Mundo de ficçãoIniciar sessãoIsabela
O silêncio dentro do carro era quase insuportável. O motorista, educado e discreto, mantinha os olhos na estrada, mas Isabela sentia como se cada batida de seu coração ecoasse pelas janelas fechadas. Seus dedos brincavam com a barra do vestido, tentando encontrar algum ponto de ancoragem para a avalanche de sensações que a dominava. Leonardo não havia encostado nela. Não um toque direto, não um gesto invasivo. Mas a maneira como olhou em seus olhos, a pergunta que sussurrou com a voz rouca — “Você confia em mim?” — ficou gravada em sua pele como se tivesse sido escrita com fogo. E ela se odiava um pouco por não saber a resposta. Ao chegar em casa, tirou os sapatos na porta e caminhou descalça até a varanda. A cidade ainda pulsava lá fora, mas ali dentro, ela se sentia suspensa entre dois mundos: o da mulher racional que passou anos reconstruindo sua força… e o da mulher que, agora, sentia a pele formigar ao simples pensar em ser dominada por aquele homem. Encostou-se na parede e fechou os olhos. Imaginou, pela centésima vez naquela noite, o que teria acontecido se tivesse aceitado o convite implícito que dançava nos olhos dele. E se, no lugar de voltar para casa, tivesse deixado que ele a levasse para onde quisesse? Será que estaria agora presa entre os lençóis de um quarto escuro, com os braços atados, o corpo entregue? O pensamento a fez apertar as coxas. Uma onda quente e insistente pulsava dentro dela, tão intensa que parecia beirar o insuportável. Era como se o toque dele estivesse ali, fantasma e presente ao mesmo tempo. E o mais enlouquecedor era que... ela queria. Queria perder o controle que tanto lutou para ter de volta. Queria ser levada. Possuída. Mas então, como sempre, uma sombra se insinuou: o passado. A voz dura do ex, o ciúmes doentio, os gritos, as noites de manipulação disfarçadas de paixão. O momento em que ela se olhou no espelho e já não reconhecia quem era. A Isabela que se anulou para não ser abandonada. A Isabela que disse “sim” com lágrimas nos olhos, com o corpo tremendo de medo, e ainda assim foi chamada de fraca. Ela não podia — não devia — correr o risco de reviver aquilo. E, ao mesmo tempo, sabia que Leonardo não era como ele. Havia algo diferente naquele homem. Um tipo de domínio que não vinha da insegurança, mas do autocontrole. Um desejo de tomar, sim — mas apenas se ela deixasse. Se ela dissesse “sim” com prazer. Se ela confiasse. Você confia em mim? A pergunta se repetia como um sussurro dentro de sua cabeça. E a resposta ainda não era clara. Mas seu corpo… o corpo já havia decidido. Isabela caminhou até o quarto. Deixou o vestido escorregar pelos ombros, ficando apenas de calcinha. Deitou-se sobre os lençóis frios e deslizou a mão sobre o próprio ventre, sentindo o calor entre as pernas crescer como um vulcão prestes a explodir. Fechou os olhos. E permitiu-se imaginar. Imaginou a voz dele ordenando. As mãos dele guiando. Os olhos dele observando. Não era submissão. Era rendição. Consciente. Escolhida. E pela primeira vez em muito tempo… não teve medo.






