Capítulo 7

Silêncio

Qualidade ou caráter do que é tranquilo; calma, sossego. – Dicionário Michaelis.

Alan entrou no palco e com seu sorriso encantador, ele conversou com Rasha, expos um pouco mais de sua vida e foi até o quadro de escolhas, vendo cômodos como: jardim, quarto, cozinha, varanda, sala e banheiro. Ele soube, ali, que teria um encontro com cada uma das meninas em um cômodo da casa delas.

Parecia meio cedo, mas Rasha gostava de fazer as coisas um tanto diferente do que as pessoas estavam acostumadas.

Para alegrar as pessoas, Alan contava o que achava que poderia rolar em cada cômodo, deixando o banheiro com uma resposta simples e física: um sorriso, uma sobrancelha erguida.

Durante aquela semana, Alan estava numa pequena viagem pela cidade, cada dia em um “encontro” diferente.

Na segunda, ele começou com um banho em uma banheira. Como a participante era de outro Estado, a produção alugou uma casa aleatória com a banheira e arrumou vinho, chocolates e morangos.

Rasha ficou bem empolgada com aquele encontro, afinal, poderiam rolar coisas mais interessantes e deixariam as pessoas loucas por um bom amasso, mas Alan ficou tão colado em uma ponta da banheira, que a edição teria um grande trabalho para fazer aquela porcaria de encontro parecer minimamente bom.

No dia seguinte, Alan voltou na mesma casa e teve o prazer de um belo piquenique no jardim, em frente a piscina. Vindo de uma família que adorava piscinas e praia, ele não entendia o que tinha de muito legal em ficar sentado numa toalha só vendo a piscina. Caramba, como ele queria se jogar naquela água cristalina!

Isis era a terceira participante e escolheu um filme no aconchego do sofá. Ela morava em um apartamento pequeno, mas confortável, tinha um sofá puído que a produção trocou por algo mais jeitoso e assistiram Esqueceram de Mim enquanto conversavam sobre o que aprontavam quando eram crianças.

Enquanto revisava este encontro, Rasha se pegou comentando, junto com a equipe, sobre suas vivencias infantis. Era um assunto muito interessante e confortável. Deixariam aquele encontro como o primeiro.

No dia em que o programa foi ao ar, Alan e as meninas comentavam o que tinham achado do encontro. O príncipe ainda tinha a ousadia de se envergonhar quando se via em uma situação que, sem as câmeras, as coisas poderiam ter sido bem diferentes.

Na metade do quadro, Rasha mudou de assunto. Era um programa mais longo e teriam que dividir em dois.

“Então, Alan,” ela começa, “se você estivesse no lugar das meninas, o que teria escolhido?”

Ah sim, quando esta pergunta foi feita, já se calculava o final do programa. Se a resposta dele fosse ouvida antes das escolhas, provavelmente duas ou três meninas escolheriam o mesmo que ele, só que Rasha não queria ajudar ninguém, de verdade, ali. Ela gostava de saber que as meninas estavam se desdobrando para seduzir um homem que tinha cara de garanhão, mas era extremamente desligado com sua beleza.

Rasha adora isso em Alan. Adorava que quase tudo nele era produzido por alguém. As roupas, o cabelo, até o gosto musical. Ele era desligado de si, um belo quadro em branco, potencial para conquistar mais da metade a internet, ficar rico vendendo fotos sensuais e eróticas na internet.

Rasha Muniz sabia de todo o potencial que Alan não reparava, então, ela queria mostrar um pouco disto. Mostrar que, sim, ele era um cara um tanto simples.

“Provavelmente ler alguma coisa enquanto aproveita o sol na varanda.” Ele responde.

Em seus pensamentos, fica imaginando o prazer do sol ameno de fim de tarde, um suco gelado, um bom livro água com açúcar para não ter muito no que pensar. Ele pode se ver assim, sem ninguém por perto. Um momento dele, que poderia sim carregar mais uma pessoa, alguém deitado ao seu lado, os pés para fora da rede, o farfalhar das folhas do livro que tem a página virada, o suspiro de quem relaxou ao ler algo bom, o riso leve de uma cena.

Alan não liga de viver aventuras, mas acha, sinceramente, que são os momentos pacatos que demonstram como a vida é boa. E se ele não pode ficar em silêncio com alguém, então ele não quer estar com alguém.

Magda não tinha escolhido uma varanda, nem a sala, nem algum lugar que casais fariam coisas de casais. Quando a produção perguntou para ela quais os planos para o encontro com o príncipe, ela apenas disse:

 “Um almoço em casa.”

A produção visitou a casa dela. Era um apartamento bem parecido com o de Isis, mas dificilmente as pessoas perceberiam isto. Como as duas moravam no mesmo condomínio, a produção já tinha uma noção do espaço que teriam, então levaram uma quantidade bem menor de equipamentos.

“O que pretende cozinhar?” Perguntam.

“Cozinhar?” A ruiva estranha, “não falei que ia cozinhar.”

A campainha soa e ela vai abrir a porta. Há uma troca de olhares entre as duas pessoas da produção, eles não estão animados com o desânimo dela, já que isso poderia dar mais trabalho para a edição.

Do outro lado da porta, Alan espera ser atendido. Ele tinha sido anunciado pelo porteiro, então não há surpresa alguma quando Magda abre a residência para ele entrar.

Mas há tensão. Ele está mordendo o lábio inferior quando a vê e ela acaba engolindo as palavras que planejou dizer para ele assim que permitisse sua entrada. Há duas câmeras naquele apartamento, uma na cozinha, outra na mão da produção que acompanha aquela cena.

“Gravem tudo!” Foi a ordem de Rasha.

“Entre,” Magda diz.  Ela se forçou tanto para soltar uma única palavra, que ficou com medo estar suando.

“Obrigado,” ele diz.

Mas estão se olhando, apenas se olhando. Parados, ele alto, ela pequena. O cabelo dele solto e volumoso, os dela presos em uma trança lateral. Ele perfumado, arrumado de forma planejada; ela vestida com o que a produção levou e com um perfume que lembrava alguém saído do banho.

Antes de Alan tocar aquela campainha, uma outra pessoa da produção, alguém que não estava sob a visão de Magda, o microfonou. Queriam as coisas o mais natural possível, deixar tudo o mais pronto possível.

“Bom,” ela gagueja enquanto dá um passo para o lado, uma deixa impecável para que o príncipe entre em sua casa, “você gosta de lasanha?”

“Existe alguém que não gosta?” Ele rebate com um sorriso.

Caramba! Como ele consegue ter um sorriso tão bonito assim? Magda não sabe e nem tem certeza se seu nervosismo está aparecendo. Ela tenta sorrir, porém tem certeza que só contorceu o rosto em uma careta estranha.

“Espero que não se importe de ser lasanha congelada,” fora das câmeras, a produção se entreolha.

“Minha lasanha favorita,” Alan rebate.

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