Júlia Cavalcante
O quarto estava mergulhado numa penumbra densa, quebrada apenas pelo brilho pálido da lua que atravessava as cortinas de vidro. O silêncio do apartamento de Lian era quase absoluto, mas para mim, Júlia, o ar parecia saturado de uma eletricidade pesada. Eu estava deitada na borda da cama, rígida, tentando manter cada centímetro de distância possível do corpo de Lian, que repousava logo atrás de mim.
A presença dele era como um sol negro; eu sentia o seu calor, a sua força gra