Ive Narrando.
O esconderijo que minha mãe arrumou ficava no fim de uma rua sem saída na Baixada, uma casa de muros altos e cheiro de mofo que parecia gritar o meu isolamento. Depois de limpar o sangue do Mateus das minhas mãos — um vermelho que parecia não sair nunca, impregnado na minha pele como a culpa —, eu desabei na cama. Mas a paz não veio.
Veio a dor. Uma cólica forte, cortante, que me fez dobrar o corpo e morder o travesseiro para não gritar. E depois, o calor úmido entre as minhas per