Malrik
O gesto é automático. A entrada da lâmina traz um dor aguda, um desconforto. Já fui esfaqueado antes. Reconheço o calor concentrado, a pressão firme e a pulsação ao redor do ponto. Nada disso importa. O zumbido no meu ouvido é mais alto. A certeza que o moleque pouco se importava que poderia matar a irmã me tirou do sério. O homem frio dentro de mim se tornou um vulcão de puro ódio. Ainda assim, parei alguns segundos para olhar Alita e ter certeza que estava bem.
A namorada do pai dela, que nem me dei ao trabalho de decorar o nome, solta um grito ao ver o punhal enganchado na minha mão.
— O que está acontecendo? Malrik? Pai? — Alita está confusa.
— Vai ficar tudo bem, passarinho. — Só digo isso e vou para cima do moleque que ousou atacá-la. Sequer puxo o punhal. Com a mão apunhalada derrubo ele no chão com um soco. Ninguém se atreve a interferir. Eu não o mato, só quero que lembre de não mexer com minha mulher toda vez que passar diante de uma superfície com reflexo.
Com todos