Mundo de ficçãoIniciar sessãoHana Monteiro é uma jovem humilde que trabalha em vários empregos para sustentar a mãe, Cláudia, vítima de uma doença rara e de um relacionamento abusivo. Sem enxergar outra saída, ela aceita um casamento por contrato com Xavier Lockwood, um empresário bilionário, frio, controlador e conhecido por manter todos à distância. O acordo é simples: um ano de casamento, sem romance, sem intimidade e sem que ninguém descubra a verdadeira identidade da esposa de Xavier. Mas, conforme os dias passam, a coragem, a honestidade e a força de Hana começam a quebrar todas as barreiras que Xavier construiu ao longo da vida. Enquanto Hana enfrenta humilhações, violência e o peso de anos de sofrimento, Xavier deixa de ser apenas um marido por contrato para se tornar seu maior protetor. O que começou como uma obrigação transforma-se, lentamente, em um amor profundo e verdadeiro. Quando Hana é baleada durante um assalto na lanchonete onde trabalha, a vida dos dois muda para sempre. Ela passa por uma cirurgia delicada e permanece um ano inteiro em coma. Nesse período, Xavier abandona a frieza, enfrenta a imprensa, desafia médicos que perdem a esperança e passa todos os dias ao lado da mulher que jurou proteger, recusando-se a desistir dela. Contra todas as expectativas, Hana desperta. Porém, acorda sem conseguir andar, iniciando uma longa e dolorosa jornada de recuperação. Durante meses de fisioterapia, medo e insegurança, Xavier permanece ao seu lado em cada pequeno avanço, mostrando que seu amor não depende da perfeição, mas da pessoa que ela é. Ao perceber que a ama de verdade, Xavier desfaz todas as cláusulas frias do antigo contrato, assume Hana publicamente como sua esposa e transforma um casamento de conveniência em uma família construída com respeito, cuidado e dedicação. Entre perdas, superação e recomeços .
Ler maisHana estava na floricultura naquela tarde quando tudo aconteceu de forma simples e inesperada. Uma senhora passou mal no meio da rua, e sem pensar duas vezes ela saiu de trás do balcão e correu até ela.
Não tinha dúvida, nem hesitação. Só ação. Com cuidado, Hana ajudou a senhora a se sentar, perguntou se ela conseguia respirar direito e chamou ajuda. Quando viu que seria melhor levá-la ao hospital, não esperou ninguém fazer isso por ela. Acompanhou a senhora no transporte e ficou ali o tempo todo, segurando sua mão até que os médicos assumissem o caso. Horas depois, já com a senhora mais estabilizada, Hana ainda estava ali, sentada ao lado dela. A senhora a observava com um olhar diferente, como se estivesse tentando entender quem era aquela jovem. — Você é muito boa, minha querida… qual é o seu nome? — perguntou com voz mais fraca, mas sincera. — Hana Monteiro — ela respondeu com um leve sorriso. — Que nome bonito… Eu sou Fernanda Lockwood. Hana piscou de leve. — Seu sobrenome é bonito. Fernanda soltou um pequeno riso. — Você nunca ouviu falar? — Não, nunca. A senhora pareceu surpresa, como se aquilo fosse quase impossível. — Sério, querida? Bom… meu filho é Xavier Lockwood. Hana apenas assentiu, educada, sem entender muito bem a importância daquilo. — Ele é um dos empresários mais conhecidos… um dos solteiros mais cobiçados também — Fernanda continuou, com um tom misto de orgulho e frustração. — Mas é… difícil. Fechado. Rude às vezes. Não liga muito para essas coisas. Hana franziu levemente a testa, desconfortável com o rumo da conversa. — Eu não sabia de nada disso, senhora. Nunca tinha ouvido falar. Fernanda segurou a mão dela por um instante. — E mesmo assim cuidou de mim sem esperar nada. Hana deu de ombros, simples. — Não precisa agradecer tanto… qualquer um faria isso. — Não. Nem todo mundo faria — Fernanda respondeu com firmeza. Ela então abriu a bolsa e tirou um cheque, entregando nas mãos de Hana. — Senhora, isso é muito… — Não é. Para mim, não é nada — disse ela, sincera. Hana hesitou por alguns segundos, mas acabou aceitando, mais por respeito do que por vontade. — Obrigada… Antes de ir, Fernanda ainda a observou por mais um instante. — Você se importaria de me dar seu número? Hana entregou sem pensar muito. E então se despediu. Saiu do hospital achando que aquilo tinha sido apenas um gesto comum em um dia comum. Mas Fernanda ficou ali por mais tempo do que deveria. Sozinha, com o celular na mão, ela olhou para o nome recém-salvo. E um pensamento tomou forma com uma clareza inesperada: “Ela seria perfeita para o Xavier.” A noite já tinha caído quando Xavier Lockwood entrou no escritório de casa. O prédio inteiro parecia silencioso demais, como sempre acontecia naquele horário. Ele tirou o paletó com calma, jogando sobre a cadeira, e abriu alguns documentos na mesa como se ainda estivesse em modo automático de trabalho. Não demorou muito para a porta se abrir de novo. Fernanda entrou sem pressa, segurando o celular na mão. — Você ainda está trabalhando? — ela perguntou, como se já soubesse a resposta. — Sempre estou — ele respondeu sem olhar, assinando um dos papéis. Fernanda ficou alguns segundos em silêncio, apenas observando o filho. Xavier tinha aquela presença fechada, controlada demais, como se nada realmente o atingisse. Ela se aproximou e colocou o celular sobre a mesa. — Eu quero te mostrar uma coisa. Ele finalmente ergueu os olhos. — Se for mais alguma reunião ou evento, manda para a secretária. — Não é isso. A voz dela estava diferente. Mais leve. Mais decidida. Xavier suspirou, encostando na cadeira, e pegou o celular. Na tela, havia apenas um contato salvo. “Hana Monteiro.” — E isso é…? — ele perguntou, sem entender o motivo daquilo. Fernanda sentou na poltrona à frente dele. — A pessoa que salvou a minha vida hoje. Ele franziu levemente o cenho. — Você passou mal de novo? — Passei. Na rua. E se ela não tivesse me ajudado, eu não estaria aqui agora. Xavier ficou em silêncio por um instante, analisando a informação, mas sem demonstrar emoção. — E você decidiu me mostrar o contato dela por quê? Fernanda respirou fundo, como se estivesse escolhendo as palavras com cuidado. — Porque ela não pediu nada. Não sabia quem eu era. Não sabia quem você é. E mesmo assim ficou comigo, me levou ao hospital, cuidou de mim como se fosse alguém da família. Xavier largou o celular na mesa. — Isso não significa nada, mãe. Só significa que ela é educada. Fernanda inclinou a cabeça, como se esperasse exatamente essa resposta. — Eu pensei a mesma coisa no começo… até perceber outra coisa. Ele a olhou agora com mais atenção. — O quê? — Ela seria perfeita pra você. O silêncio que veio depois foi imediato. Xavier não riu. Não se surpreendeu. Só ficou parado, olhando para a mãe como se ela tivesse dito algo completamente fora de contexto. — Você está tentando me arranjar alguém? — a voz dele saiu baixa, seca. — Não estou te arranjando ninguém — Fernanda respondeu com calma. — Estou te mostrando alguém que vale a pena conhecer. Ele passou a mão pelo rosto, já impaciente. — Eu não tenho tempo pra isso. — Você não tem tempo pra nada que não seja trabalho. Aquilo fez ele travar por um segundo. Fernanda continuou: — Ela é simples, Xavier. Humana. Diferente de tudo isso que você vive cercado. Ele levantou da cadeira, andando alguns passos até a janela. — Você não sabe nada sobre ela. — Sei o suficiente — ela respondeu, sem hesitar. Ele ficou olhando a cidade lá fora, os vidros refletindo seu próprio rosto. Fechado. Controlado. Sempre igual. — Qual é o nome dela mesmo? — ele perguntou depois de um silêncio longo, como se não quisesse demonstrar interesse. — Hana Monteiro. O nome ficou no ar por alguns segundos. Xavier não respondeu. Mas também não esqueceu.O carro atravessou os portões da mansão pouco depois das sete da manhã.Assim que entrou, Xavier percebeu uma luz acesa na sala.Fernanda estava sentada no sofá, ainda de roupão, segurando uma xícara de café.Ao vê-lo entrar, levantou-se imediatamente.— Filho... por que você saiu tão cedo?Ele tirou o paletó e o colocou sobre o encosto da poltrona.— Fui buscar a Hana na saída do trabalho.Fernanda franziu a testa.— Aconteceu alguma coisa?Xavier respirou fundo.— Aconteceu.Sentou-se no sofá e contou toda a situação.Falou sobre o homem que a abordou na saída da casa de shows.Sobre ele segurando o braço dela.Sobre o medo que Hana tentou esconder.E sobre a conversa que tiveram durante o caminho até a casa dela.Fernanda ouvia tudo em silêncio.Quando ele terminou, ela levou a mão à boca.— Meu Deus...Os olhos dela se encheram de preocupação.— Então era disso que ela estava tentando fugir...Xavier apenas assentiu.— Ainda não tenho todas as respostas, mas agora faz sentido ela
O carro parou em frente a uma pequena casa de muro baixo, com a pintura já desgastada pelo tempo.A rua era simples, silenciosa naquela hora da manhã.Xavier observou a fachada por alguns segundos.Era bem diferente do lugar onde ele morava.Hana desafivelou o cinto.— Obrigada por me trazer.Antes que ela abrisse a porta, ele perguntou:— Agora você vai dormir?Ela sorriu de leve.— Não, senhor.Ele franziu o cenho.— Não?— Vou tomar um banho e depois preciso ir para a lanchonete.Xavier olhou o relógio do painel.Eram seis e meia da manhã.— A lanchonete abre às sete e meia.Ela assentiu.— Dá tempo de eu tomar um banho, comer alguma coisa...Sorriu sem graça.— Porque eu não comi nada a noite toda.Ele permaneceu em silêncio.— Depois eu pego minha bicicleta e vou trabalhar.— Até que horas?— Hoje fico até as oito da noite.Ele a encarou.— Oito?— Sim.Ela respirou fundo.— Mas, graças a Deus, no trabalho da noite eu estou de folga hoje.Pela primeira vez, o sorriso dela pareceu
Já passava das cinco da manhã quando o movimento começou a diminuir.As mesas estavam mais vazias, a música já não tinha o mesmo ritmo intenso do início da noite e os funcionários iniciavam a organização do salão.Hana encostou por um instante no balcão para conferir o fechamento das vendas.O gerente aproximou-se.— Quanto fechou?Ela sorriu, cansada.— Oito mil seiscentos e quarenta.Ele abriu um sorriso.— Bateu a meta.— Graças a Deus.— Parabéns.Ela agradeceu, recebeu o relatório das vendas e foi até o vestiário trocar de roupa.Alguns minutos depois, saiu usando uma calça jeans, uma blusa de manga comprida e um tênis branco.Prendeu o cabelo em um rabo de cavalo alto.Pegou a mochila e se despediu dos colegas.— Até semana que vem.— Vai com Deus, Hana.Ela sorriu.— Amém.Assim que saiu da casa de shows, respirou o ar frio da madrugada.A rua estava quase vazia.Ela caminhava rapidamente em direção ao ponto onde costumava pegar o táxi.De repente...Ouviu passos atrás dela.Co
No fim da tarde, Gustavo voltou ao escritório de Xavier.Bateu duas vezes na porta.— Pode entrar.Ele entrou segurando uma pasta fina.— Conseguiu alguma coisa? — perguntou Xavier, sem tirar os olhos do computador.— Consegui algumas informações iniciais. Ainda estou levantando o restante.Xavier fechou o notebook.— Fale.Gustavo abriu a pasta.— Hana da Silva Monteiro, vinte e cinco anos. Sem antecedentes criminais, sem processos no nome dela, sem dívidas relevantes.Xavier apenas ouviu.— O histórico dela é... limpo demais.— Como assim?— Tudo o que aparece é trabalho.Ele virou outra folha.— Ela realmente trabalha em vários lugares. As informações batem com o que ela contou.— Continua.— Floricultura, lanchonete e casa de shows. Também faz alguns serviços temporários quando aparece oportunidade.Xavier ficou em silêncio.— E a mãe?Gustavo respirou fundo.— A mãe se chama Cláudia Monteiro. É casada.— Nome do marido?— Roberto Alves.Xavier esperou.— Ele não possui emprego fo





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