Capítulo 70 — O café antes da explosão
(Ponto de vista: Lili Acosta)
O vapor do chá subia em espirais preguiçosas, retorcendo-se antes de desaparecer no ar morno da cafeteria. Lá fora, o frio da manhã embaçava o vidro, mas ali dentro cheirava a café moído na hora, a croissants quentes e a conversas que queriam passar despercebidas.
A cafeteria do hospital não tinha nada de especial: cadeiras duras, lâmpadas amareladas e sempre alguém discutindo ao telefone a três mesas de distância. Mas com ele… tudo mudava.
Lili o observava enquanto ele falava, tentando não ficar presa na profundidade tranquila de seus olhos. Ela não conseguia sustentar o olhar por mais de cinco segundos sem sentir aquela descarga elétrica que a convidava a dizer coisas que não devia. E não estava pronta. Não com tudo o que estava acontecendo. Nem com a diferença de quase doze anos. Não quando tinha decidido não parecer a garota impulsiva que sempre fora. Queria ser mais madura para que ele a visse como ela desejava.