4. KIMBERLY

O dia correu tranquilo, o almoço foi trazido até o quarto. Acredito que seja porque Dimitri pediu, pensando que não estou bem, tenho que concordar com ele, não estou mesmo, preciso lembrar quem sou eu, de onde vim. Onde será minha casa, esses pensamentos estão me sufocando, o liquido quente começa a descer dos meus olhos sem sessar, não sei de onde tirar forças para reagir a todas essas dúvidas.

Durante a tarde não tinha nada para fazer, fiquei com receio de sair do quarto, visto que não tenho roupas, aliás, nem perguntei se tinha algo para vestir, estas que estou usando nem sei se são minhas, começo a andar pelo quarto, vou até a janela.

Observo a grama verde lá fora. E assim passa o dia, entre lágrimas desespero e a lembrança desse homem enigmático, que faz meu coração disparar quando ele se aproxima e olha nos meus olhos.

A noite chega e não para de pensar em como proceder para descobrir quem sou. Cenas da manhã ao lado de Dimitri, seu cheiro, seu olhar, sua voz imponente. Não quero pensar nele, mas é mais forte do que eu. Que situação constrangedora. Sou uma boba mesmo.

Levanto-me e estou sentada agora na beirada da janela quando ouço batidas na porta pela quarta vez hoje.

— Entre. — Respondo e a porta se abre, e lá está ele, com uma carranca, segurando uma bandeira nas mãos. Observo que não tem aliança no dedo, será que é solteiro.

Nego a mim mesma esse pensamento sórdido. E disfarço um sorriso bobo quando noto seu olhar feroz sobre mim. Preciso de algum conforto, quero me refugiar em seus braços.

Levanto-me e vou em direção da cama, Dimitri me segue até a cama e coloca a bandeja em cima dela. Percebo seu olhar malicioso sobre mim, mas disfarço.

Sorrio em agradecimento, mas ele não retribui. Parece mais serio que antes, não estou entendendo, isso me machuca um pouco.

— Trouxe seu jantar, queria ver como você está, se sente melhor?

—Um pouco melhor. Posso te fazer uma pergunta?

— Pode perguntar o que quiser.

— Como você me encontrou?— franzo a testa e levanto o olhar com curiosidade.

— Pérola, você estava caída na beirada da praia, e as ondas batiam em suas pernas, suas roupas estavam sujas. Como se tivesse saído do mar.

Quando levantei você, observei que sua cabeça estava sangrando e que havia desmaiado. Te carreguei até orla da praia e liguei para meu empregado vir nos buscar de carro. Ao coloca-la no banco de trás, liguei imediatamente para meu médico nos encontrar em minha casa.

— Como estou limpa agora, e essas roupas são as minhas?

— Não, eu pedi a Mirella, mãe de Amayume comprasse roupas para você, e ela trouxe essas que está vestida.

— E as minhas roupas onde estão? Você encontrou alguma coisa junto comigo, que possa ajudar a saber quem eu sou? Ou o paradeiro da minha família?

— Você só estava com a roupa do corpo e mais nada. Entretanto vamos procurar. Vou colocar uma foto nos jornais e juntos vamos encontrar sua família, fique tranquila. Coma que sua comida vai esfriar. Vou te fazer companhia até terminar.

Ele levantou se e foi até a janela, também parece meio perdido. Olha profundamente para fora, como se buscasse uma resposta.

Meio gélido Dimitri me da boa noite e se retira para fora quarto rapidamente e eu fico sem palavras, só o olhando sair pela porta.

Nesse momento ouço os mesmos gritos de antes. Fico indecisa se devo me intrometer na vida dele, afinal eu sou um hospede que está de passagem, não quero ser intrometida, que mistérios esse homem guarda?

Após os gritos sessarem, mesmo que meu apetite tenha sumido eu me esforço e decido comer.

Fleches começa a surgir na minha mente de uma criança brincando em um balanço, junto com uma mulher muito sorridente e um menino pequeno de boné. Penso que pode ser minha família.

Conforto-me com a ideia de que minha memória irá voltar.

Termino de comer, guardo o prato encima da cômoda, vou até o banheiro, escovo os dentes com uma escova que estava em uma embalagem fechada e volto a deitar, pensando de quem será aqueles gritos intensos e perturbadores.

Na manhã seguinte acordo mais animada. Amayume vem até o meu quarto trazer o café, aproveito pra sair um pouco com ela. A casa está deserta e silenciosa, na verdade é uma mansão.

Agora sei que estou na Espanha. A moça me mostra toda casa com empolgação, começamos pela parte de baixo onde fica a cozinha, sala de jantar, sala de estar e o escritório de Dimitri, onde ele passa a maior parte do tempo.

Ela me instruiu que não posso entrar na sala dele sem autorização, pois é o seu local de trabalho, e ele não gostam de ser incomodado, tanto que quando precisa de algo, aciona um botão, que liga uma luz vermelha na cozinha, assim, alguém vem até ele para saber do que precisa, engulo em seco, que tipo de homem enigmático é esse, onde a entrada do seu escritório é tão restrita assim.

Subimos uma enorme escada até os quartos, não tive acesso a eles, todos estavam fechados, com a desculpa de estarem vazios. Ela me leva até a porta do quarto de Dimitri, que é ao lado do meu. Mas também não pode mostrar seu interior. Segundo Amayume ele não permite que ninguém entre, somente para limpar uma vez por semana, e quem o faz é somente sua mãe, ela mesma nunca entrou lá dentro.

No corredor há aproximadamente dez quartos, cinco de cada lado. Não aceitei a desculpa de não poderia entrar neles, entendo que no dele não seria possível, mas se os outros não estão ocupados porque não posso olhar? Quanto mistério.

Seguro Amayume pelo braço e paro no meio do corredor.

— Ouvi alguns gritos algumas vezes, posso saber de quem são?

— Este é um assunto proibido de ser comentada aqui nessa casa senhorita, acho melhor perguntar para o meu patrão, é ele quem te deve dar essa resposta. — a menina se desvencilha do meu aperto.

Como se tentasse desconversar ela começa a me puxar para descer as escadas. Ela é uma menina alegre e simpática, mas ficou apreensiva com minha pergunta e tentou disfarçar, não vou força-la a dizer nada.

— Vamos conhecer o jardim? É muito lindo. Está casa eram dos pais de Dimitri — motivo pelo qual a mobília é antiga, pois ele tenta preservar as lembranças de infância. — Amayume fala animada, já mudando seu humor, tentando me convencer de esquecer o que perguntei, percebi.

— Quer fizer que ele morou aqui desde criança?

— Sim, mas quando ele foi para a faculdade ficou um tempo afastado em outro país.

Fiquei curiosa em saber mais detalhes de como é a vida de Dimitri, o que faz, que faculdade frequentou, este homem misterioso está roubando meus pensamentos, afinal estou com a cabeça vazia... Tento ser humorada comigo mesma.

Passamos uma tarde tranquila, não vi Dimitri em momento algum.

No início da noite conheci a mãe de Amayome. Parece ser uma pessoa legal, fui avisada por ela que ele estará esperando por mim para o jantar. Vesti um vestido azul Royal de alças, rodado abaixo da cintura, que ela trouxe pra mim. Assim que estava pronta desci as escadas e fui até a sala de jantar.

Ele não havia chegado ainda. Não sei se estava em casa. Alguns minutos se passaram, eu estava na janela olhando a noite estrelada, quando senti sua mão passar sobre meu braço.

Com seu toque senti um arrepio percorrer meu corpo, inalei o cheiro amadeirado do seu perfume, uma fragrância que nunca havia sentido em toda a minha vida. Ele fala com uma postura rude e gentil ao mesmo tempo:

— Desculpas, não queria ter te assustado. Como você está hoje? Sentiu alguma melhora?

— Não foi nada, estou bem. Minha cabeça não está doendo, entretanto ainda não me lembrei de nada sobre meu passado, se era isso que você queria saber.

— Que fato queria que tivesse se lembrado de algo. Vou levar você a um especialista, para te auxiliar a recobrar a memória.

— Como vamos encontrar minha família? Falei sem emoção, pois não consigo entender a confusão que está minha vida.

— Vamos tirar uma foto amanhã de você, para colocar nos jornais. Fique tranquila, vamos encontrar sua família.

Dimitri me conduz a mesa para o jantar que já está sendo servido, fico conhecendo mais alguns dos pregados, que me olham com receio, mas são muito educados.

Ele puxa a cadeira para eu sentar próximo a ele.

— Obrigada! — agradeço admirada, que cavalheiro.

Conversamos coisas aleatórias o jantar inteiro. Dimitri não gostou quando lhe perguntei sobre sua vida. O que ele me esconde me deixa irritada, é muito mistério para o meu gosto. Fiquei frustrada com isso. Ao mesmo tempo que ele é muito gentil e amigável, é sombrio e frio. O que será que ele esconde? Eu vou descobrir o que é.

Ao final do jantar subimos as escadas conversando e rindo muito, ele me contou algumas piadas e estou a gargalhar, nem vi a hora passar. Dou boa noite para ele e vou em direção ao meu quarto.

— Boa noite Pérola. — quando ele fala o apelido doce que ele me deu, sinto como se borboletas voassem no meu estomago.

— Boa noite Dimitri! Ele pisca para mim, eu coro na hora e retribuo com um sorriso bobo de menina.

Corro para meu quarto com o coração acelerado, respiro ofegante... Tento se acalmar. Me jogo na cama, não seu se gostei, hora é muito fechado e hora sorridente, não consigo entende-lo, afinal, nem eu mesma me entendo agora.

Lagrimas desesperada começam a banhar meu rosto. Um choro de dúvida é angústia porque não poderei ter sentimentos por meu salvador. Principalmente porque acabamos de nos conhecer. Que segredos ele esconde, porque não gosta de falar de si mesmo.

Eu por outro lado não poderei viver em paz sem saber quem sou. Esses pensamentos me rondam, enquanto as lágrimas insistem a descer. Durmo pelo cansaço de tanto chorar.

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