138. Alívio
André
Bato com os nós dos dedos na porta antes de entrar, mas já sei exatamente o que vou encontrar do outro lado. Eles estão sentados na cama hospitalar, próximos demais para quem acabou de sair do inferno, ele com o braço enfaixado e ela com o rosto ainda marcado pelos cortes e pelo inchaço. Estão se beijando com cuidado, devagar, como se estivessem reaprendendo a ocupar o mesmo espaço sem medo de que tudo desabe de novo. Sorrio de lado, sem conseguir evitar.
“Eu sei que estou atrapalhando.”