11. Minha última parte
Branca Oliveira
Espalhei minhas coisas pelo apartamento sem muita ordem. Roupas sobre o sofá, sapatos no chão, documentos separados em cima da mesa. Duas malas já estavam fechadas perto da parede, esperando por mim como um lembrete silencioso de que aquela não era uma mudança comum.
Peguei o celular e disquei o número da Lais.
“Amiga, você pode me fazer um favor?”, perguntei assim que ela atendeu.
“Claro que posso. Inclusive… estou na sua rua agora. Já passo aí.”
“Não, não precisa”, respondi rápido demais. “Eu te explico por telefone mesmo, não se preocupa...”
Mas não deu tempo de continuar, o interfone tocou.
Fechei os olhos por um segundo, suspirei fundo e fui atender. Eu não queria que ela me visse agora, não na situação em que eu me encontrava. Mas ela era a única pessoa que tinha sobrado depois de que minha vida ruiu, seria impossível esconder qualquer coisa dela.
Minutos depois, Lais entrou no apartamento com aquela energia que sempre parecia grande demais para caber em qualquer