O silêncio dentro do carro era mais espesso que a madrugada. Isabela mantinha os olhos fixos na estrada escura à frente, os dedos entrelaçados aos de Zayn, que parecia uma escultura de pedra — rígido, impassível, os olhos como lâminas afiadas sob a luz azul dos postes que passavam.
— Você vai me contar o que aconteceu? — ela perguntou enfim, com voz baixa.
Zayn demorou dois segundos para responder.
— Yahya invadiu um dos cofres da empresa. Não pessoalmente, claro. Usou documentos falsificados, uma senha de segurança interna e o selo de um diretor… que está desaparecido desde ontem.
Isabela sentiu o corpo gelar.
— Ele roubou?
— Sim. Documentos, contratos, registros de exportações agrícolas. E, ao que tudo indica, tentou transferir parte da propriedade intelectual dos projetos de irrigação inteligente para uma empresa estrangeira — uma fachada sediada na Suíça.
Ela arregalou os olhos.
— Isso não é só roubo… isso é espionagem empresarial.
Zayn assentiu, o maxilar travado.
— E sabotagem a