CP-03 Uma batalha se inicia

Acordo sentindo meus cabelos sendo acariciados, e quando abro os olhos, encontro os de Caio já fixos em mim.

— Bom dia, minha princesa — ele diz, e beija a minha testa.

— Bom dia — murmuro, tentando me livrar da sonolência.

— Quer tomar café aqui no quarto ou descer pro restaurante do hotel? — questiona.

É então que me lembro que Alex irá me encontrar para mostrar os esboços que fez para a reforma da confeitaria.

— Eu marquei de tomar café com Alex — digo, sem jeito, pois sei que Caio ficará com ciúmes. E dito e feito. O sorriso em seu rosto se desfez.

— Você gosta dele, Manu? — pergunta, e posso sentir a tristeza em seu tom de voz.

— Eu gosto dele como amigo — começo. — Mas tenho que te contar uma coisa.

Dá para perceber que ele fica tenso. Caio se senta na cama e me encara.

— Vocês ficaram juntos? — sua voz vacila. — Vocês ficaram, não é?! Não me diga que já te perdi, Manu.

Com um suspiro, eu também me sento.

— Caio, foi só um beijo. Não vou falar que foi ruim, pois estaria mentindo. Mas não se compara com o que sinto por você. Eu amo você, mas não sei se é o suficiente pra continuarmos juntos.

— Me deixa explicar o que aconteceu aquela noite? — E como não tento me opor, ele prossegue. — Quando cheguei em casa já estava muito cansado, tomei um banho e fiz um café, porque não queria dormir antes de você chegar. Peguei minha xícara e fui pra sala assistir, até que a campainha tocou. Cometi o erro de abrir a porta pra Dulce, mas não deixei ela entrar. Ela começou a falar, mas logo a interrompi, tentei fechar a porta, mas ela começou a chorar. Eu sei que fui fraco, mas não imaginava que isso fazia parte do seu plano maligno. Deixei ela entrar, porém avisei que teria que ser breve.

— Aí foi o seu erro, Caio. Você sabia o que ela queria de você e que faria qualquer coisa pra conseguir isso.

Ele abaixa a cabeça envergonhado.

— Eu sei, Manu. Ela começou a falar que estava arrependida por tudo o que fez com você, falou da minha mãe... Ela sabia muito bem como me enrolar. Ela pediu um copo de água, então fui buscar e deixei meu café em cima da mesa de centro. Quando retornei, Dulce tomou a água e eu finalizei meu café. Mas logo comecei a me sentir estranho. Minha cabeça não estava normal. A única parte que me lembro é dela vindo até mim, se sentando no meu colo e me beijando. O resto da noite não lembro de nada. Ela colocou alguma coisa na minha bebida, Manu. Fui a um laboratório fazer um exame de sangue, mas não foi possível comprovar o uso de algo ilegal. Ela escolheu muito bem a droga. Por favor, acredite em mim. Jamais em sã consciência te trairia. Você é a única mulher que amo e quero ao meu lado. — Segurando o meu rosto, ele se aproxima aos poucos e então me beija.

Não sei se estou fazendo o certo em deixar isso acontecer, mas eu amo tanto esse homem. É ele que eu quero. Antes que as coisas comecem a sair do controle, me afasto.

— É melhor irmos devagar, Caio. Não quero apressar as coisas e depois me arrepender. Espero que você entenda. — Ele balança a cabeça, concordando. — Vou me trocar pra ir tomar café.

Me levanto, pego uma muda de roupa limpa e vou para o banheiro. Quando estou terminando de escovar os dentes, escuto batidas na porta e saio rápido, já imaginando quem será. E ao voltar ao quarto e olhar para a porta, vejo Caio e Alex se encarando. Caio ainda está sem camisa, vestido apenas com sua calça jeans — e com certeza Alex pensará que rolou alguma coisa essa noite. Talvez seja essa a intenção dele.

— Você demorou pra descer, então vim ver se estava bem — Alex fala, desviando o olhar de Caio para mim.

— Acabei me atrasando. — Vou em sua direção. — Alex, esse é Caio. E, Caio, esse é Alex — digo, alternando a atenção de um para o outro.

— Prazer — é tudo que Alex diz. Já Caio só acena com a cabeça e dá um sorriso notavelmente falso.

— Vamos tomar café? — sugiro, tentando quebrar a tensão do momento.

— Vamos. Quero te mostrar tudo que já fiz. — Alex mostra o tablet que carrega em uma das mãos.

— Posso ir com vocês? — Caio pergunta. — Você pode ser bom na decoração, mas eu sou melhor quando o assunto é pôr a mão na massa.

Estou sentindo que esse café da manhã será uma disputa de testosterona.

— Manuela que decide — Alex fala, e os dois olham para mim com expectativa.

Ah, Deus. Eu vou ficar no meio da batalha entre esses dois.

— Caio, pode vir com a gente — acabo murmurando. — Você ainda não tomou café.

Ele abre um grande sorriso em resposta.

Vou até a cômoda pegar minha bolsa e ouço os dois conversarem.

— Você dormiu aí? — Alex o questiona.

— Sim, dormimos juntinhos — Caio responde.

Eu me aproximo dos dois.

— Só dormimos mesmo. Não aconteceu nada.

— Mas foi juntinhos — Caio repete, com aquele sorriso travesso estampado na cara.

Descemos até o restaurante e, chegando lá, cada um pega um prato e começa a se servir. Por estar faminta, capricho no meu.

— Isso — Caio diz. — Coma bastante pra alimentar bem o nosso filho. — E coloca mais um pão de queijo no meu prato.

— Que suco você quer, Manu? Abacaxi, laranja ou morango? — Alex fala, chamando a minha atenção.

— Ela prefere abacaxi — Caio responde, antes que eu possa abrir a boca; e só me resta concordar com um aceno.

Alex enche um copo e me entrega. E quando nos dirigimos à mesa, os dois se atrapalham para tentar puxar uma cadeira para mim primeiro, com Alex saindo como vencedor. É uma atitude infantil, eu sei, mas isso não me impede de me divertir um pouco.

— Obrigada — digo, me sentando.

Comemos em um silêncio constrangedor; às vezes com um olhando para o outro, outra com os dois olhando para mim. Quando terminamos, Alex começa a mostrar as ideias que teve para a confeitaria.

— Estava pensando nesse tipo de balcão. — Ele mostra um desenho de um balcão de madeira que vai de uma parede à outra, e eu sorrio, satisfeita.

— Eu não gostei muito — Caio se intromete. — Acho que um menor seria melhor.

— Caio — Alex fala, notavelmente sem paciência —, você pode ficar tranquilo. Eu trabalho com isso há muito tempo e não é a primeira confeitaria que planejo.

— Mas eu sei do que ela gosta e o que seria mais rápido de construir pra conseguir abrir o quanto antes — Caio rebate.

— Você dois podem ir se acalmando. Alex, você pode me mostrar os outros modelos, por favor? — pergunto, e ele faz que sim com a cabeça.

Ficamos ali um tempo, conversando e analisando as ideias que ele teve, com Caio sempre opinando de forma a provocar e desagradar Alex, mesmo quase sempre estando certo em algumas sugestões.

— Você vai ficar aqui por muito tempo? — Alex encara Caio, inexpressivo. — Não tem sua loja recém-inaugurada pra cuidar?

— Eu só volto pra casa quando Manu voltar comigo, e quanto a minha loja, pode ficar tranquilo. Contratei um ótimo gerente. O meu amigo Ricardo. Confio muito nele. — Ele sorri.

— Que maravilha! — Alex murmura, e é impossível não notar a sua frustração.

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