O ar é denso, carregado de dois cheiros que conheço muito bem: o resíduo ácido da pólvora queimada e o odor forte do desinfetante barato, incapaz de disfarçar o rastro de sangue que marcou cada canto daquela sala abandonada.
Ajoelho-me no chão de cimento gelado, a agulha de aço entre os dedos e o fio encerado pronto. O sangue de Gabriela já secou, formando crostas escuras ao redor do ferimento no ombro direito — entrada limpa de bala, prova da precisão de quem disparou contra ela.
Lá fora, a ci