Cleo Avelar
O sol da manhã seguinte cortava as frestas das cortinas pesadas da mansão, projetando feixes dourados e empoeirados sobre o piso de madeira polida do corredor.
Eu vestia a minha única calça de alfaiataria decente, uma camisa social branca perfeitamente passada e sapatos de salto baixo que faziam um eco discreto, quase desafiador, a cada passo que eu dava em direção ao segundo andar.
O meu estômago parecia um nó cego de cabos de aço. Cada batida do meu coração parecia repercutir