Capítulo 3

O eco dos tiros reverberava no ar confinado da sala VIP, misturando-se ao cheiro de pólvora e suor. Isabella se agachou atrás do sofá de couro, o coração martelando como um tambor de guerra. Seu vestido vermelho estava rasgado na bainha, e as mãos tremiam enquanto ela pressionava o chão frio. "Isso não pode estar acontecendo", pensou, os ouvidos zumbindo.

Dante, por outro lado, era a personificação da calma letal. Agachado ao lado dela, arma em punho – uma pistola preta e reluzente que ele sacara do nada –, ele atirou de volta com precisão cirúrgica. O intruso, um homem corpulento com tatuagens no pescoço e uma jaqueta de couro surrada, gritou algo em italiano antes de cair, atingido no ombro. Mais dois homens irromperam pela porta, armas erguidas, mas Dante os enfrentou como um lobo defendendo sua alcateia.

— Fique abaixada, bella! — rosnou ele, empurrando-a para o lado enquanto rolava para trás de uma mesa virada. Seus olhos verdes brilhavam com uma mistura de fúria e excitação, as tatuagens em seus braços flexionando com cada movimento.

Isabella obedeceu, o pânico dando lugar a uma adrenalina crua. Quem eram aqueles caras? Rivais de Dante? E ela, no meio disso tudo? Um tiro ricocheteou na parede acima dela, estilhaçando um espelho em uma chuva de vidros. Ela gritou, cobrindo a cabeça.

Dante revidou, acertando um dos atacantes na perna. O homem desabou, gemendo. O terceiro hesitou, mas Dante não deu chance: disparou duas vezes, forçando-o a recuar para o corredor. A música do bar ainda pulsava ao fundo, abafando o caos, como se o mundo lá fora ignorasse a violência.

— Vamos! — Dante a puxou pelo braço, arrastando-a para uma porta escondida nos fundos da sala. Ele a abriu com um chute, revelando um corredor estreito e mal iluminado, cheio de caixas e cheiro de mofo. Isabella tropeçou nos saltos, mas ele a sustentou, o braço forte ao redor da cintura dela.

Eles correram pelo labirinto de becos atrás do Eclipse, o ar noturno de Nova York gelado contra a pele quente dela. Dante verificava os cantos, arma ainda em mãos, enquanto a guiava para um carro estacionado – um SUV preto blindado, com vidros escuros. Ele a empurrou para o banco do passageiro e deu partida, os pneus cantando no asfalto.

— Quem eram aqueles? — perguntou Isabella, ofegante, ajustando o vestido rasgado. Seu corpo ainda formigava dos toques interrompidos na sala VIP, uma mistura insana de desejo e terror.

Dante dirigia como um maníaco, zigzagueando pelas ruas lotadas, olhos no retrovisor. — Inimigos. Rivais da família Rossi. Acham que podem me pegar desprevenido. — Ele sorriu de lado, mas era um sorriso sombrio, sem o charme habitual. — Desculpe por estragar nossa noite, bella. Mas você viu o lado real de mim agora.

Isabella o encarou, o peito arfando. Ele era lindo mesmo na bagunça: cabelos desgrenhados, uma mancha de sangue no colarinho (não dele, graças a Deus), e aquela aura de perigo que a atraía como uma mariposa para a chama. — Lado real? Você é um mafioso, Dante? Os rumores...

Ele riu, uma risada rouca que ecoou no carro. — Mafioso? Que palavra antiquada. Digamos que eu cuido dos negócios que Alexander finge não existir. Nossa família sempre teve dois lados: o limpo e o sujo. Ele pegou o limpo, eu o sujo. Mas é tudo Blackwood.

Eles pararam em um prédio discreto no Meatpacking District, um loft industrial que Dante chamava de "esconderijo". Ele a levou para dentro, trancando a porta com um sistema de segurança high-tech. O lugar era surpreendentemente luxuoso: paredes de tijolos expostos, móveis modernos, uma vista da cidade através de janelas panorâmicas. Dante jogou a arma na mesa de centro e foi até o bar, servindo dois uísques.

— Beba. Vai acalmar os nervos. — Ele entregou o copo a ela, sentando-se ao lado no sofá de couro preto. Seus olhos desceram pelo corpo dela, notando os rasgões no vestido. — Você está bem? Machucada?

Isabella tomou um gole, o líquido queimando a garganta. — Fisicamente, sim. Mentalmente... o que diabos foi isso? Eu poderia ter morrido!

Dante se aproximou, tocando o rosto dela com gentileza inesperada. — Eu não deixaria. Você é importante agora. — Seus dedos traçaram o queixo dela, descendo pelo pescoço. O ar entre eles crepitou novamente, o perigo recente alimentando o desejo.

Ela deveria fugir, ligar para a polícia, esquecer tudo. Mas em vez disso, se inclinou, capturando os lábios dele em um beijo faminto. Dante gemeu, puxando-a para o colo, as mãos grandes explorando as curvas sob o vestido. — Bella... você me enlouquece — murmurou contra a pele dela, beijando o decote, mordiscando levemente.

Isabella arqueou as costas, as unhas cravadas nos ombros dele. Eles se moveram em um ritmo urgente, roupas sendo arrancadas: a camisa dele revelando tatuagens intrincadas – símbolos italianos, datas, nomes que contavam histórias de perda e vingança. O corpo dele era esculpido, marcado por cicatrizes que ela traçou com os dedos, cada uma uma pergunta não feita.

Eles caíram no tapete macio, Dante por cima, dominando com uma mistura de ternura e ferocidade. Seus toques eram elétricos, explorando cada centímetro dela, fazendo-a gemer alto. — Diga que quer isso — sussurrou ele, os olhos flamejantes.

— Eu quero... você — respondeu ela, rendida. A paixão os consumiu, corpos se unindo em uma dança primal, suor e sussurros preenchendo o loft. Foi intenso, selvagem, diferente do beijo controlado de Alexander. Com Dante, era caos puro, prazer sem amarras.

Depois, exaustos e entrelaçados nos lençóis que ele puxara da cama próxima, Isabella descansou a cabeça no peito dele, ouvindo o coração acelerado. — Por que vocês se odeiam? Você e Alexander.

Dante suspirou, traçando círculos nas costas dela. — Não é ódio. É... complicação. Nosso pai nos dividiu: Alexander para os negócios limpos, eu para os sujos. Ele me expulsou quando eu me recusei a fingir. Mas há segredos, bella. Segredos que nos unem mais do que nos separam.

Isabella pensou em Alexander, no jantar elegante, no beijo no carro. Dois lados da mesma moeda. — Eu o conheci primeiro. Trabalho para ele agora.

Dante se tensionou, erguendo-se no cotovelo. — O quê? Alexander contratou você? — Seus olhos escureceram. — Ele sabe sobre nós?

— Não... ainda não. — Ela se sentou, cobrindo-se com o lençol. — Mas isso é loucura, Dante. Eu não posso estar no meio de vocês.

Ele a puxou de volta, beijando-a possessivamente. — Você já está. E eu não divido bem. Mas por você... talvez eu considere.

A noite se estendeu em conversas sussurradas. Dante revelou pedaços do passado: a morte do pai em um "acidente" que cheirava a assassinato, a herança dividida, os Rossi como rivais ancestrais. Isabella ouvia, fascinada e aterrorizada. Ele era mais vulnerável do que parecia, um homem moldado pela violência, mas com um coração que batia forte por lealdade.

Na manhã seguinte, Dante a levou de volta ao apartamento dela em um carro diferente, beijando-a na porta. — Fique segura. Eu ligo. E evite Alexander por enquanto.

Mas o destino tinha outros planos. No trabalho, Isabella chegou atrasada, o corpo dolorido de prazer e fadiga. Elena a olhou com curiosidade, mas não perguntou. Alexander a chamou para o escritório dele à tarde, sua expressão dura.

— Onde você estava ontem à noite? — perguntou ele, fechando a porta. Seus olhos cinzentos a perfuravam.

Isabella gaguejou. — Eu... saí com amigos.

Ele se aproximou, tocando o braço dela. — Amigos? Ou algo mais? Meus seguranças relataram tiros no Eclipse. E você foi vista com... ele.

O ar gelou. Alexander sabia. — Dante. Como...?

— Eu tenho olhos em todos os lugares, Isabella. Ele é perigoso. Por que se envolveu com ele? — Havia ciúme na voz dele, misturado a preocupação genuína.

Ela se afastou, confusa. — Foi um erro. Mas você não me controla, Alexander.

Ele a puxou para si, os lábios colidindo em um beijo possessivo, mãos firmes na cintura. — Eu protejo o que é meu. E você... poderia ser minha.

Isabella correspondeu por um segundo, o contraste com Dante a deixando tonta. Alexander era controle, estabilidade; Dante, fogo e liberdade. Mas antes que pudesse responder, o telefone dele tocou. Ele atendeu, o rosto empalidecendo.

— O quê? Ataque aos armazéns? — Ele desligou, virando-se para ela. — Fique aqui. É perigoso lá fora.

Mas Isabella não obedeceu. Enquanto ele saía às pressas, ela pegou o celular e ligou para Dante. — Algo está acontecendo nos armazéns.

A voz dele era tensa. — Eu sei. Os Rossi. Venha comigo, bella. Eu preciso de você.

Dividida entre os irmãos, Isabella saiu do prédio, o coração em conflito. Mas no estacionamento, uma van preta parou, e homens mascarados a agarraram, injetando algo no pescoço dela. O mundo escureceu.

Quando acordou, estava em um armazém escuro, amarrada a uma cadeira. Um homem sorridente – o líder dos Rossi, presumiu – se aproximou. — Bem-vinda, Srta. Cruz. Você é o isca perfeita para atrair os Blackwood.

O pânico a invadiu. Qual dos irmãos viria primeiro? E a que custo?

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