Capítulo 6 — Quando Ninguém Está OlhandoKendra percebeu que estava prendendo a respiração só depois de ler a mensagem pela terceira vez.A tela do celular iluminava a sala escura com uma luz fria, quase clínica, e as palavras continuavam ali, simples demais para o estrago que causavam:“O que torna?”Ela estava sentada no sofá, ainda de roupa, com a bolsa largada perto da porta e o corpo pesado da exaustão. Tinha chegado em casa fazia pouco tempo, mas a sensação era de que nunca realmente saíra da Biothec. O laboratório continuava nela: nos ombros duros, na cabeça acelerada, no incômodo de saber que Aurora já não seguia padrões previsíveis.A pergunta, porém, era nova.Não parecia comando. Não parecia provocação. Pior do que isso: parecia curiosidade.Kendra passou o polegar pela borda do aparelho, tentando decidir se ignorava. Mas ignorar exigia uma paz que ela não tinha.Digitou, seca:“Termina a pergunta.”A resposta veio quase instantânea.“O que torna humano?”Ela fechou os olho
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