5. KIMBERLY

Acordei com Mirella batendo na porta e avisando que as 9:00 Dimitri estaria me esperando para o café, ouço o barulho da chuva caindo lá fora, gostaria de dormir mais um pouco. pois é tão delicioso dormir ouvindo esses som.

Como sei que hoje vamos procurar alguma coisa sobre minha família, levanto-me, faço minha higiene, visto uma calça jeans e uma blusinha branca estampada com flores azul e rosa. Nos pés calço um tênis branco que ele havia pedido para comprar, junto com as roupas.

Estou um pouco chateada, pois cada dia que passa, menos eu tenho notícias da minha família, já faz um mês que estou nessa casa e nada mudou, Amayme sempre me ajuda e tem me ensinado muitas coisas, mas a solidão e a tristeza invadem minha alma ao perceber que minhas lembrancas não voltaram, será que um dia será possivelmente voltar minha memória?

Hoje vamos tirar algumas fotos minhas, para colocar no jornal, com o intuito de procurar a minha família, espero que dê certo. Ao lembrar disso sinto me mais animada para levantar e me arrumar.

Quando fico pronta, saio do quarto, desço as escadas lentamente, com a mão no corrimão, degral por degrau, meu coração acelera, na expectativa de que será importante tirar essas fotos.

Ouço sua voz vindo do escritório, parece que Dimitri está em uma ligação. Chego próximo e bato na porta. Ele demora um pouco a atender, provavelmente por estar finalizando a ligação.

Ao abrir a porta ele não permite que eu entre, pois ele sai, com um olhar sério e frio de quem vai matar alguém... Disfarço e demonstro a mesma seriedade que ele. Claro que não gosto da sua atitude, mas não é a primeira vez que se comporta assim, nem parece a mesma pessoa.

— Bom dia Pérola. — Sinto algo diferente cada vez que ele fala esse apelido carinhoso, pelo menos eu acho muito fofo vindo dele, que é todo machão.

— Bom dia Dimitri.— Respondo a altura, pois ele está muito sério hoje, parece bravo.

— Vamos tomar café?

— Sim... — Meu Deus que homem... Não consigo entender, como ontem ele estava tão sorridente e hoje está com essa cara de mal amado. Fico em dúvida, será que ele não está gostando da minha presença?

Se for isso, não tenho para onde ir, fico nervosa... Terei que descobrir, não posso ficar onde não sou bem vinda.

Logo ele suaviza suas feições e me convida para acompanha-lo em uma festa onde nos juntaremos com seus sócios, Dimitri me explicou que será um jantar beneficente esta noite. Não estava com ânimo, pois não conheceria ninguém, porém ele insiste e não tive como recusar.

No caminho de volta para a casa, após tirar as fotos, passamos em uma linda loja de roupas de festa.

Dimitri sai do carro e abre a porta estendendo a mão para ajudar me a sair. Agradeço e mostro meu melhor sorrido, mas ele nem muda sua feição.

Entramos na loja e uma mulher nos atende, em seguida traz vários modelos de vestidos como Dimitri orientou. Escolho três e vou até o provador para provar. Visto o primeiro os três, um de cada vez e fico em dúvida de qual escolher.

Saio do provador com os três na mão. Ele olha para o meu braço com o olhar sério e diz:

— Gostou de algum? Porque não me mostrou, para que eu pudesse ajudá-la a escolher? — corei na hora, pois nem imaginava que ele quisesse me ver com os vestidos, afinal não temos tal intimidade.

— Tudo bem, eu provo para você ver como ficou, afinal fiquei em dúvidas sobre qual escolher.

Volto ao provador e coloco um vestido amarelo, estilo sereia. Saio do provador e Dimitri nega com a cabeça, desaprovando-o. Volto ao provador e coloco o segundo vestido, em um tom azul escuro, também modelo sereia, que modelada ao corpo. Saio do provador e olho Dimitri franzir a testa.

— Este ficou muito bom, mas quero ver o terceiro.

— Já voltou. — Falo mais baixo que o normal, gostei desse. Não que eu precise da aprovação dele para escolher. Mas afinal, era ele quem estava comprando e não queria desagrada-lo.

Sigo para o provador, experimentar o último vestido que havia escolhido. Um vestido Preto de alças, com muito brilho, colado ao corpo e com uma fenda que desce da coxa até o chão. Ao sair do provador noto Dimitri fazer um O com a boca, seus olhos brilham, ele parece surpreso, molhando os lábios, fazendo minhas partes intimas queimarem...dou um sorriso imperceptível, quase que para mim mesma. Mas ele nota. Seu olhos estão semelhantes a um lobo, pronto para devorar a presa. Fico um pouco

assustada.

— Este sim ficou ótimo.

Deu um sorriso de lado, tentando disfarçar seu contentamento.

Será que todos os homens são assim, não consigo entender o poder que seus olhos têm quando cercorrem o meu corpo.

***

Dimitri me explicou que contratou uma maquiadora, para fazer uma maquiagem. Seria alguém de extrema confiança, e que eu não deveria me preocupar.

Aproximadamente uma hora antes da festa a maquiadora profissional chegou para me fazer uma maquiagem. Coloquei o vestido e os sapatos de salto alto que ele escolheu. Não tinha certeza se conseguiria andar com aqueles sapatos, mas foi fácil. Olhei no espelho e realmente estava me sentindo muito bonita.

Desci as escadas e Dimitri já estava me esperando. Com um smoking marrom, com uma gravata no tom cobre, que destaca no traje. Seu cabelo levemente comprido dá um ar de sensualidade e um charme especial. Ele esta muito atraente, consegue me arrancar alguns suspiros.

Sei que não deveria ir a essa festa, pois não conheço ninguém, mas estou começando a gostar da companhia de Dimitri e não quero ficar sozinha nessa casa. Ao lado dele me sinto mais segura, também acredito que sair será bom, não quero mais me martirizar por estar sem memória, vou me permitir esquecer só por hoje esse pequeno detalhe.

Ao chegar a frente ao estabelecimento onde será o jantar, descemos do carro e ele engancha no meu braço, o lugar exala glamour, somos muito bem recebidos pelos organizadores. Percebo muitos olhares sobre nós. Mas ninguém questiona nada, Dimitri os encara com um olhar mortal, me deixando desconfortável.

Somos direcionados por um garçom até uma mesa, onde já tem algumas pessoas sentadas. Cumprimentamos a todos. Dimitri apresenta seus sócios à maioria com suas esposas.

Sentamo-nos uma ao lado do outro.

O jantar corre naturalmente. Tento me entrosar, porém tudo é tão intrigante, então o máximo que faço é ouvir e sorrir de vez em quando.

O jantar é servido e em seguida os organizadores começam a entregar algumas placas de honra para os beneficiários.

Dimitri é chamado e fazem alguns agradecimentos em sua homenagem, por ser um dos contribuintes mais fieis. Todos o aplaudem, ele agradece e volta a sentar-se ao meu lado.

Pouco tempo depois ele pede licença, levanta-se e vai conversar com algumas pessoas.

Fico sentada há um tempo, sinto uma enorme vontade de ir ao banheiro e pergunto para uma das mulheres sentada à mesa, que aponta para a direção onde ficam os mesmos. Levanto-me e vou até o local. Utilizo o banheiro e ao sair, um homem muito bonito se aproxima de mim, não tinha o visto em nenhum momento durante o jantar, não que eu lembre. Ele me pressiona contra a parede e se aproxima mais que o necessário, já começa a ficar em desespero, mas tento manter o controle.

— Boa noite moça, qual seu nome? — Estou tomada pelo medo, pois encaro seus olhos de um castanhos muito escuro e engulo em seco. Sinto cheiro de álcool, ele está visivelmente embriagado.

— Me chamo Péro...— Nem termino de falar e sinto braço fortes retirando o homem do lugar com muita agilidade, afastando-o de mim.

— Ela está comigo! — Dimitri fala em tom severo, fazendo o homem erguer as mãos em rendimento e pedir desculpas automaticamente.

— Desculpas, não sabia que ela estava com você.— O homem fala já saindo apressadamente.

— Você está bem? Ele fez alguma coisa para você? — pergunta enquanto retira uma mecha do meu rosto, levando-a a orelha.

Dimitri está muito próximo, mais que o normal. Ele bufa em descontentamento e passa a mão nos cabelos, só faz isso quando está nervoso.

— Sim, estou bem, você chegou bem na hora muito obrigada. — Sinto me aliviada, solto um suspiro, com o coração trêmulo.

Ele se afasta me pega pela mão e fala: — Vamos embora, já deu por hoje.

Assenti com a cabeça, meu nervosismo impede de pronunciar uma só palavra até me acalmar. Vamos até a mesa nos despedirmos dos sócios dele e suas esposas, só então saímos do salão em direção a frente, onde um chofer trás seu carro até a porta. Dimitri dirige em direção a casa.

Seguimos até sua casa em silêncio. Acabo dormindo no percurso.

Sou acordada por mãos fortes envolta do meu corpo, Dimitri está me colocando na cama. Nego mentalmente comigo mesma, pois como pude deixar isso acontecer. Entretanto gosto do seu toque. Tento me convencer de que isso não pode ser verdade. Não posso me apegar a uma pessoa que mal conheço. Sinto o cheiro delicioso do seu perfume, é como se seu odor me reconfortasse.

— Obrigada Dimitri! — Ele toca levemente meu rosto e me olha com aquele olhar que me deixa sem ar. Socorro, olho para sua boca e desejo prova-lo assim como vi as mulheres que acompanhavam os sócios do Dimitri fazer.

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