GABRIEL MONTENEGRO
O silêncio do corredor do Baur au Lac era um insulto à tempestade que rugia dentro do meu peito. Eu caminhava como um autômato, os nós dos dedos ainda brancos, a lapela do paletó borrada pelo sorvete que a menina — aquela menina — tinha deixado como marca da minha própria ruína. A imagem daquele olho azul tempestuoso parecia impressa a ferro e fogo na minha retina. Cada passo meu em direção à suíte presidencial era embalado pelo eco da risada gélida de Melissa.
Quando passei