ELA ERA APENAS UM CONTRATO ATE ELE QUASE PERDE-LA
ELA ERA APENAS UM CONTRATO ATE ELE QUASE PERDE-LA
Por: Ana flavia_oficial
capítulo 1

Hana estava na floricultura naquela tarde quando tudo aconteceu de forma simples e inesperada. Uma senhora passou mal no meio da rua, e sem pensar duas vezes ela saiu de trás do balcão e correu até ela.

Não tinha dúvida, nem hesitação. Só ação.

Com cuidado, Hana ajudou a senhora a se sentar, perguntou se ela conseguia respirar direito e chamou ajuda. Quando viu que seria melhor levá-la ao hospital, não esperou ninguém fazer isso por ela. Acompanhou a senhora no transporte e ficou ali o tempo todo, segurando sua mão até que os médicos assumissem o caso.

Horas depois, já com a senhora mais estabilizada, Hana ainda estava ali, sentada ao lado dela.

A senhora a observava com um olhar diferente, como se estivesse tentando entender quem era aquela jovem.

— Você é muito boa, minha querida… qual é o seu nome? — perguntou com voz mais fraca, mas sincera.

— Hana Monteiro — ela respondeu com um leve sorriso.

— Que nome bonito… Eu sou Fernanda Lockwood.

Hana piscou de leve.

— Seu sobrenome é bonito.

Fernanda soltou um pequeno riso.

— Você nunca ouviu falar?

— Não, nunca.

A senhora pareceu surpresa, como se aquilo fosse quase impossível.

— Sério, querida? Bom… meu filho é Xavier Lockwood.

Hana apenas assentiu, educada, sem entender muito bem a importância daquilo.

— Ele é um dos empresários mais conhecidos… um dos solteiros mais cobiçados também — Fernanda continuou, com um tom misto de orgulho e frustração. — Mas é… difícil. Fechado. Rude às vezes. Não liga muito para essas coisas.

Hana franziu levemente a testa, desconfortável com o rumo da conversa.

— Eu não sabia de nada disso, senhora. Nunca tinha ouvido falar.

Fernanda segurou a mão dela por um instante.

— E mesmo assim cuidou de mim sem esperar nada.

Hana deu de ombros, simples.

— Não precisa agradecer tanto… qualquer um faria isso.

— Não. Nem todo mundo faria — Fernanda respondeu com firmeza.

Ela então abriu a bolsa e tirou um cheque, entregando nas mãos de Hana.

— Senhora, isso é muito…

— Não é. Para mim, não é nada — disse ela, sincera.

Hana hesitou por alguns segundos, mas acabou aceitando, mais por respeito do que por vontade.

— Obrigada…

Antes de ir, Fernanda ainda a observou por mais um instante.

— Você se importaria de me dar seu número?

Hana entregou sem pensar muito.

E então se despediu.

Saiu do hospital achando que aquilo tinha sido apenas um gesto comum em um dia comum.

Mas Fernanda ficou ali por mais tempo do que deveria.

Sozinha, com o celular na mão, ela olhou para o nome recém-salvo.

E um pensamento tomou forma com uma clareza inesperada:

“Ela seria perfeita para o Xavier.”

A noite já tinha caído quando Xavier Lockwood entrou no escritório de casa. O prédio inteiro parecia silencioso demais, como sempre acontecia naquele horário. Ele tirou o paletó com calma, jogando sobre a cadeira, e abriu alguns documentos na mesa como se ainda estivesse em modo automático de trabalho.

Não demorou muito para a porta se abrir de novo.

Fernanda entrou sem pressa, segurando o celular na mão.

— Você ainda está trabalhando? — ela perguntou, como se já soubesse a resposta.

— Sempre estou — ele respondeu sem olhar, assinando um dos papéis.

Fernanda ficou alguns segundos em silêncio, apenas observando o filho. Xavier tinha aquela presença fechada, controlada demais, como se nada realmente o atingisse.

Ela se aproximou e colocou o celular sobre a mesa.

— Eu quero te mostrar uma coisa.

Ele finalmente ergueu os olhos.

— Se for mais alguma reunião ou evento, manda para a secretária.

— Não é isso.

A voz dela estava diferente. Mais leve. Mais decidida.

Xavier suspirou, encostando na cadeira, e pegou o celular. Na tela, havia apenas um contato salvo.

“Hana Monteiro.”

— E isso é…? — ele perguntou, sem entender o motivo daquilo.

Fernanda sentou na poltrona à frente dele.

— A pessoa que salvou a minha vida hoje.

Ele franziu levemente o cenho.

— Você passou mal de novo?

— Passei. Na rua. E se ela não tivesse me ajudado, eu não estaria aqui agora.

Xavier ficou em silêncio por um instante, analisando a informação, mas sem demonstrar emoção.

— E você decidiu me mostrar o contato dela por quê?

Fernanda respirou fundo, como se estivesse escolhendo as palavras com cuidado.

— Porque ela não pediu nada. Não sabia quem eu era. Não sabia quem você é. E mesmo assim ficou comigo, me levou ao hospital, cuidou de mim como se fosse alguém da família.

Xavier largou o celular na mesa.

— Isso não significa nada, mãe. Só significa que ela é educada.

Fernanda inclinou a cabeça, como se esperasse exatamente essa resposta.

— Eu pensei a mesma coisa no começo… até perceber outra coisa.

Ele a olhou agora com mais atenção.

— O quê?

— Ela seria perfeita pra você.

O silêncio que veio depois foi imediato.

Xavier não riu. Não se surpreendeu. Só ficou parado, olhando para a mãe como se ela tivesse dito algo completamente fora de contexto.

— Você está tentando me arranjar alguém? — a voz dele saiu baixa, seca.

— Não estou te arranjando ninguém — Fernanda respondeu com calma. — Estou te mostrando alguém que vale a pena conhecer.

Ele passou a mão pelo rosto, já impaciente.

— Eu não tenho tempo pra isso.

— Você não tem tempo pra nada que não seja trabalho.

Aquilo fez ele travar por um segundo.

Fernanda continuou:

— Ela é simples, Xavier. Humana. Diferente de tudo isso que você vive cercado.

Ele levantou da cadeira, andando alguns passos até a janela.

— Você não sabe nada sobre ela.

— Sei o suficiente — ela respondeu, sem hesitar.

Ele ficou olhando a cidade lá fora, os vidros refletindo seu próprio rosto.

Fechado. Controlado. Sempre igual.

— Qual é o nome dela mesmo? — ele perguntou depois de um silêncio longo, como se não quisesse demonstrar interesse.

— Hana Monteiro.

O nome ficou no ar por alguns segundos.

Xavier não respondeu.

Mas também não esqueceu.

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