Leonel Bianchi
O ar da montanha era cortante, limpo, uma antítese perfeita à atmosfera rarefeita e carregada de segundas intenções que sempre me cercou em São Paulo. Estávamos na varanda da propriedade de Augusto, observando o sol tingir o horizonte de um alaranjado doentio, quase magnético. Augusto, meu irmão de armas e o único homem cujos conselhos eu jamais considerei um insulto, serviu-me um uísque puro. Ele me encarou com aquela perspicácia de advogado que parece desossar seus segredos an