Capítulo 710
A respiração do homem tornou-se pesada, desordenada e ofegante.

Ela continuou:

— Assim, nós dois poderemos nos libertar.

O pomo de Adão de Leandro subia e descia visivelmente. Suas mãos apertaram o volante com mais força, enquanto o silêncio se espalhava entre os dois como uma névoa fria e densa.

...

Quando voltaram ao hotel, Marília desceu sozinha do carro e entrou no hotel.

Leandro não a seguiu; ligou o carro e foi embora.

De volta ao quarto, Marília tomou o remédio, fechou as cortinas e se deitou. Dormiu por horas, um sono profundo e prolongado. Quando acordou, o céu do lado de fora estava coberto por um tom amarelo-escuro de entardecer. O dia já havia passado.

Sentada sozinha no sofá, ela pensava em tudo o que havia acontecido durante o dia. Lembrou-se das palavras duras que dissera a Leandro e sentiu um leve arrependimento.

Por mais que se detestasse alguém, não se devia desejar que essa pessoa sofresse um acidente.

Era praticamente o mesmo que desejar a morte de alguém. Ela tinha
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