Mundo de ficçãoIniciar sessão6❤️ CAPÍTULO 06 ❤️
Na manhã seguinte, Max saiu de casa antes mesmo do sol nascer completamente. A casa ainda estava silenciosa. Os irmãos dormiam. A mãe também. Ele passou rapidamente em uma padaria simples, comprou alguns lanches e depois pegou o ônibus em direção à praia. Durante todo o caminho, permaneceu olhando pela janela. Quieto. Cansado. Como se tivesse envelhecido anos em apenas uma noite. Quando chegou, caminhou lentamente pela areia molhando os pés na água gelada do mar. O vento bagunçava seus cabelos enquanto ele tentava organizar os pensamentos. Mas sua mente continuava pesada. Confusa. Machucada. Então ouviu passos correndo atrás dele. No instante seguinte, Morgan pulou em suas costas sorrindo. — Bom dia, zangadinho! Max quase perdeu o equilíbrio. — Morgan! Ele o empurrou imediatamente antes de suspirar fundo. — Preciso te pedir um favor. O sorriso de Morgan diminuiu no mesmo instante. — O que aconteceu? Ele analisou o rosto cansado do garoto. — Você está me assustando… Max desviou o olhar. Depois caminhou alguns passos antes de se sentar na areia. Morgan se sentou ao lado dele. O som do mar preenchia o silêncio entre os dois. Então Max finalmente falou: — Seus pais conseguem bolsas em colégios internos… não conseguem? Morgan franziu a testa surpreso. — Conseguem, mas… Ele encarou Max. — Por que está perguntando isso agora? Max abaixou os olhos. Os dedos brincavam nervosamente com a areia. — Porque eu não aguento mais essa situação. A voz dele saiu baixa. Cansada. — Mas antes de qualquer coisa… preciso deixar meus irmãos em segurança. Morgan permaneceu em silêncio. Max respirou fundo antes de continuar: — Um colégio interno seria perfeito. Eles teriam segurança… comida… estudos… Então ergueu os olhos lentamente. — Por favor… fala com seus pais por mim. Morgan ficou alguns segundos sem responder. Depois perguntou: — E você? Max sorriu de leve. Mas era um sorriso triste. Vazio. — Tenho outras coisas para resolver. Morgan imediatamente percebeu que havia algo errado. Muito errado. — Max… Ele segurou o braço do garoto. — O que você está planejando? Max desviou o olhar para o mar. — Nada demais. Morgan não acreditou nem por um segundo. Então tentou aliviar o clima. — Você pode morar comigo. Max olhou para ele. Morgan abriu um sorriso divertido. — Meus pais iam adorar. Depois se aproximou mais. — E eu poderia ficar muito mais tempo com você. Max acabou soltando uma pequena risada cansada. — Não seja idiota. Morgan fingiu indignação. — Ah, meu zangado… seria maravilhoso. Max se levantou rapidamente antes que aquela conversa mexesse mais com ele. — Eu não estou pedindo abrigo. Então cruzou os braços. — Só quero saber quando consegue me dar uma resposta. Morgan também se levantou. O vento balançava seus cabelos enquanto ele observava atentamente o rosto abatido do garoto. — Hoje mesmo. Depois sua expressão ficou séria. — Mas agora fala a verdade… Ele deu um passo à frente. — Por que você está fazendo isso de repente? Max ficou em silêncio por alguns segundos. Então sorriu olhando para o céu. Um sorriso cansado. Doloroso. — Porque se eu continuar aqui… Sua voz falhou levemente. — Acho que não vou aguentar viver por muito mais tempo. Morgan arregalou os olhos. Mas Max rapidamente continuou: — Então, por favor… só me ajuda nisso. O coração de Morgan apertou imediatamente. Ele nunca tinha visto Max falar daquela forma. Tão vazio. Tão sem esperança. Então segurou os ombros dele com firmeza. — Não importa qual seja sua decisão… Sua voz saiu séria. Sincera. — Eu vou ficar do seu lado. Max apenas sorriu de leve. Mas desviou o olhar logo em seguida. Porque aquilo doía mais do que deveria. Morgan saiu dali imediatamente ligando para os pais. Enquanto observava ele se afastar, Max murmurou baixinho: — Acho que nunca mais vamos nos ver depois disso… Horas mais tarde… Max trabalhava normalmente na obra carregando cimento quando o celular vibrou. Assim que viu a mensagem de Morgan, suas mãos começaram a tremer. Ele abriu rapidamente. A bolsa havia sido aprovada. Os quatro irmãos poderiam entrar imediatamente no colégio interno. Max ficou imóvel por alguns segundos. Então os olhos começaram a lacrimejar. Ele se ajoelhou ao lado do carrinho de materiais e levou a mão até o rosto tentando controlar o choro. Mas não conseguiu. Depois de tudo… Depois de tantos anos… Os irmãos finalmente teriam uma chance. O chefe da obra percebeu imediatamente. — Ei, garoto… o que aconteceu? Max levantou o rosto rapidamente tentando limpar as lágrimas. Então explicou tudo apressadamente e pediu permissão para sair mais cedo. O homem ficou em silêncio ouvindo. Depois assentiu. — Vai logo. Max agradeceu rapidamente antes de sair correndo. Morgan ainda ligou explicando todos os detalhes: os documentos seriam enviados depois, mas os irmãos já poderiam ir imediatamente. Max agradeceu inúmeras vezes. Então correu para casa. Mesmo cansado… Mesmo dolorido… Parecia que nunca havia corrido tão rápido na vida. Quando entrou em casa, estava completamente ofegante. Alan olhou para ele e fez cara feia ao notar suas roupas sujas. — Credo… de qual buraco você saiu agora? Logan apareceu logo atrás rindo. — Acho que todo mundo sabe de qual. Max respirou fundo tentando controlar a ansiedade. Então falou diretamente: — Conseguir bolsas de estudo para vocês quatro na melhor escola do país. O silêncio tomou conta da sala. — O quê?! — Alan arregalou os olhos. — Como você conseguiu isso? Depois começou a rir debochado. — Por acaso se vendeu ou algo assim? Max ignorou completamente o comentário. Maira também parecia chocada. — Você está brincando… não é? — Não. Max olhou para todos. — Vocês vão hoje mesmo. May imediatamente se aproximou dele. — E você? O olhar dela tremia. — Você também vai, não vai? Max desviou os olhos por um instante. — Preciso resolver algumas coisas primeiro. Depois voltou a encará-los. — E só posso fazer isso sabendo que vocês estarão seguros. Logan cruzou os braços. — Bom… eu aceito. Seu olhar percorreu a casa velha com desprezo. — Afinal, preciso sair desse buraco se quiser ter um futuro. Então subiu para arrumar as coisas. As meninas foram logo atrás. Max finalmente se sentou no sofá. As pernas tremiam levemente de nervosismo. Foi então que sua mãe apareceu. — Por que está fazendo isso? Max levantou os olhos lentamente. Havia um cansaço enorme neles. — Porque eu não posso sair daqui deixando meus irmãos presos nessa vida. A mulher ficou em silêncio. Max continuou: — Eu sei que não vou conseguir proteger eles para sempre. Sua voz saiu amarga. — Principalmente de você… e das coisas que o seu marido fez. Ela pareceu ofendida. — Eu sou a mãe deles. Max soltou uma risada baixa. Sem humor algum. — Agora é mãe? Se levantou lentamente. — Onde a senhora estava quando eu precisei de uma? As palavras atingiram a mulher em cheio. — Então, por favor… Os olhos dele estavam cheios de dor. — Não venha agir como mãe agora. E saiu para fora antes que ela respondesse. Algum tempo depois… Os quatro irmãos partiram. Nenhum deles olhou para trás. Max ficou parado no portão observando o carro desaparecer lentamente pela rua. Então soltou um longo suspiro. Pela primeira vez em anos… Sentia um pequeno alívio. Entrou em casa novamente. Tomou banho. Pegou sua mochila. E se preparou para sair. A mãe apareceu na porta do quarto. — Onde você vai agora? Max colocou a mochila nas costas. — Trabalhar. Depois falou sem emoção alguma: — Já paguei o aluguel. Então caminhou até a porta. — E não sei que horas volto. A mulher permaneceu olhando para ele em silêncio. Max parou apenas por um segundo antes de completar friamente: — Mas se quiser usar a casa para suas loucuras… fique à vontade. Então saiu andando sem olhar para trás. A mulher ficou parada na porta observando o filho descer lentamente a rua escura. E pela primeira vez… Percebeu que talvez já tivesse perdido ele há muito tempo.






