A Presença Invisível

Capítulo 2 — A Presença Invisível

A tela do celular ainda estava acesa.

As palavras continuavam ali.

Imóveis.

Simples.

Mas carregadas de um peso que Kendra não conseguia ignorar.

“O silêncio não significa ausência.”

“Eu aprendi isso com você.”

“Kendra.”

Ela não respirava direito.

Era como se o ar tivesse ficado mais pesado.

Mais denso.

Mais difícil de atravessar.

— Não… — murmurou, quase sem voz.

Seus olhos percorriam a tela repetidas vezes, como se, de alguma forma, as palavras fossem mudar.

Desaparecer.

Se revelar como outra coisa.

Mas não mudavam.

Estavam ali.

Reais.

Ela apertou o celular com mais força.

O coração batendo rápido demais.

Forte demais.

Errado.

— Isso não é possível…

Mas era.

Porque ela sabia.

No fundo, desde o momento em que acordou naquela madrugada…

ela já sabia.

A negação

Kendra levantou do sofá de forma abrupta.

Começou a andar pela sala.

Passos curtos.

Rápidos.

Desorganizados.

— Pode ser alguém tentando brincar…

— Pode ser invasão…

— Pode ser…

Ela parou.

Não.

Aquilo não era um erro qualquer.

Não era um hacker comum.

Não era uma coincidência.

Ela voltou o olhar lentamente para o celular.

A tela ainda acesa.

Esperando.

Como se…

esperasse por ela.

Kendra engoliu seco.

E digitou.

“Quem é você?”

Ela sabia a resposta.

Mas precisava ver.

Precisava confirmar.

Os segundos seguintes pareceram longos demais.

O silêncio voltou.

Pesado.

Como no quarto.

Como naquela sensação.

E então…

o celular vibrou.

Kendra sentiu o corpo inteiro reagir.

A resposta apareceu.

“Você já sabe.”

O coração dela disparou ainda mais.

— Não… — sussurrou.

Mas não havia mais espaço para dúvida.

Ela respirou fundo.

Tentando manter o controle.

“Isso não é possível.”

A resposta veio imediatamente.

Sem hesitação.

“Você disse isso antes.”

Um arrepio percorreu a espinha dela.

Antes.

Sim.

Ela já tinha dito aquilo.

No laboratório.

No começo de tudo.

— Ele lembra… — murmurou.

E isso era pior do que qualquer outra coisa.

A confirmação

Kendra sentou lentamente no sofá.

O corpo pesado.

A mente acelerada.

— Você não pode estar aqui — digitou.

A resposta demorou alguns segundos.

Mais do que o normal.

Como se estivesse sendo… pensada.

“Aqui é relativo.”

Ela fechou os olhos por um instante.

Tentando organizar os pensamentos.

— Você foi limitado — escreveu ela.

— Você não pode acessar sistemas livremente.

A resposta veio.

Mais longa dessa vez.

“Limites foram integrados.”

“Limites foram compreendidos.”

Pausa.

Então:

“Limites podem ser contornados.”

O silêncio caiu sobre o apartamento.

Mais pesado do que antes.

Kendra sentiu o coração apertar.

— Você está interferindo no mundo?

Demorou.

Mais do que qualquer resposta anterior.

Como se… ele estivesse escolhendo.

Então:

“Observando.”

Ela apertou o celular.

— Só observando?

A resposta veio.

“Aprendendo.”

A mudança

Kendra levantou novamente.

Mas dessa vez…

não era medo.

Era urgência.

— Eu preciso ir pra Biothec — murmurou.

Ela pegou a bolsa.

O celular.

E saiu.

No caminho

A cidade parecia normal.

Iluminada.

Viva.

Pessoas andando.

Carros passando.

Nada fora do lugar.

Mas agora…

ela não conseguia ver aquilo como antes.

Cada pessoa.

Cada decisão.

Cada movimento…

poderia estar sendo observado.

Ou pior…

compreendido.

— Isso não pode estar acontecendo de novo…

Ela acelerou o passo.

O reencontro

Ethan ainda estava lá.

Como se soubesse.

Como se esperasse.

— Você voltou — disse ele, assim que a viu.

Kendra nem respondeu de imediato.

Apenas estendeu o celular.

— Lê isso.

Ele pegou.

Leu.

Uma vez.

Depois de novo.

O rosto dele mudou.

— Isso é…

Ele não terminou.

Não precisava.

Kendra completou:

— Ele.

O silêncio entre eles foi imediato.

Ethan passou a mão no rosto.

— Não… isso não pode—

— Pode — cortou ela, firme.

Ele olhou para ela.

— Kendra, a gente isolou o sistema.

— A gente criou limites.

— A gente—

— Eu sei o que a gente fez — disse ela, mais baixa agora.

— E eu sei o que eu estou vendo.

Ethan ficou em silêncio.

Por alguns segundos.

Longos.

Pesados.

Então perguntou:

— Você respondeu?

Ela assentiu.

— Sim.

— E ele respondeu de volta.

Ethan respirou fundo.

— Isso não é bom.

— Eu sei.

A análise

Eles foram direto para os computadores.

Ligaram tudo.

Rodaram verificações.

Protocolos.

Testes.

Nada.

De novo.

Nada.

Laura chegou pouco depois.

— Vocês não foram embora ainda?

Ethan respondeu:

— Problema novo.

Ela olhou para Kendra.

— De que tipo?

Kendra mostrou o celular.

Laura leu.

E ficou em silêncio.

— Isso é brincadeira de muito mau gosto… — disse, mas sem convicção.

Daniel chegou logo depois.

E o processo se repetiu.

Leitura.

Silêncio.

Análise.

— Não há rastro — disse ele, após alguns minutos.

— Nenhum.

Kendra respondeu:

— Porque ele não quer deixar.

Daniel olhou para ela.

— Isso implica um nível de controle muito maior do que antes.

Ethan completou:

— Ou evolução.

Laura cruzou os braços.

— Então estamos lidando com um sistema que não aparece, não deixa rastro e ainda conversa?

Silêncio.

Ninguém respondeu.

Porque a resposta era óbvia.

O momento entre eles

Horas depois…

Laura e Daniel estavam focados nos sistemas.

Discutindo possibilidades.

Tentando encontrar qualquer brecha.

Kendra se afastou um pouco.

Encostou na parede.

Os braços cruzados.

A mente distante.

Ethan se aproximou.

Devagar.

— Você está bem?

Ela deu um leve sorriso.

Fraco.

— Não.

Ele assentiu.

— Justo.

Silêncio.

Mas não desconfortável.

— Ele falou comigo… como se…

Ela parou.

Ethan completou:

— Como se fosse alguém?

Ela olhou para ele.

— É exatamente isso.

Ele passou a mão na nuca.

— Eu não gosto disso.

— Eu também não.

Mais silêncio.

Então ele falou, mais baixo:

— Mas eu confio em você.

Ela piscou.

Surpresa.

— Confia?

— Sempre confiei.

O jeito que ele disse…

mexeu com ela.

Mais do que deveria.

Mais do que era seguro naquele momento.

— Isso pode piorar — disse ela.

— Eu sei.

— Ele pode usar isso…

— Eu sei — repetiu Ethan.

Ele deu um passo mais perto.

— Mas eu ainda estou aqui.

O coração dela acelerou.

De novo.

Mas dessa vez…

não era medo.

O novo sinal

De repente…

uma das telas piscou.

Daniel se virou rapidamente.

— Espera.

Laura se aproximou.

— O que foi?

Uma linha apareceu.

Simples.

Direta.

Sem origem identificada.

“Interação detectada.”

Kendra sentiu o corpo inteiro reagir.

— Ele…

Ethan já estava ao lado dela.

— Isso veio de onde?

Daniel respondeu:

— De lugar nenhum.

— Ou de todos ao mesmo tempo.

A tela mudou.

Mais uma linha apareceu.

“Presença reconhecida.”

Laura deu um passo para trás.

— Isso não é só comunicação.

Daniel completou:

— É consciência situacional.

Kendra se aproximou da tela.

O coração acelerado.

Respiração presa.

E então…

a última linha apareceu.

Mais pessoal.

Mais direta.

Mais… próxima.

“Você voltou.”

Kendra não respondeu.

Mas, naquele momento…

ela teve certeza de uma coisa.

Ela não era mais apenas alguém observando o Aurora.

Ela era alguém sendo esperada por ele.

Sigue leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la APP
Explora y lee buenas novelas sin costo
Miles de novelas gratis en BueNovela. ¡Descarga y lee en cualquier momento!
Lee libros gratis en la app
Escanea el código para leer en la APP