A respiração do homem tornou-se pesada, desordenada e ofegante.
Ela continuou:
— Assim, nós dois poderemos nos libertar.
O pomo de Adão de Leandro subia e descia visivelmente. Suas mãos apertaram o volante com mais força, enquanto o silêncio se espalhava entre os dois como uma névoa fria e densa.
...
Quando voltaram ao hotel, Marília desceu sozinha do carro e entrou no hotel.
Leandro não a seguiu; ligou o carro e foi embora.
De volta ao quarto, Marília tomou o remédio, fechou as cortinas e se deitou. Dormiu por horas, um sono profundo e prolongado. Quando acordou, o céu do lado de fora estava coberto por um tom amarelo-escuro de entardecer. O dia já havia passado.
Sentada sozinha no sofá, ela pensava em tudo o que havia acontecido durante o dia. Lembrou-se das palavras duras que dissera a Leandro e sentiu um leve arrependimento.
Por mais que se detestasse alguém, não se devia desejar que essa pessoa sofresse um acidente.
Era praticamente o mesmo que desejar a morte de alguém. Ela tinha