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5 ACORDANDO DE UM SONHO

HANNAH

  Sinto cada parte do meu corpo dolorida, acho que não vou conseguir sair da cama hoje. Devo estar doente. Talvez eu tenha pegado uma gripe daquelas. A febre deve ter me causado alucinações ou meus sonhos estão ficando cada vez mais realistas. Meus sonhos sempre foram estranhos, mas ontem devo ter me superado. Foi tão real, que ainda sinto o cheiro de açúcar caramelizado no ar, mas na minha pele está aquele cheiro envolvente de pinheiros e avelãs sendo torradas. Podia sentir cada parte do seu corpo me envolvendo, cuidando de mim como se eu fosse feita de cristal. Nunca havia me sentido tão protegida e acolhida por alguém. Se eu pudesse escolher, escolheria ficar na cama o resto do dia e voltar a...

  “Então... Você acordou?” Uma voz rouca e charmosa soou próxima a mim.

  “Puta merd...!” Segurei minha boca como se tentasse engolir as palavras, mas como se expressar a isso? Meu coração chegou a pular uma batida com o susto.

  Não consegui ver o seu rosto, mas deu para notar que era um homem e pela sua curvatura era bem alto. Só consegui enxergar o seu contorno próximo a porta, antes de me esconder em baixo dos lençóis de seda branca que cobriam meu corpo.

  Quando olhei para baixo, dei um berro.

  “MINHA NOSSA! ONDE ESTÃO MINHAS ROUPAS?”

  Espere. Ontem eu estava com uma camisola branca, quase transparente, e hoje estou nua. O que está acontecendo aqui? Que tipo de cidade é essa que eu vim parar?

  Escutei um leve riso vindo do desconhecido a minha frente.

  “Você está sem elas?” Ele sussurrou de uma maneira bem insolente e escutei seus passos se aproximando devagar.

  “NÃO CHEGUE MAIS PERTO!” Exclamei ainda em baixo do lençol.

  Uma gargalhada alta percorreu o quarto.

  “Vamos começar essa conversa de novo?” Ele parou na metade do caminho, sua pergunta saindo quase como um deboche.

  “E eu te conheço por um acaso?” Minha voz saiu abafada pelas cobertas.

  Espera aí. De novo? Como assim, de novo? Não me diga que eu estava conversando com ele ontem? Mas era um sonho, tinha que ser um sonho! Eu estava sendo perseguida por um lobo negro gigante e depois carregada por outro lobo gigante. Não pode ser real! E como poderia ser um lobo, se ele está bem na minha frente como um homem?

  Precisava olhar para ele e confirmar com meus próprios olhos. Abaixei um pouco o lençol que me cobria por inteiro, deixando apenas o topo da minha cabeça e meus olhos a vista. Por favor, que o cabelo não seja vermelho, que não seja vermelho... Fogo.

  Droga!

  Não tinha dúvidas, ele era mesmo o lobo vermelho. Nunca tinha visto um cabelo daquela cor antes. Eu sei que existem ruivos, mas nunca tinha visto um frente a frente. A sua pele era bem branca, tão branca que sardas manchavam seu rosto e algumas partes de seu corpo, mas ficavam ainda mais charmosas em seus músculos bem definidos, elas adornavam seu nariz e desciam para o seu peito e braços terminando antes que chegassem nas partes côncavas ao final de seu abdômen, que sumiam dentro de sua calça jeans. Não eram muitas, as sardas pareciam ter sido desenhadas em pontos estratégicos. Mas afinal de contas, porque ele estava sem camisa? Seus olhos azuis eram escuros como um oceano e seu cabelo estava preso em um coque desarrumado, mas eu lembro o quanto era longo o suficiente para ultrapassar os seus ombros e atingir o meu rosto.

  Depois de um silêncio constrangedor, porque passei muito tempo o observando e ele percebeu, pois levantou uma das sobrancelhas para mim, cortei meus pensamentos indagando-o:

  “Você ficou aí, esse tempo todo, me vendo dormir?” Falei com certo incômodo.

  “Depois de tudo o que aconteceu ontem, me causa estranheza, essa ser a sua única dúvida.” Ele sorriu novamente debochando de mim. “Pensei que você estaria mais assustada com o fato de ter visto dois lobos enormes ou por saber que eu era um deles.”

  Talvez eu esteja achando ele menos atraente. Tudo que eu digo é motivo para piadas. Agora percebo que ontem ele devia mesmo estar gargalhando por dentro sobre tudo que eu falava, mas pensando no que ele disse, eu deveria estar assustada mesmo.

  “Nada do que aconteceu ontem, pareceu real para mim. Talvez eu esteja em estado de choque ainda.” Minha voz acabou saindo mais trêmula do que o esperado. Não sei por que meu coração está batendo tão rápido. Espiei abaixo das cobertas o meu corpo repleto de arranhões e roxos, o que me fez agarrar os lençóis com mais força.

  "Sabe, você não precisa ter medo de mim. Se quiser posso voltar a minha forma lupina. Você parecia mais a vontade ontem, enquanto falava comigo." O ruivo passou a mão sobre a cabeça fazendo algumas mechas do seu cabelo saírem do coque e escorregarem em seu rosto como à esses lençóis de seda. O que me fez lembrar de como seu pelo era macio e brilhante.

  Balancei a cabeça como se estivesse em transe. Suas ações tinham um efeito estranho em mim, pois tudo que ele fazia me causava admiração. Eu precisava voltar ao 'mundo real' o mais rápido possível.

  "Era realmente você naquela forma de lobo que me trouxe para cá? Como isso é possível?”

  Ele apenas acenou com a cabeça, confirmando minhas dúvidas, mas ignorou minha outra pergunta.

  “Por que você foi à Caçada da Primavera?”

  Ele me perguntou como se eu tivesse planejado isso a muito tempo e aproximando-se, sentou na beirada da cama. Afastei-me para perto da cabeceira. Que mudança repentina de assunto.

  “E o que seria essa Caçada da Primavera? Eu nem sei o que é. Por que iria querer estar lá?” Retruquei já irritada com a insinuação dele.

  “Melhor eu nem explicar então, para que a sua reação seja genuína quando ele te perguntar.” O ruivo falou quase em sussurros, olhando para baixo, como se estivesse apreensivo com algo.

  “Ele quem?” Inconscientemente, aproximei minha cabeça em sua direção e minhas sobrancelhas quase se tornando uma.

  Não houve resposta, apenas um estrondo forte da porta batendo na parede. Outro grandalhão entrou no quarto, esse era mais feroz, mais alto, mais viril e parecia mais idiota que o ruivo.

  Já posso adivinhar quem poderia ser?

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