Letícia Bianchi
O ar da manhã em Paris deveria ser leve, mas, ao ver Charles parado à porta do meu prédio, senti como se uma névoa pesada tivesse descido sobre a rua. Ele estava impecável, como sempre, com um sorriso calculado que não alcançava seus olhos. Ele segurava um buquê de flores que, em qualquer outro contexto, seria elegante, mas ali, naquele momento, parecia um insulto à minha autonomia.
— Letícia, meu amor — ele começou, com aquela voz aveludada que, antes, eu confundia com carinho