17. Intrometida
Cássio Ravelli
A conversa com Branca se estendeu mais do que eu gostaria, mas terminou como precisava terminar: com limites claros e um acordo aceitável para ambos.
Ela não venceu. Eu não cedi completamente.
Chegamos a um meio-termo funcional.
Quando finalizei os ajustes no contrato, ela respirou fundo e recolheu os papéis, visivelmente cansada, mas sem perder a postura de sempre.
“Posso ir agora?”, perguntou, já se levantando. “Está na hora do café da manhã da Aelyn e quero acompanhar como está a alimentação dela.”
Assenti, pegando também minhas coisas.
“A alimentação segue exatamente o que a nutricionista prescreveu”, respondi. “Nada fora do protocolo.”
“Ótimo”, ela disse. “Obrigada pelo seu tempo.”
Não havia ironia ali. Apenas profissionalismo.
Pensei em sair com ela do escritório. Eu tinha audiências importantes naquela manhã e não pretendia me atrasar, mas precisava resolver outra coisa antes de entrar em qualquer sala de tribunal. Então fiquei.
Peguei o telefone e liguei para B