Mundo de ficçãoIniciar sessão"Às vezes, o maior desconforto não vem do que o mundo espera de mim, mas do que eu mesmo não quero sentir."
Christopher Davis
Depois de cumprir vários compromissos durante o dia, resolvi não ir para a minha cobertura e fiquei na suíte que montei em uma das minhas casas noturnas. Hoje é dia de casa cheia e minha presença aqui é indispensável. Teremos algumas celebridades e figuras da mídia que atraem muitas pessoas até nossas instalações.
Assim que entrei na Empire Nights, o ar pareceu mudar. Antes mesmo de vê-la, senti o perfume que vem me tirando o sono nas últimas semanas. Victória Ashford estava aqui. Tenho pensado nela com mais frequência do que é confortável para mim. Sei valorizar uma mulher na cama, gosto de conversar com as inteligentes, mas tudo sempre se limitou a sexo e prazer. Sem promessas, apenas orgasmos.
— Você está com aquela cara de novo, Davis. — A voz de Jasmine Lie cortou meus pensamentos.
Jazz se aproximou com sua elegância habitual, segurando uma taça de champanhe e analisando o salão com o olhar clínico de quem controla cada centímetro desta boate. Ela é minha Relações Públicas e uma das poucas pessoas que consegue ler o que eu tento esconder atrás da máscara de CEO.
— Que cara, Jazz? — perguntei, sem desviar os olhos do balcão onde Victória se movimentava.
— A cara de quem encontrou uma presa que não sabe se deve devorar ou proteger — ela sibilou, parando ao meu lado. — Cuidado, Chris. Eu conheço esse brilho no seu olho. Victória é diferente das modelos que você costuma trazer para a área VIP. Ela é intocável sob as suas próprias regras, lembra? Ética profissional? Moralidade?
— Eu sei exatamente quais são as minhas regras — respondi, sentindo o desconforto aumentar.
A presença da Victória me tira da minha zona de conforto. E o meu conforto é escolher minha presa, cercá-la e devorá-la. Sem culpa. Eu dou e recebo prazer, ofereço o luxo que o meu dinheiro pode comprar e elas gostam. Nada é forçado. Mas com ela, uma parte de mim — aquela que ainda respeita os códigos de conduta que eu mesmo impus — gritava um alerta. Usar minha posição de poder para encurlar uma garota tão vulnerável quanto Victória era, no mínimo, questionável.
— Ela é uma funcionária, Jazz. Eu não sou o Richard. Eu prezo pela integridade da Empire — tentei me convencer, mais do que a ela.
— Então pare de olhar para ela como se quisesse incendiar o balcão — Jazz retrucou, com um sorriso de canto. — Porque se você cruzar essa linha, não vai ter volta. E eu não quero ter que gerenciar o escândalo da sua consciência pesada depois.
Ela se afastou com um aceno, deixando-me sozinho com o barulho ensurdecedor da música e o turbilhão de emoções que eu tentava negar. Eu nem sempre fui esse cafajeste insensível. Houve um tempo em que eu amei alguém tão intensamente que, quando ela se foi, levou meu coração. Mas viver sozinho é impossível. Eu adoro as mulheres; posso não amá-las, mas não vivo sem elas.
Quanto a Victória, ela mexe comigo de uma forma visceral. A delicadeza dos seus gestos, a força que emana dos seus olhos. Desde o dia em que ela derramou vinho em mim, eu a busco em toda parte. Passei a evitar o contato para não avançar mais do que devo. Mas hoje, no meio das luzes vermelhas que cortam o salão como cicatrizes de neon, a resistência parece ter chegado ao fim.
A boate estava no auge. Avistei-a de longe, atrás do balcão auxiliar, longe da multidão principal. Aproximei-me com a calma de quem já sabe o final da história, mas, à medida que a distância diminuía, o ar parecia faltar nos meus próprios pulmões. Não era apenas caça; era uma colisão inevitável.
— O movimento está calmo por aqui, não acha? — Minha voz surgiu rente ao ouvido dela, baixa e rouca, cortando o barulho da boate.
Ela sobressaltou-se, derrubando o pano que segurava. Victória me encarou, e o brilho de pânico misturado a um desejo mal disfarçado em seus olhos foi o combustível que eu precisava. Segurei seu queixo com a ponta dos dedos, impedindo que ela desviasse o olhar.
— Boa noite, Sr. Davis... — sussurrou ela, a respiração já alterada.
— Você está fugindo de mim há dias, Victória. — Deslizei meu polegar pelo lábio inferior dela, sentindo a maciez que vinha me assombrando. — Mas hoje eu decidi que não quero mais te procurar nos cantos. Eu quero você exatamente onde eu possa te tocar.
— Eu tenho trabalho, senhor... — tentou ela, mas sua mão subiu hesitante, tocando meu pulso como se quisesse me afastar, embora seus dedos se prendessem à minha pele. — Isso é errado. Você é meu chefe... e eu não sou como as mulheres que frequentam este lugar.
— Eu sei exatamente quem você é, Victória. É por isso que dói tanto ficar longe — confessei, aproximando meu rosto do dela até que nossas testas se tocassem. — O dono da Empire sou eu, e eu decidi que o seu único trabalho agora é ser verdadeira comigo. Você também sente isso, não sente?
Ela fechou os olhos, uma lágrima solitária escapando enquanto ela soltava um suspiro rendido.
— Eu sinto que vou me arrepender... mas sinto que não consigo respirar se você sair de perto agora.
Não dei espaço para mais dúvidas. Peguei sua mão e a guiei para os bastidores. Entramos no corredor de serviço, um lugar de concreto e sombras, onde o som da música virava apenas uma batida abafada, como o ritmo dos nossos corações. Eu a prensei contra a parede, mas não com violência; envolvi sua cintura, puxando-a para que sentisse o quanto ela me afetava.
— Você treme quando eu chego perto — observei, colando meu corpo ao dela. — É medo, Victória? Ou é a mesma fome que está me matando?
Ela levou as mãos ao meu pescoço, puxando-me para baixo, acabando com a distância.
— É o medo de te querer demais — ela confessou contra minha boca, antes de me beijar.
O primeiro beijo foi uma explosão de tudo o que vínhamos reprimindo. Não foi uma pergunta, foi uma possessão mútua. Ela me explorava com uma urgência que me pegou de surpresa, provando que, por trás daquela fachada tímida, havia uma mulher faminta por conexão. Suas mãos agarraram meu paletó, trazendo-me para mais perto, como se ela tivesse medo de que eu desaparecesse.
Eu a conduzi até a suíte, trancando a porta com um estalo seco. O quarto estava mergulhado em uma penumbra vermelha, mas o calor que emanava de nós dois era mais forte que qualquer luz. Eu a deitei na cama com cuidado, mas meu olhar não se desviou do dela nem por um segundo enquanto eu me livrava das roupas.
— Quero que você decore cada detalhe do que vai acontecer aqui — murmurei, subindo sobre ela e acariciando seu rosto com uma ternura que eu não sabia que ainda possuía. — Porque depois desta noite, não existe volta para nenhum de nós dois.
Fui um caçador, sim, mas um que se perdia na própria presa. Cada toque meu era uma descoberta; eu a explorava como se estivesse diante de algo sagrado e proibido. Victória não era apenas um mapa; ela era o destino. Quando finalmente a possuí, não houve apenas o grito dela, mas um som que saiu do fundo da minha alma quando nossos corpos se tornaram um só.
— Olhe para mim, Vic — pedi, a voz falhando enquanto eu me movia com uma intensidade que nos consumia. — Quero ver você se perdendo. Quero que saiba que, neste momento, o mundo lá fora não existe. Só existe você e eu.
Ela me encarou, os olhos nublados de prazer e algo que parecia muito com entrega absoluta. Suas unhas se cravaram nos meus ombros, e ela sussurrou meu nome — não como o dono da Empire, mas apenas como o homem que a fazia sentir viva. O clímax veio como uma tempestade, uma onda avassaladora que nos deixou exaustos, entrelaçados e em silêncio.
O prazer nos consumiu de uma forma que eu não estava preparado para gerenciar. Victória, em sua entrega absoluta, não era apenas uma mulher sob meu corpo; ela era um espelho que refletia partes de mim que eu mantinha enterradas sob concreto e uísque. Quando o clímax veio, não foi apenas físico. Foi uma explosão que pareceu derrubar cada muro que levei dez anos para construir.
Ficamos ali, colados, suados, ofegantes. O mundo desapareceu. Eu sentia o coração dela batendo contra o meu peito, um ritmo frenético que parecia querer entrar em sintonia com o meu. Ela me olhou, ainda trêmula, os olhos brilhando com uma vulnerabilidade que me desarmou.
— Chris... — ela sussurrou, e o jeito que meu nome saiu da boca dela, carregado de uma intimidade que eu não autorizei, me fez estremecer por dentro.
Eu deveria ter me levantado ali mesmo. Deveria ter colocado minha armadura e saído. Mas o magnetismo dela era uma armadilha silenciosa. Em vez de fugir, meus braços se fecharam ao redor dela, puxando-a para o meu peito. Senti o calor da sua pele contra a minha e, por um instante perigoso, a guarda do "Rei da Noite" baixou completamente. O cansaço da noite de gala e a descarga de adrenalina me venceram.
Aconchegados no silêncio da suíte, envoltos no perfume de flores e sexo, deixei que o sono me levasse, ignorando o alarme que gritava na minha consciência. Eu estava dormindo com a "inimiga" da minha zona de conforto, permitindo que ela ocupasse o espaço que eu nunca dava a ninguém.
Fechei os olhos, sentindo a respiração dela se acalmar contra meu ombro. Naquele momento de inconsciência, eu não era o CEO implacável ou o cafajeste de Manhattan. Eu era apenas um homem marcado, descansando nos braços da mulher que tinha acabado de me desarmar.
Eu não sabia ainda, mas aquele breve momento de paz seria o último antes da minha armadura se reconstruir com o dobro de força ao amanhecer.







