O silêncio daquela noite não era vazio.
Era denso, cheio de pensamentos que não pediam urgência, apenas tempo. Lia deitou-se de lado, sentindo o corpo pesado, mas pela primeira vez não era exaustão de fuga. Era cansaço de quem finalmente tinha parado de correr.
A mão repousava sobre a barriga, agora impossível de ignorar até nos gestos mais simples. O bebê se mexeu de leve, como se respondesse à mudança interna que ela mesma ainda tentava compreender.
— A gente sobreviveu ao pior — murmurou. —