Mundo de ficçãoIniciar sessãoIsabella acordou com o sol filtrando pelas cortinas do seu apartamento modesto no Brooklyn. A cabeça latejava levemente, resquício do martini e do beijo ardente com Dante na noite anterior. Ela se espreguiçou na cama, os lençóis enroscados em suas pernas nuas, e pegou o celular na mesa de cabeceira. Mensagens de amigos, e-mails de trabalho... e o cartão preto com o número dele ainda ali, como uma tentação silenciosa.
"Dante Blackwood", murmurou para si mesma, sentando-se abruptamente. A conexão a atingira como um soco no estômago na noite passada. Como ela não havia percebido antes? Os traços semelhantes – os olhos penetrantes, a mandíbula forte, o sotaque italiano sutil. Alexander, o CEO impecável, e Dante, o rebelde misterioso. Irmãos. Rivais, segundo os rumores que ela vasculhara rapidamente no G****e antes de dormir. O pai deles, Vincenzo Blackwood, fora um magnata com ligações obscuras ao crime organizado italiano. Alexander herdara o lado legítimo, transformando a empresa em um império tech. Dante... bem, os tabloides o pintavam como o filho pródigo que escolhera o caminho sombrio, envolvido em negócios ilícitos, festas clandestinas e escândalos que nunca chegavam aos tribunais.
"Que bagunça", pensou Isabella, jogando o cartão na gaveta. Ela não precisava de complicações. O contrato com a Blackwood era sua prioridade – um projeto que poderia impulsionar sua carreira como designer freelance. Mas, enquanto se arrumava para o primeiro dia de trabalho, não conseguia ignorar o formigamento na pele ao lembrar do beijo de Dante. Selvagem, possessivo, diferente de qualquer coisa que ela já sentira. E Alexander? Aquele olhar frio na reunião... havia fogo ali também, escondido sob camadas de controle.
Vestiu uma saia lápis preta e uma blusa de seda vermelha, que acentuava sua silhueta curvilínea. Maquiagem leve, cabelos soltos em ondas naturais. "Profissional, mas confiante", disse ao espelho. Pegou o metrô para Manhattan, o coração acelerado com uma mistura de ansiedade e excitação.
Ao chegar à Blackwood Tower, a assistente loira – que se apresentou como Elena – a guiou até uma sala de design no 48º andar. O espaço era um sonho: estações de trabalho high-tech, telas gigantes e uma vista que rivalizava com a do escritório de Alexander.
— O Sr. Blackwood quer que você comece imediatamente no redesign do portal corporativo. Aqui está o acesso aos arquivos. Ele passará para uma reunião rápida às 11h. — Elena sorriu, mas havia uma tensão em seus olhos, como se trabalhar ali exigisse vigilância constante.
Isabella se instalou, mergulhando nos mockups. As horas voaram enquanto ela esboçava interfaces minimalistas, incorporando elementos de luxo italiano como Alexander sugerira. Às 11h em ponto, a porta se abriu, e lá estava ele: Alexander, impecável em um terno cinza escuro, com uma gravata que combinava com seus olhos frios.
— Bom dia, Srta. Cruz. Vejo que já está produtiva. — Ele se sentou ao lado dela, perto o suficiente para que ela sentisse o calor de seu corpo. Seu perfume – amadeirado, com notas de sândalo – a envolveu como uma névoa.
— Bom dia, Sr. Blackwood. Aqui estão os primeiros conceitos. — Ela girou a tela, explicando as mudanças: navegação intuitiva, paleta de cores em tons de preto e ouro para evocar poder.
Alexander assentiu, inclinando-se para analisar. Seus dedos roçaram os dela ao assumir o mouse, um toque acidental que enviou faíscas pela espinha dela. — Impressionante. Mas precisamos de mais agressividade. Faça o logotipo pulsar, como um coração batendo. Representa vida, domínio.
Enquanto discutiam, Isabella notou detalhes nele: as mãos elegantes, sem cicatrizes como as de Dante; o relógio Rolex que gritava riqueza; e uma sombra de fadiga nos olhos, como se carregasse o peso do mundo. "Ele é solitário", pensou. Os tabloides nunca o ligavam a romances duradouros – apenas flertes casuais com modelos.
— Por que você escolheu design, Srta. Cruz? — perguntou ele de repente, virando-se para encará-la. Seus olhos cinzentos pareciam sondar sua alma.
Isabella hesitou, surpresa pela pergunta pessoal. — Sempre amei criar coisas que impactam as pessoas. Comecei como jornalista, mas o design me dá liberdade para moldar narrativas visuais. E você? Por que tech?
Um sorriso raro iluminou o rosto dele. — Herança familiar. Meu pai me ensinou que o poder vem do controle. Eu controlo dados, mercados... tudo. — Havia uma amargura sutil na voz, como se houvesse mais na história.
A reunião se estendeu além do previsto, virando uma conversa fluida sobre arte e negócios. Alexander era brilhante, com uma mente afiada que a desafiava. Quando ele se levantou para ir, tocou levemente o ombro dela. — Jante comigo esta noite. Para discutir o projeto em detalhes. Meu carro a pegará às 8h.
Isabella piscou, o convite pegando-a de surpresa. — Eu... sim, claro. Seria ótimo.
Ele saiu, deixando-a com o coração disparado. Um jantar com Alexander Blackwood? Isso era profissional... ou algo mais? Ela sacudiu a cabeça, focando no trabalho. Mas, durante o almoço, seu telefone vibrou com uma mensagem desconhecida: "Pensei em você a noite toda, bella. Vamos repetir? – D."
Dante. Como ele conseguira o número dela? Provavelmente do bar, ou pior, ele tinha conexões. Isabella sentiu um calor subir pelo corpo, lembrando do beijo no beco. "Não", respondeu mentalmente, deletando a mensagem. Mas o formigamento persistia.
O resto do dia passou em um borrão de pixels e códigos. Às 8h, um Mercedes preto a esperava na porta do prédio. O motorista a levou até um restaurante exclusivo no Upper East Side, o tipo de lugar onde celebridades jantavam em privacidade. Alexander já estava lá, em uma mesa isolada com velas tremeluzentes.
— Você está deslumbrante — disse ele ao se levantar, puxando a cadeira para ela. Seus olhos desceram pelo decote da blusa vermelha, apreciativos.
— Obrigada. Esse lugar é incrível. — Isabella se sentou, notando o vinho já servido: um tinto italiano encorpado.
O jantar começou profissional: discussões sobre o redesign, ideias para expansão digital. Mas, conforme os pratos chegavam – risotto trufado, filé mignon –, a conversa derivou para o pessoal. Alexander falou da infância em Milão, antes da família se mudar para os EUA. — Meu pai era rigoroso. Ensinou-nos a sobreviver. Eu e meu... irmão.
Isabella engasgou com o vinho. — Irmão? Eu não sabia que você tinha um.
Alexander franziu a testa, uma sombra cruzando seu rosto. — Dante. Nós não nos falamos mais. Ele escolheu um caminho diferente. Perigoso. — Sua voz endureceu, carregada de raiva contida. — Fique longe dele, Isabella. Ele destrói tudo que toca.
Ela fingiu surpresa, mas o coração martelava. "Ele sabe? Não, impossível." Mudou de assunto, rindo de uma anedota sobre negociações falhas. Alexander relaxou, tocando a mão dela sobre a mesa. — Você é refrescante. A maioria das pessoas me teme.
— Eu não tenho medo de você — mentiu ela, sentindo a atração crescer. Seus dedos entrelaçados eram quentes, prometedores.
O jantar terminou com sobremesa – tiramisu cremoso – e Alexander a acompanhou até o carro. No banco traseiro, o ar estava carregado. Ele se inclinou, os lábios roçando os dela em um beijo suave, controlado. Diferente de Dante: calculado, mas intenso. Isabella correspondeu, as mãos no peito dele, sentindo os músculos sob a camisa.
— Boa noite, Isabella. Vejo você amanhã — murmurou ele, saindo do carro.
De volta ao apartamento, ela desabou na cama, confusa. Dois irmãos, dois beijos em duas noites. Alexander: poder e estabilidade. Dante: perigo e paixão. Seu telefone vibrou novamente: "Ignorando minhas mensagens? Isso me deixa louco, bella. Encontro amanhã no Eclipse? – D."
Ela hesitou, mas digitou: "Talvez. Mas por quê? Você é irmão dele."
A resposta veio imediata: "Exato. E isso torna tudo mais divertido. Venha e descubra."
Isabella jogou o telefone de lado, o corpo ardendo de desejo e medo. O que ela estava fazendo? Mas, no fundo, sabia que não conseguiria resistir.
Na manhã seguinte, o trabalho na Blackwood prosseguiu, mas com uma tensão nova. Alexander a visitou duas vezes, seus toques casuais agora carregados de intenção. À tarde, Elena a avisou de uma reunião de equipe, mas Isabella mal prestou atenção – sua mente estava no Eclipse.
À noite, vestiu um vestido vermelho justo, que abraçava suas curvas como uma segunda pele. O bar estava lotado, a música pulsando como um coração acelerado. Dante a esperava no mesmo balcão, tatuagens à mostra sob a camisa aberta, um sorriso predatório nos lábios.
— Você veio. Boa garota. — Ele a puxou para um abraço, as mãos descendo perigosamente pela cintura dela.
— Explique-se, Dante. Por que não me disse que é irmão de Alexander?
Ele riu, pedindo drinques. — Porque isso importa? Nós somos opostos. Ele é o certinho, eu sou o divertido. E você... você é o que nós dois queremos.
Eles dançaram novamente, corpos colados, suor misturando-se. Dante a beijou no meio da pista, voraz, as mãos explorando. — Venha comigo — sussurrou, levando-a para uma sala VIP nos fundos.
Lá, no sofá de couro, as coisas esquentaram. Dante a sentou no colo, beijos descendo pelo pescoço, mãos sob o vestido. Isabella gemeu, rendida à paixão selvagem. "Isso é errado", pensou, mas o corpo traía. Eles se entregaram a toques intensos, roupas parcialmente removidas, o ar carregado de gemidos.
De repente, a porta se abriu. Um homem armado irrompeu, gritando em italiano. Dante reagiu como um lobo: empurrou Isabella para trás, sacando uma arma do coldre escondido.
— Fique abaixada! — ordenou, enquanto tiros ecoavam.
Isabella se encolheu, o coração na garganta. Quem eram aqueles homens? E o que Dante escondia?
O caos explodiu, e ela soube que sua vida nunca mais seria a mesma.







