe falado do homem por quem estava apaixonada e que, assim que terminasse a universidade, iria atrás dele. Veio-lhe à cabeça que certamente estava falando de Marcos.

—Não consigo acreditar —murmurou Maite.

—Acredite, menina. Nesta vida já não existem amigas.

—Preciso de um telefone —disse Maite enquanto se levantava e tentava se aproximar das guardas. No entanto, nenhuma delas lhe deu atenção.

—Ei —disse Graciela—. Eu tenho um celular, caso queira ligar.

Maite pegou o celular e marcou o número de Emma. Ao ver um número desconhecido, Emma decidiu não atender a chamada. A ligação entrou novamente e Emma observou o celular até que finalmente decidiu atender.

—Alô —disse Emma do outro lado da linha.

—Sou Maite —disse Maite—. Quero te ver, você pode me visitar agora?

—Não! —exclamou Emma do outro lado do telefone.

—Então vou enviar todas as provas que meu pai tem guardadas sobre os desfalques que seu pai fez nas empresas de Marcos.

—De que estupidez você está falando? —perguntou Emma furiosa.

—Do que você ouviu —respondeu Maite. Emma sorriu e replicou:

—Faça o que quiser. —Em seguida, desligou irritada, deixando Maite com desgosto.

—Não virá, não é? É tão covarde que não terá coragem de me enfrentar —disse Maite enquanto se sentava na calçada.

—E quantos anos te deram? —perguntou Graciela.

—Sessenta —respondeu Maite com tristeza.

—Ufa, você tem uma vida inteira na prisão —disse Graciela. Maite suspirou.

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